COBERTURA ESPECIAL - TOA - Defesa

07 de Novembro, 2012 - 23:01 ( Brasília )

TOA - Manter médico no interior do AM custa até R$ 120 mil por mês, diz Exército

Exército revelou ao G1 as dificuldades para contratar médicos especialistas. Altos custos prejudicam realização de cirurgias cesarianas, por exemplo.

Adneison Severiano Do G1 AM

 

Situada a 851,23 km de distância de Manaus e na faixa de fronteira com a Colômbia, o município de São Gabriel da Cachoeira enfrenta inúmeras dificuldades para dispor de serviços básicos como, por exemplo, atendimento de saúde. O problema ocorre devido aos custos elevados e a recusa dos profissionais em atuar na região. Para atuar na única unidade hospitalar da rede pública da cidade, cooperativas médicas chegam a cobrar R$ 120 mil por mês por anestesiologista.

São Gabriel da Cachoeira possui um Hospital Militar gerenciado pelo Exército Brasileiro por meio de convênio com o Governo Amazonas, que atende 40 mil pessoas no município.

Segundo o general de divisão, Guilherme Cals Theophilo, comandante da 12ª Região Militar, para dispor de um médico anestesiologista o custo mensal com o salário do especialista chega a R$ 120 mil. "Para colocar um anestesista no Hospital de São Gabriel da Cachoeira, nós estamos com dificuldades porque não temos militares com essa especialidade. A cooperativa de anestesista nos cobrou 120 mil reais na primeira sondagem e na segunda R$ 112 mil. A princípio temos um contrato até fevereiro pago pelo governo do Amazonas pelos serviços desse médico civil", revelou o general.

General-de-Divisão, Guilherme Cals Theophilo, explicou que o valor é imposto pelas cooperativas. "Não existe mais opção de contratar um único anestesista, eles estão fechados em cooperativas e colocam o preço que acham justo", contou.

O comandante da 12ª Região Militar enfatizou que sem esse especialista os atendimentos do hospital ficam inviabilizados. "A média diária de partos é entre três e quatro partos, muitas vezes é preciso o anestesista para realizar cesariana ou em caso de eventual complicação no parto que precise de intervenção cirúrgica", destacou general Theophilo.

Na avaliação do general, o atrativo de atuar na capital e nos grandes centros urbanos tem gerado barreiras na contratação de profissionais, influenciando ainda nos custos com salário. "Então interiorizar a medicina no Amazonas estar sendo nosso principal problema. Temos conseguido graça aos médicos militares que são transferidos com algumas vantagens e poucos civis que tem motivação de ir para as fronteiras", relatou o comandante.

O Hospital de São Gabriel da Cachoeira atende os militares e a população por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). O governo do Amazonas entra com a parte de infraestrutura, já o Exército fornece a parte material e os profissionais.

O G1 contatou o Sindicato dos Anestesiologias do Amazonas, mas não obteve resposta sobre o valor cobrado para contratação de profissionais no interior do estado.