COBERTURA ESPECIAL - US - Geopolítica

19 de Dezembro, 2017 - 12:00 ( Brasília )

EUA - National Security Strategy: “A América Primeiro”

Documento estratégico de Trump diz que Rússia interfere em assuntos domésticos mundialmente

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que a Rússia interfere em questões políticas internas de países globalmente, mas evitou acusar Moscou de ter atuado nas eleições norte-americanas de 2016.

A crítica à Rússia, feita em uma nova Estratégia de Segurança Nacional (National Security Strategy) formada a partir da visão de política externa de Trump de “América Primeiro”, reflete uma visão mantida há tempos por diplomatas norte-americanos de que a Rússia prejudica ativamente interesses dos EUA nacional e internacionalmente, apesar da própria tentativa de Trump de relações mais amistosas com o presidente Vladimir Putin.

“Através de formas modernizadas de táticas subversivas, a Rússia interfere nas questões políticas internas de países ao redor do mundo”, informou o documento.

O documento não chegou a citar diretamente o que a inteligência dos EUA diz ter sido interferência russa na eleição presidencial norte-americana de 2016. “A Rússia usa operações de informações como parte de seus esforços cibernéticos ofensivos para influenciar opinião pública ao redor do globo. Suas campanhas de influência misturam operações de inteligência secretas e pessoas online falsas com mídia financiada pelo Estado, intermediários terceirizados e usuários pagos nas redes sociais ou ‘trolls’”, informou o documento.

Trump tem falado frequentemente sobre seu desejo de uma relação melhorada com Putin, mesmo que a Rússia tenha frustrado ambições dos EUA na Síria e na Ucrânia e tenha feito pouco para ajudar Washington em seu impasse com a Coreia do Norte.

Na segunda ligação de tal tipo em menos de uma semana, Putin conversou com Trump no domingo para parabenizá-lo por fornecer inteligência dos EUA que ajudou a frustrar um ataque a bomba na cidade russa de São Petersburgo. Na quinta-feira, Putin e Trump discutiram a crise norte-coreana.

Em discurso para delinear a estratégia, Trump ressaltou o telefonema de Putin no domingo, e disse que a colaboração ocorreu “do jeito que deveria funcionar”. “Mas enquanto buscamos tais oportunidades de cooperação, nos defenderemos e defenderemos nosso país como nunca antes”, afirmou o presidente no prédio Ronald Reagan no centro de Washington.

Uma investigação do Departamento de Justiça dos EUA está analisando se assessores da campanha de Trump conspiraram com a Rússia, algo que Moscou e Trump negam. Outros países, incluindo a França, acusam a Rússia de interferir em suas eleições.

ESTRATÉGIA

O Congresso exige que cada governo dos EUA estabeleça sua Estratégia de Segurança Nacional. A nova Estratégia de Trump é fortemente influenciada pelos pensamentos das principais autoridades seniores de segurança nacional, ao invés do presidente em si, disse uma autoridade envolvida na preparação do documento. Tópicos de argumentação enviados para embaixadas dos EUA ao redor do mundo sobre o que diplomatas devem dizer sobre a nova estratégia deixam claro que a posição oficial dos EUA é firme em relação à Rússia.

Um memorando do Departamento de Estado, visto pela Reuters, dizia: “A Rússia tenta enfraquecer a credibilidade do compromisso da América com a Europa. Com suas invasões à Geórgia e Ucrânia, a Rússia demonstrou uma disposição de usar força para desafiar a soberania de Estados na região”.

Harry Kazianis, um analista da entidade conservadora Centro para o Interesse Nacional, disse: “Embora as coisas com Moscou possam ser boas no momento, o presidente Putin não levará muito gentilmente ser rotulado como o que essencialmente significa ser o inimigo da América”.

A estratégia do presidente republicano reflete suas prioridades de “América Primeiro” de proteger solo norte-americano e fronteiras, reconstruir as forças militares, projetar força no exterior e buscar políticas comerciais mais favoráveis aos EUA, de acordo com trechos disponibilizados pela Casa Branca.

PROTECT THE HOMELAND

China e a Rússia são competidores tentando desafiar o poder dos EUA e erodir sua segurança e prosperidade em uma Estratégia de Segurança Nacional. “Eles estão determinados a tornar as economias menos livres e menos justas, e a controlar informações e dados para reprimir suas sociedades e ampliar sua influência”, de acordo com trechos da estratégia divulgados pela Casa Branca.


A estratégia, produto de meses de deliberações do presidente e seus principais conselheiros, não repete a descrição da mudança climática como uma ameaça à segurança nacional dos EUA, feita pelo ex-presidente Barack Obama em 2016, disseram assessores.

Trump prometeu retirar os EUA do acordo climático de Paris a menos que este sofra mudanças. “Os Estados Unidos continuarão a levar adiante uma abordagem que equilibra segurança energética, desenvolvimento econômico e proteção ambiental”, dirá o documento.

O enfoque de segurança nacional de Trump reflete as prioridades de seu slogan “A América Primeiro” –proteger o território nacional e suas fronteiras, reformar os militares, projetar força no exterior e buscar políticas comerciais mais favoráveis aos EUA.

Ter destacado China e Rússia como “potências revisionistas” no documento reflete a cautela do governo Trump com ambas, apesar das tentativas do próprio presidente de desenvolver relacionamentos fortes com seu colega chinês, Xi Jinping, e russo, Vladimir Putin.

Um funcionário de alto escalão que inteirou os repórteres disse que Rússia e China estão tentando revisar o status quo global – Moscou na Europa, por meio de suas incursões militares na Ucrânia e na Geórgia, e Pequim na Ásia com sua postura agressiva no Mar do Sul da China.

A estratégia prometerá proteger a infraestrutura crítica dos EUA de invasões cibernéticas e “ir atrás de atores cibernéticos mal intencionados”. Tanto a China quanto a Rússia são acusadas com frequência de ataques cibernéticos contra alvos norte-americanos, alegações que negam.

Trump vem trabalhando com Xi para pressionar a Coreia do Norte devido aos seus programas nuclear e de mísseis balísticos, mas obteve pouco progresso em sua promessa de negociar termos mais favoráveis aos EUA de forma a reduzir um déficit comercial que chegou a 347 bilhões de dólares em 2016.

No domingo Putin ligou a Trump para lhe agradecer por ter fornecido informações de inteligência que ajudaram a evitar um ataque com bomba potencialmente fatal em São Petersburgo.

Saiba mais:  

Trump - Anuncia a National Security Strategy [Link]



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