| Presidente
da CPI das ONGs ameaça deixar cargo
Comissão ganhou apelido de 'CPI do
Google' porque só usa dados encontrados na
internet.
'Estamos de mãos atadas; não conseguimos
avançar sem quebra de sigilo', diz senador.
Da Agência Estado
A Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga
suspeitas de repasses oficiais para organizações
não-governamentais (ONGs) ganhou o apelido
de "CPI do Google" porque
só manuseia dados públicos encontrados
na internet, sem acesso a dados sigilosos.
De posse de relatórios
considerados insuficientes para avançar nas
investigações, o presidente da CPI,
senador Raimundo Colombo (DEM-SC), avisa que, se
não conseguir ao menos quebrar o sigilo de
alguns investigados e aprovar requerimentos, deverá
“jogar a toalha” e pôr fim ao
que chama de “palhaçada”.
A dificuldade em
avançar na apuração é
atribuída aos governistas, maioria na CPI.
Ao todo, a comissão abriga sete integrantes
da base do governo - incluindo o relator, senador
Inácio Arruda (PC do B-CE), e apenas quatro
oposicionistas, contabilizando Colombo.
O problema é
que nem governo nem oposição demonstram
muito apetite investigativo. A comissão se
propôs a apurar repasses de verbas federais
para ONGs de 1999 a 2006, ou seja, no segundo mandato
do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB)
e nos primeiros quatro anos do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT).
“Estamos de
mãos atadas, pois não conseguimos
avançar sem a quebra de sigilo”, reconhece
o presidente da CPI. Colombo chegou a pensar em
recorrer ao Judiciário para obter o acesso
às informações secretas. A
previsão oficial é de encerramento
dos trabalhos em maio.
A CPI até
que conseguiu dados importantes, mas depende do
cruzamento de informações e de quebra
de sigilo para completar um “pente-fino”
no repasse de verbas da União às entidades.
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