Os
índios e as armas
(
Leia o artigo de Mauro Santayana publicado no dia 09 Jan
Link)
Almanaque
do Mauro Santayana
DOS ARQUIVOS DO REPÓRTER
O
general-de-exército Cláudio Barbosa de Figueiredo,
comandante-geral da Amazônia, enviou-me correspondência
sobre a coluna Coisas da Política publicada
no dia 9, e que tratou do treinamento militar dos
índios. Dela extraímos os seguintes pontos:
''A
sua análise precisa dos fatos, além de demonstrar
um grande conhecimento sobre os temas amazônicos,
foi recebida por nós, soldados da selva, como reconhecimento
sincero pelo trabalho anônimo e diuturno que realizamos
neste tão imenso e cobiçado pedaço
do território brasileiro.''
''Cabe
ressaltar que, na década de 50, antes da intensificação
da presença militar na região, somávamos
cerca de 1.500 militares concentrados em poucas localidades.
Hoje, somos mais de 22 mil homens e mulheres que lutam
diariamente nesse rincão do país. São
jovens, muitos deles de origem indígena, que, nesse
exato momento, contemplam as águas dos rios-fronteira,
como o Oiapoque, o Tacutu, o Içana, o Uaupés,
o Javari ou o Abunã e tantos outros, todos com
olhar vigilante, delimitando o espaço da soberania
brasileira, num trabalho anônimo, despojado de vantagens
materiais, motivados tão-somente pelo dom de servir,
pela dedicação ao Exército e pelo
amor à nossa pátria.''
''Como
o senhor bem descreveu, nossos soldados, brasileiros de
farda, desenvolvem um gigantesco trabalho, continuando
a epopéia do inesquecível Marechal Rondon,
citado em sua coluna, ligando, integrando, levando saúde,
segurança, educação, civismo e brasilidade
aos pontos mais longínquos da Amazônia, com
a mesma fé e abnegação do antigo
chefe, atuando diretamente junto às inúmeras
comunidades indígenas.''
''A
propósito, são índios, também,
os nossos soldados na fronteira. São índias
as nossas esposas e nossas crianças, que se fundem
em uma só tropa camuflada e bradam em bom português
e em seus próprios dialetos o lema do guerreiro
da selva: 'A Amazônia nos une! Tudo pela Amazônia!
SELVA!'''.
''Não
obstante, e, novamente ratificando seu comentário,
alguns brasileiros, ou por não conhecerem de perto
a questão indigenista da Amazônia, ou por
má-fé, querem condenar nossos irmãos,
brasileiros da floresta, ao abandono e ao isolamento da
pátria, além de negar-lhes o acesso aos
mais elementares avanços da humanidade.''
''São
manifestações assim, como o seu artigo,
que sempre nos motivam a perseverar na missão e
prosseguir no adestramento diário da vida e do
combate na selva, garantindo ao povo brasileiro que o
seu Exército estará sempre pronto para defendê-lo,
em qualquer circunstância.''
''Um
fraterno abraço.
General-de-exército Cláudio Barbosa de Figueiredo,
comandante-geral da Amazônia.''