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TOA - Teatro de Operações da Amazônia
Defesanet 31 Janeiro 2008
JB 30 Janeiro 2008

Justiça vai investigar 25 ONGs

Vasconcelo Quadros Brasília

Um levantamento da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) encaminhado ao Ministério da Justiça para amparar a operação de combate à biopirataria, compra ilegal de terras, interferência indevida em áreas indígenas e exploração de recursos minerais, lista pelo menos 25 organizações não-governamentais (ONGs) com atuação na Amazônia e que devem ser investigadas pela força tarefa criada pelo Ministério da Justiça. No grupo estão as entidades mais expressivas com atuação nas áreas indígenas e na defesa do meio ambiente. O relatório traz um cadastro completo das entidades, nome ou razão social, origem, sede, dirigentes, fontes de financiamento, área de atuação e as atividades desenvolvidas, mas deixa claro que nem todas exercem atividades suspeitas.

A força-tarefa coordenada pela Secretaria Nacional de Justiça vai identificar todas as entidades com o auxílio da Polícia Federal e de outros órgãos públicos federais, como Forças Armadas, Funai e Ibama, para separar as que realizam um trabalho social das que usam a defesa dos índios e do meio ambiente para praticar crimes contra a soberania do país e exploração de recursos naturais.

- Vamos despolitizar esse debate e separar o joio do trigo - , afirma o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior. Sua primeira tarefa, no entanto, será encontrar um consenso de atuação entre os órgãos públicos para definir a prioridade da força tarefa e separar as entidades sérias das suspeitas. Segundo ele, quem não se sujeitar ao controle governamental tem outros objetivos:

- Estará violando a soberania ou preocupado com as riquezas naturais do país - diz o secretário.

Na lista de 25 ONGs, a Abin aponta 13 com atuação em áreas indígenas e, entre elas, as suspeitas. As que mereceram maior atenção são entidades como a Amazon Conservation (ACT), de origem americana, que desenvolveu campanhas para compra de terras e é suspeita de biopirataria. Dados coletados pela Abin, a entidade repassaria conhecimentos indígenas sobre substâncias extraídas de plantas e animais a laboratórios estrangeiras ligados à produção de cosméticos e medicamentos. Grupos indígenas chegaram a acusar a ACT de não prestar contas e nem repassar recursos prometidos às aldeias.

Outra ONG com atuação na área, a amazonense Comissão Pró-Yanomami (CCPY), segundo as anotações da Abin, chegou a celebrar convênio com o laboratório americano Shaman Pharmaceuticals, sem o conhecimento da Funai ou da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), para repassar conhecimentos tradicionais dos índios sobre medicina em troca de recursos, o que caracterizaria, segundo o governo amazonense, a prática de etnobiopirataria.

Epidemias

A ONG indigenista amazonense Conselho Indigenista do Vale do Javari (CIVAJA), é apontada pela Abin como suspeita por má gestão de recursos públicos repassados pela Funasa, o que teria alastrado epidemias entre os índios. A entidade não prestou contas dos recursos alegando que na região em que atua, a fronteira, não consegue notas fiscais ou recibos que comprovem gastos com alimentação e transporte fluvial às equipes.

A Coordenação da União dos Povos Indígenas de Rondônia, Noroeste do Mato Grosso e Sul do Amazonas (CUNPIR), embora se apresente como entidade que combate a exploração ilegal de diamantes na Reserva Roosevelt, em Rondônia, seria dona de equipamentos de garimpagem descobertos na mesma área dos Cinta-Larga, numa localidade conhecida por Igarapé Laje. A entidade é financiada por ONGs alemãs e tem parte de suas despesas bancadas pela WWF - Brasil.

Cosmovisão

Uma outra entidade de nome esquisito, a norte-americana Jovens Com Uma Missão (JOCUM), desenvolve trabalho evangélico junto a grupos que nunca haviam sido procurados por missionários e arranjou encrenca com a principal ONG indigenista brasileira, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), ligado a igreja católica, e com a própria Funai. A JOCUM foi acusada de ameaçar a identidade das etnias e interferir na "cosmovisão" dos índios, introduzindo, através de rituais religiosos, entidades místicas estranhas à cultura dos índios Suruaha, no Amazonas.

A Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB), seita de origem americana, é suspeita de usar o trabalho religioso como pretexto para destruir a cultura indígena, praticar a biopirataria, realizar prospecção ilícita do subsolo e contrabandear minerais de áreas indígenas. A MNTB atua em junto a mais de 40 etnias.

Entre as ONGs ambientalistas, um dos alvos certos da investigação é a inglesa Cool Earth, dirigida pelo milionário sueco Johan Eliasc, que oferece terras pela Internet no Amazonas, Mato Grosso e em determinadas regiões do Equador com o pretexto de arrecadar dinheiro para preservação de áreas "adotadas". Eliasc é suspeito de ter utilizado laranjas para comprar cerca de 160 mil hectares no Amazonas e de estimular outros empresários ingleses a comprar terras na região sob o argumento de que a bandeira preservacionista é um bom negócio. Uma entidade brasileira, o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON), premiada internacionalmente pelo trabalho de conservação, mas é citado no relatório por desenvolver projetos de pesquisas sobre desmatamentos financiados pelo governo e entidades filantrópicas americanas, utilizando imagens do satélite MODIS que pertence à NASA.

Estado pretende reassumir o controle institucional da região

A Operação Amazônia, preparada para ser deflagrada pela PF na segunda quinzena de fevereiro para combater o desmatamento e a exploração ilegal de madeira, marcará também a ofensiva do governo para fortalecer o controle institucional da região e, como subproduto, dar início à ofensiva para depurar o chamado Terceiro Setor.

- Quem for flagrado em atividade suspeita será retirado da região - disse ontem o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa.

Serão utilizados 780 homens para estancar o contrabando de madeira, criando um cinturão de segurança através das estradas e rios. Corrêa garante, no entanto, que a operação faz parte da estratégia de fortalecimento institucional da região amazônica, cuja prioridade é ocupar espaços e substituir as ONGs que, ao longo das últimas décadas, foram atuando em áreas de responsabilidade do governo.

- A idéia é ir e ficar - disse o delegado.

A PF integra a força-tarefa do Ministério da Justiça que vai investigar a atuação das ONGs suspeitas na região. Sob a coordenação da Secretaria Nacional de Justiça, também terão atuação órgãos como a Funai, o Ibama e, especialmente, as Forças Armadas que, estabelecidas na faixa de fronteira, estão preocupadas com ameaças à soberania do país. Essas ONGs atuam em áreas indígenas e se apresentam como defensoras da ecologia, mas há indícios de que paralelamente fazem a espionagem de recursos naturais da região - minério e biodiversidade - para repassar a governos e empresas privadas estrangeiras.

Prontidão

A Polícia Federal deve concluir seu relatório sobre as ONGs depois do carnaval. Encaminhará o texto ao ministro da Justiça, Tarso Gero, mas não se limitará ao acompanhamento das ações que estão sendo traçadas pela Secretaria Nacional de Justiça. Uma equipe de federais estará de prontidão para participar de operações, abrir inquéritos, prender, realizar buscas e interditar sede de entidades que estiverem agindo de forma ilegal. Os estrangeiros flagrados em crime serão presos e, depois de responderem à Justiça, serão expulsos do país.

O combate cerrado aos crimes ambientais como o desmatamento ilegal, segundo Luiz Fernando Corrêa, vai ajudar a polícia a inibir a atuação das ONGs e outros delitos que se tornaram comuns na região, como assassinatos de religiosos e de ambientalistas e a grilagem de terras, que estão sempre na origem das mazelas regionais.

- Vamos chegar no momento da árvore - diz Corrrêa.

Defesa@ Net

Jobim inicia visita de uma semana a Amazônia para estudar modernização dos postos de fronteira
http://www.defesanet.com.br/toa1/raposa_7.htm

Exército pode participar de retirada de arrozeiros da Terra Indígena Raposa Serra do Sol
http://www.defesanet.com.br/toa1/raposa_4.htm

Carta ao General-de-Exército Maynard Marques de Santa Rosa - Editorial Defesa@Net - 20 Setembro 2007
http://www.defesanet.com.br/toa1/raposa_3.htm

General Barros Moreira sucede o General Santa Rosa na Secretaria de Estratégia - MD - 19 Setembro 2007
http://www.defesanet.com.br/toa1/raposa_2.htm

Venezuela faz sobrevôo ilegal na Amazônia - Aviões militares do país vizinho pousaram em aldeia indígena ianomamis, em Roraima.
http://www.defesanet.com.br/toa1/aa_venezuela.htm

Lideranças indígenas de Roraima assinam carta-compromisso com o Governo Federal
http://www.defesanet.com.br/toa1/raposa.htm

Carta-Compromisso aasinada 12 Setembro 2007
http://www.defesanet.com.br/docs1/carta_raposa.pdf

A Batalha de Roraima - Lorenzo Carrasco - 16 Setembro 2007
http://www.defesanet.com.br/toa1/raposa_1.htm

Defesa @ Net

Para general, ONGs se dedicam ao tráfico de drogas -
Marcelo Rech - Inforel http://www.defesanet.com.br/zz/toa_ongs.htm

Para general, vazio de poder ameaça Amazônia - Comandante Militar da Amazônia diz que a ausência do Estado na região norte "ainda vai dar problema". http://www.defesanet.com.br/toa1/aa_poder.htm

Veja a apresentação do Gen Schroeder Lessa, ex-comandante do CMA
http://www.defesanet.com.br/toa/genlessa/

Senadora italiana diz que veio trazer solidariedade aos índios
http://www.defesanet.com.br/toa/raposa_1.htm

Ministros devem se limitar às comemorações indígenas
- Quartieiro alerta para clima tenso na reserva
http://www.defesanet.com.br/toa/raposa_2.htm

   
   
   
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  Infográfico JB.
   
   
 

Os índios e as armas
JB 09 Jan 06

   
  Carta Comandante do CMA
JB 21 Jan 06
   
 

“O Comando Militar da Amazônia já entendeu que a ocupação da floresta extrapola a capacidade militar”, diz o general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas
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