COBERTURA ESPECIAL - TOA - Terrestre

29 de Dezembro, 2015 - 09:05 ( Brasília )

Comando de Fronteira Solimões - 8º BIS


SELVA!...

O brado que nos identifica revela a nossa história. Somos uma organização militar edificada na floresta. Ocupamos uma parte da Amazônia muito cobiçada no século XVII pelos holandeses, franceses e ingleses. À época foram estabelecidos comércios e construídos pequenos fortes na Região. E foi a partir da necessidade de firmar território, afirmando assim a soberania sobre tal área, que hoje se tem, em Tabatinga (AM), o Comando de Fronteira Solimões / 8° Batalhão de Infantaria de Selva (CFSol / 8° BIS), criado em 1992.

O início dessa história remonta ao ano de 1637 quando chegou, em Belém do Pará, o Capitão Pedro Teixeira, com a missão de organizar uma grande expedição para explorar o Amazonas. Com ele havia 70 soldados e 1.200 índios flecheiros, além dos oficiais, pessoal para os serviços gerais, mulheres e crianças. Começou aí a arrancada para as terras ocupadas pelos espanhóis, reconhecendo a grande via de acesso fluvial a ser percorrida por outros sertanistas.

Para evitar as constantes invasões castelhanas ao então território luso, foram erguidos diversos fortes, entre eles o de São Francisco Xavier de Tabatinga, fundado pelo Sargento-Mor Domingos Franco em 1776, à margem esquerda do Rio Solimões, próximo a uma aldeia fundada por jesuítas.

Outros fatores importantes para a construção de uma fortaleza bem guarnecida e armada foram a facilidade de navegação e o movimento comercial com os vizinhos (Colômbia e Peru), nesse ponto considerado estratégico. O Forte permaneceu ocupado até 1889. Após, ficou abandonado até 1910, quando novamente tropas voltaram a assumir esse posto, agora com o nome de Contingente Especial de Tabatinga.

Em 1932, a fúria das águas do rio Solimões destruiu o Forte e só mais tarde, com uma severa seca, foi possível recuperar seus canhões. Em 1933, ocorreu uma grande concentração de tropa, com a presença do 21° Batalhão de Caçadores, do 23° Batalhão de Caçadores, do 27° Batalhão de Caçadores e, ainda, de tropas de Artilharia de Natal e do Cruzador São Paulo, motivada pela “Questão Letícia” (disputa entre Colômbia e Peru pela posse do atual território do estado colombiano cuja capital é Letícia), em que o Brasil foi mediador.

Em 1949, o Forte foi transformado em 5° Pelotão de Fronteira. Em 1967, foi criada a Colônia Militar de Tabatinga com as finalidades de nacionalizar as fronteiras do País, criar e fixar núcleos de população e promover o desenvolvimento e manter a segurança da área pela vigilância permanente.

Em 1969, foi criado o Comando de Fronteira Solimões / 1° Batalhão Especial de Fronteira e, em 1992, o atual Comando de Fronteira Solimões / 8° Batalhão de Infantaria de Selva.

Em 27 de julho de 1983, de acordo com a Lei Complementar Nº 284/85, aprovada pelo Congresso Nacional, foi criado o Município de Tabatinga, extinguindo-se a Colônia Militar.

Atualmente, o CFSol / 8° BIS enquadra quatro Pelotões Especiais de Fronteira (PEF):

1° PEF – Palmeiras do Javari, às margens do rio Javari

Teve sua primeira povoação em 1940, com uma vila formada por seringueiros. A presença militar deu-se em 1961. Sua atual nomenclatura surgiu da criação do 8º Pelotão de Fronteira, em 1995, por meio do Decreto nº 38.318.

2° PEF – Ipiranga, às margens do rio Içá

Originário do Pelotão destacado, em 1934, pelo 27º Batalhão de Caçadores, atual 1º Batalhão de Infantaria de Selva (Manaus/AM), na calha do Rio Solimões, na localidade de Vila Nova do Tonantis, atual cidade de Tonantis. Esse pelotão foi deslocado para a Comarca de Santo Antônio de Içá, recebendo a denominação de Pelotão Içá. Em 1952, foi deslocado novamente por necessidade de um posto militar no Rio Içá. O novo aquartelamento teve sua construção concluída em 1956 e recebeu a denominação de 2º Pelotão Especial de Fronteira (2º PEF).

3° PEF – Vila Bittencourt, às margens do rio Japurá

Há relatos de antepassados que dizem ter sido povoado por Incas que utilizavam a região para agricultura de curta duração, com a finalidade de se abastecerem para seguir viagem ao longo da Bacia Amazônica. Com o início da II Guerra Mundial, houve a criação do 3º PEF, na cidade de Santo Antônio de Içá. Em 1942, o 3º PEF foi deslocado para Vila Bittencourt, mas com o mesmo nome histórico de Pelotão Japurá, sendo diretamente subordinado a Manaus. Somente em 1969, o Pelotão passou a ser subordinado ao CFSol/1º BEF, atual CFSol/8º BIS.

4° PEF – Estirão do Equador, às margens do rio Javari

Teve sua primeira povoação em 1950 e foi fundado em 14 de dezembro de 1953. Inicialmente chamado Seringal Brasil, tendo em vista uma grande concentração de seringueiros nessa área. Devido à existência de um igarapé (um pequeno rio por onde passam somente canoas) que se chamava equador, juntamente ao fato da frente do pelotão apresentar um trecho mais reto ao longo do Rio Javari conhecido como estirão, surgiu o nome da comunidade “Estirão do Equador”.

A partir do desdobramento desses quatro Pelotões Especiais de Fronteira, situados nas comunidades acima descritas, o CFSol/8º BIS é responsável por guarnecer mais de 1.600 quilômetros de nossa fronteira amazônica. Daí um dos nossos lemas emblemáticos:

“MARCAMOS OS LIMITES DA PÁTRIA. HÁ QUE SER FORTE!”.