Sendero
Luminoso
A organização
guerrilheira 15 anos depois
(Uma revolução
movida a cocaína)
Laura Chamorro
DIRETORA-EXECUTIVA DO INSTITUTO DE
ESTUDOS
POLÍTICOS E ESTRATÉGICOS (IDEPE) DO
PERU
Quinze anos depois
da captura dos líderes e da desarticulação
de sua organização, o Sendero Luminoso
sofreu uma transformação fundamental
ao inverter a situação inicial. Antes
dominava o campo e cobrava cota da guerrilha e do
narcotráfico para permitir que traficassem
na área que o Sendero dominava. Agora, o
campo é dominado pelos narcotraficantes e
o Sendero Luminoso, em vez de cobrar cota, vende-se
como força militar aos narcos.
Essa nova situação,
implica também uma mudança em sua
forma de se aproximar da população,
e neste sentido poderíamos afirmar que Sendero
Luminoso se reinventou. O grupo aprendeu que atacar
a população foi um erro e ofereceu
não voltar a fazê-lo. Quanto ao aspecto
ideológico, já não dá
tanto peso à ideologia marxista-leninista-maoísta
que inspirou seus inícios.
O que encontramos
atualmente no Sendero é a segunda linha do
partido, formada por mestiços, andinos e
não mais pelos jovens universitários
que o criaram. Desapareceu o tema religioso-messiânico
que lhes dava sustento em seus primeiros momentos.
O delineamento marxista dos senderistas originais
foi substituído por uma ideologia mais pragmática,
mas com nuances marxistas. Os dois temas básicos
do atual Sendero são: não fazer terrorismo
contra a população e, não se
estabelecer frente ao povo em termos ideológicos,
apresentando-se como seus defensores
Quanto sua postura
frente a Abimael Guzmán, é preciso
distinguir se nos referimos ao Sendero de Huallaga
ou ao Sendero do VRAE. O primeiro apoia a posição
de "acordo de paz" de Guzmán com
o governo, e o do VRAE considera que se deve manter
a guerra.
A relação
do Sendero com a população, depende
da zona. Mesmo havendo muita gente que os rechaça
em termos gerais, isso não ocorre na zona
do VRAE e Huallaga, já que eles apoiam a
semeadura da coca e a elaboração da
cocaína, que são as atividades principais
desta zona. Dá-se, então, uma situação
de boas relações por conveniência.
Por outro lado, já não existe o medo
que a população tinha antes do Sendero
pelo poder que ele exercia. Agora o poder está
nas mãos dos narcos e o Sendero se dedica
a atuar como seguranças contratados por eles.
Contudo, mesmo que o movimento esteja apoiando os
narcotraficantes, não se pode deixar de reconhecer
que se trata de um partido com uma ideologia e suas
próprias metas.
Os EUA exercem forte
pressão sobre o tema da erradicação
da coca, de modo que a polícia mantém
a aparência de uma erradicação,
na qual permite aos americanos cumprir com suas
metas (10 mil hectares de coca erradicadas) apesar
de, na prática, isso significar um crescimento
de 12 mil hectares de coca nova, dando-se um saldo
de dois mil hectares a favor do narcotráfico.
A situação
é muito preocupante e se espera que o Sendero,
diante da necessidade de demonstrar que segue vigente,
faça algum atentado espetacular em alguma
parte do Peru, de preferência Lima pelo efeito
de maior impacto. Frente a essa ameaça, entramos
no tema dos recursos econômicos, sem os quais
a luta contra o terrorismo não tem bom prognóstico.
O Ministério da Economia e Finanças
é quem tem em suas mãos a possibilidade
de fazer com que a luta contra esta ameaça
possa ser efetiva e ter um saldo positivo.
É preciso
autorizar a luta contra o Sendero, dando às
Forças Armadas e polícia os recursos
adequados. Se isso prosseguir sem se resolver, o
Sendero continuará crescendo e os recursos
do Estado, desgastando-se.
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Relatório
Mundial sobre Drogas 2008 do UNODC
Aumento de cultivo de coca e ópio
ameaça progresso no controle de drogas
Veja o Relatório
Mundial
sobre Drogas 2008 - 8,3MB
(pdf em inglês)
Do site da UNODC |
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