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Narcotráfico - Drug War

DEFESA@NET 29 Março 2009
JB 29 Março 2009

Sendero Luminoso
Uma revolução movida a cocaína

Sendero Luminoso ressurge amparado pelo narcotráfico
do segundo maior produtor mundial
(A organização guerrilheira 15 anos depois)

Joana Duarte

Financiado pelos lucros do narcotráfico e da indústria madeireira ilegal, ressurge no Peru o Sendero Luminoso, a violenta insurgência maoísta que aterrorizou o país durante mais de duas décadas e que se acreditava praticamente extinto.

Membros da organização se deslocam em pequenos grupos por terras indígenas, principalmente na zona do Vale dos Rios Apurímac e Ene (VRAE), região centro-sul do país, onde mais de 70 mil pessoas morreram em conflitos sangrentos entre as Forças Armadas e os senderistas nas décadas de 80 e 90.

A apenas 250 metros do VRAE tem início a selva de Vizcatán, a maior zona produtora de coca do país. Levantamentos recentes apontam que 90% da safra de coca nascida na área é direcionada para a produção de cocaína no Peru, o segundo maior produtor mundial da droga, superado apenas pela Colômbia. Estima-se que o Sendero Luminoso hoje emprega cerca de 500 cocaleiros no VRAE, além de 350 combatentes armados.

Desde agosto de 2008, as Forças Armadas têm orquestrado operações contundentes de combate aos traficantes senderistas. A percepção do governo peruano é a de que o o movimento se assemelha cada vez mais aos cartéis latino-americanos, sendo a ideologia maoísta um pretexto para essas ações criminosas.

Ramificações

Mas, segundo especialistas, não se pode hoje falar em um único Sendero Luminoso. O cientista político Miguel Giusti do Instituto de Democracia e Direitos Humanos da Universidade Católica do Peru, identifica três grupos distintos dentro da organização.

– Existem aqueles que chamamos de ‘acordistas‘, facção na zona do Alto Huallaga, que busca solução política para o conflito, propondo como agenda central uma anistia generalizada para todos os rebeldes. Uma segunda facção se encontra no VRAE, berço histórico do Sendero, e segue mantendo sua importância regional. Afastaram antigos líderes do movimento, aproximando-se de um modelo parecido ao das FARC dos anos 90, de buscar o apoio sobretudo dos camponeses cocaleiros, e aliando-se ao narcotráfico.

Enquanto grande maioria dos acordistas ainda se encontra cumprindo pena em cárceres peruanos, Giusti acredita que os rebeldes do VRAE são os únicos que vêm se fortalecendo através do crescente envolvimento com o narcotráfico, que passou a ser atividade principal em vez de apenas um meio pelo qual se financiava o sonho revolucionário de uma ideologia política.

Scott Palmer, diretor do Programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Boston e autor de Shining Path of Peru, vê três principais fatores para o ressurgimento do grupo. O primeiro é o reconhecimento pelos rebeldes de que o movimento cometeu graves erros no passado.

– Ficou claro que os rebeldes passaram a se organizar silenciosamente, em pequenos vilarejos nos Andes, procurando conquistar reconhecimento e apoio popular, sem precisar apelar para violência e intimidação.

Esta também é a percepção de Cynthia McClintock, cientista política da George Washington University, em Washington, D.C., e autora de Movimentos revolucionários na América Latina, acrescentando que os senderistas se tornaram rebeldes menos bárbaros, buscando respeitar populações locais.

O segundo fator que contribui para o reaparecimento do Sendero, segundo Palmer, está relacionado ao abandono pelos dois últimos governos das estratégias de microdesenvolvimento no altiplano. Palmer aponta que a maioria das políticas públicas criadas para estimular a economia na região ou foram completamente abandonadas ou foram centralizadas e transferidas para os grandes centros urbanos.

– O terceiro fator, e talvez o menos reconhecido é o fato de haver hoje cerca de 300 a 500 militantes do antigo Sendero Luminoso que foram condenados, cumpriram suas sentenças e agora retornaram à sociedade – lembra Palmer. – Citando um número bastante conservador, creio que 20% destes militantes retomaram a velha causa.

A transformação de um movimento revolucionário em um cartel de drogas não é de todo surpreendente, resume Angel Ribasa, cientista político especializado em Assuntos Latino-Americanos do think tank Rand Corporation. É uma tendência que se vem observando desde o final da Guerra Fria.

– No momento em que a América Latina começou a se democratizar, movimentos de oposição decidiram largar as armas e competir nas urnas – concorda Cythia McClintock. – Contudo, o contraste entre a miséria e a falta de oportunidades encontradas nas regiões mais pobres, com as grandes fortunas que as drogas podem proporcionar, deverá levar a novas insurreições no futuro próximo.

Defesa@Net

SOF - História - Operação Chavín de Huantar – A retomada da Embaixada do Japão em Lima – 22 de abril de 1997
http://www.defesanet.com.br/sof/chavin_huantar.htm

Relatório Mundial sobre Drogas 2008 do UNODC
Aumento de cultivo de coca e ópio ameaça progresso no controle de drogas
Veja o Relatório Mundial
sobre Drogas 2008 - 8,3MB
(pdf em inglês)
Do site da UNODC

Defesa@Net

Leia o resumo dos Principais Pontos do Relatório Mundial sobre Drogas do UNODC 2008 (pdf em português)

Leia sobre o Brasil no Relatório (pdf em português)

   
   
   
 

 

 

 

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