Reserva
Indígena Raposa Serra do Sol
Ministros devem se limitar
às comemorações indígenas
Os
eventos organizados por lideranças indígenas
para comemorar a homologação da reserva
Raposa/Serra do Sol devem contar com a presença
de três ministros, Márcio Thomaz Bastos (Justiça),
Marina Silva (Meio Ambiente) e Miguel Rosseto (Desenvolvimento
Agrário), além do assessor especial da presidência
da República, César Alvarez.
A Folha apurou que os ministros, caso realmente venham
na próxima quinta-feira, devem se restringir à
festividade dos índios. Não está
previsto anúncio de medida governamental no Estado.
A informação foi confirmada pelo petista
José Nagib, coordenador do Comitê Gestor
de Articulação de Políticas Públicas
do Governo Federal em Roraima.
A
vinda deles não está condicionada a alguma
medida do governo Lula no Estado. Os ministros visitarão
Roraima para prestigiar as festividades de comemoração
da homologação da reserva indígena
Raposa Serra do Sol, declarou José Nagib,
acrescentando que a confirmação da visita
e da agenda da comitiva ministerial está prevista
para hoje.
As agendas dos três ministros divulgadas nos sites
de suas respectivas pastas não continham até
o final da tarde de ontem nenhuma informação
sobre viagem a Roraima. José Nagib explicou que
está sendo articulada uma reunião de Cezar
Alvarez com os dirigentes de instituições
federais em Roraima. Não há confirmação
sobre este encontro.
Outro dado evidencia ser pouco provável que o governo
Lula tenha ação montada para acalmar os
ânimos dos contrários ao modelo da demarcação
da Raposa/Serra do Sol, além de mostrar o distanciamento
entre o Planalto e o Palácio Hélio Campos.
O Governo de Roraima não recebeu nenhum comunicado
oficial sobre a visita de ministros ao Estado.
SURUMU José Nagib visitará hoje,
em nome do governo Lula, a região do Surumu, onde
no final de semana houve destruição de prédios
e veículos. O Planalto repudia este ato selvagem,
atingiram famílias inocentes, bens particulares
e públicos, de forma covarde. Não é
com violência que se conseguirá encontrar
saída aos problemas, afirmou. (I.G.)
Quartieiro
alerta para clima tenso na reserva
Invocando sua responsabilidade administrativa, Paulo César
Quartieiro alertou as pessoas que pretendem se deslocar
para a festa comemorativa à homologação
da reserva Raposa/Serra do Sol que evitem fazê-lo.
Lembrou que na região existem dois grupos indígenas
divergentes e estranhos poderiam passar por constrangimentos.
Ali
existem dois sentimentos, um de euforia e outro de comoção.
Como prefeito eu não recomendo a participação
nessa festa, porque a situação não
está resolvida. Essa festa poderá ser vista
como deboche e as conseqüências são
imprevisíveis, justificou o prefeito.
Na
avaliação de Quartieiro, o Governo Federal
(Ministério da Justiça e Funai) demarcaram
a Raposa/Serra do Sol à força. Afirmou que
a maioria dos índios residentes na região
não aceita a demarcação como foi
feita. Justamente esses índios há tempos
vêm alertando para a possibilidade de confronto
porque a demarcação é injusta.
O
prefeito lembrou que a Comissão Externa da Câmara
e a Comissão do Senado Federal fizeram relatório
advertindo para a possibilidade de conflito. De quebra,
outras entidades e governos informaram ao Ministério
Público e à Polícia Federal sobre
o mesmo fato.
Então,
os responsáveis, por eventual conflito, serão
quem teima em não ouvir a opinião da maioria
dos índios. Estas pessoas querem transferir a culpa
a alguém que estivesse no plantão. Aí,
acusam a mim, ao vice-prefeito e ao vereador mais bem
votado de Pacaraima, observou Paulo César.
OUTROS
O prefeito de Pacaraima freqüentou a lista
de suspeitos pelo seqüestro de padres na Missão
Surumu e pelo incêndio de casas numa maloca indígena.
Ele acredita que as pessoas que forçam a demarcação
em área contínua são as mesmas que
querem transferir responsabilidade para terceiros.
Não
tenho qualquer envolvimento nos casos dos quais fui acusado.
É evidente que como prefeito de Pacaraima lutarei
para que a injustiça lá praticada não
se realize. Com essa mensagem disputei as eleições
e fui eleito para defender o Município. As acusações
a nós dirigidas têm o objetivo de nos intimidar,
de nos calar politicamente, mas não vou me intimidar
ou me calar, declarou Quartieiro. (C.P)