16 Abril 2007
08:15 Horas
Notícias
Arquivo Notícias
Boletíns
Editoriais
Revista Virtual
SOF História
Artigos
Documentos
Links
Fotos
Vídeos
Eventos
Busca Arquivo
  Defesa@Net
A Empresa
Equipe
 

Terror
Defesanet 16 Abril 2007
Correo Braziliense 15 Abril 2007

Livro secreto do Exército é revelado

Reportagem do Correio/Estado de Minas obtém cópia da obra sigilosa que a Força produziu há 19 anos para contar sua versão da luta armada: 1,7 mil pessoas são citadas

Lucas Figueiredo
Do estado de minas

1) Trechos do livro foram copiados de documentos secretos do próprio Exército. Um caso concreto: nas páginas 721 e 722, está escrito: “A localidade de Santa Cruz, por exemplo, dista 600 km da sede do município, em Conceição do Araguaia, e a única ligação existente entre elas é o rio, demorando a viagem entre uma localidade e outra uma média de 5 dias”. Texto praticamente idêntico aparece em documento do Exército de 30 de outubro de 1972, classificado como secreto: “(…) A localidade de Santa Cruz dista 600 km da sede do município em Conceição do Araguaia e a viagem pelo rio, único meio de ligação, demora da ordem (sic) de 5 dias”.

2) Outros trechos do livro — como o relato do seqüestro do embaixador alemão Ehrenfried von Holleben, em 1970 — são cópias ou adaptações de textos publicados no site do grupo do Ternuma (www.ternuma.com.br), guardião da obra.

3) Consultadas pelo Correio/Estado de Minas, pessoas citadas no livro — entre elas Cid Queiroz Benjamim e Maurício Paiva, que participaram da luta armada — apontam erros e manipulações na obra, mas confirmam a veracidade de inúmeros detalhes, que ainda não são de conhecimento público.

4) Um oficial do Exército que possui um exemplar do livro confirmou que a cópia em poder da reportagem é autêntica.

Durante dois meses, o Correio/Estado de Minas confrontou o conteúdo do livro secreto do Exército com outras 12 obras de referência histórica e com dezenas de documentos das Forças Armadas. Também entrevistou 32 pessoas envolvidas direta ou indiretamente com os fatos narrados. O resultado do trabalho começa a ser publicado a partir de hoje numa série de reportagens especiais. O Livro negro do terrorismo no Brasil agora faz parte da história.

Cronologia do projeto Orvil

1985
José Sarney toma posse na Presidência, pondo fim a 21 anos de ditadura militar. No mesmo ano, a Arquidiocese de São Paulo lança o livro Brasil: nunca mais, com relatos de tortura e assassinato de presos políticos ocorridos durante a ditadura.

1986
Para responder ao Brasil: nunca mais, o ministro Leônidas Pires (Exército) manda o serviço secreto da Força produzir um livro com a versão dos militares para a luta armada. Inicia-se assim o Projeto Orvil (a palavra livro ao contrário).

1988
O livro do Exército fica pronto e é batizado com o título As tentativas de tomada do poder. Leônidas (foto), contudo, volta atrás e decide não publicá-lo. O documento então passa a circular entre militares da reserva rebatizado de Livro negro do terrorismo no Brasil.

2000
Integrantes do grupo de extrema direita Terrorismo Nunca Mais (Ternuma), que reúne militares e civis, têm acesso ao livro e colocam na internet cerca de 40 páginas da obra. Não informam, porém, a origem dos textos.

2007
O Correio/Estado de Minas obtém uma cópia do livro. Com 966 páginas, o documento cita mais de 1,7 mil pessoas ligadas a organizações de esquerda, muitas delas ainda em atividade. A obra comprova que o Exército esconde informações sobre desaparecidos.

Com 51 páginas, dedicadas a ele, o campeão de citações no livro secreto é Carlos Lamarca, o capitão do Exército que desertou em 1969 para tentar fazer a revolução socialista no Brasil.

Em segundo lugar, com 41 páginas, vem Carlos Marighella, o veterano comunista que, no final da década de 1960, se tornou ícone da guerrilha urbana no país.

Livro era uma arma, diz general


Leônidas Pires Gonçalves, que mandou fazer o “livro negro” quando comandou o Exército, afirma que a obra foi engavetada em 1988 para ser usada, no futuro, em caso de “necessidade” dos militares

“Eu disse ao (José) Sarney: ‘Eu fiz esse livro. É uma arma que eu tenho na mão’.” Às vésperas de completar 86 anos, saudável e com a memória preservada, o general da reserva Leônidas Pires Gonçalves relembra, em entrevista ao Correio/Estado de Minas, o dia em que, na condição de ministro do Exército, se reuniu com o presidente da República para discutir o que fazer com a versão oficial dos militares para a luta armada que o serviço secreto do Exército acabara de concluir. “Falei para o Sarney que não ia publicar o livro. Para que criar um problema que não existe?”, recorda Leônidas. “Esse livro”, concluiu o general na conversa com o presidente, “fica como um documento, que nós (militares) podemos ter a necessidade (de divulgar) no futuro.” De acordo com Leônidas, Sarney concordou e ambos deram o caso por encerrado.

Quais seriam as “necessidades” a que se refere Leônidas? É o próprio general quem explica: atos de “revanchismo” contra as Forças Armadas por parte de “quem perdeu a guerra”. “Naquele tempo (em que o livro foi feito), não havia o que acontece agora, um revanchismo sem propósito”, afirma ele. “No meu período como ministro (1985-90), não houve nenhum problema dessa natureza, essas ‘mães não-sei-do-quê’, (grupos do tipo) Tortura: nunca mais.”

Leônidas confirma que partiu dele a ordem para fazer o livro. Diz, porém, que não ficou com nenhum exemplar. “O livro foi feito pelo CIE (Centro de Informações do Exército, serviço secreto da Força) com base nos documentos que o órgão dispunha”, afirma. O general é categórico ao comentar a suposta destruição de documentos do CIE, que, segundo vem argumentando o Exército nos últimos anos, impediria a divulgação de informações referentes ao combate às guerrilhas urbana e rural nas décadas de 1960 e 1970: “Foram queimados coisa nenhuma”.

Na opinião de Leônidas, o Exército não tinha a obrigação de mostrar o “livro negro” a ninguém, já que a obra não foi publicada. “Isso é passado. Vamos olhar para frente”, sugeriu. O general critica os guerrilheiros do Araguaia — “A pergunta é: o que eles estavam fazendo lá? Fazendo um enclave, que é uma coisa lesa-pátria. O resto é conversa fiada” —, critica antigos companheiros de desaparecidos políticos — “Nós cuidamos dos nossos mortos. Eles deviam ter cuidado dos mortos deles” — e critica também os familiares — “Por que não perguntam o que seus filhos estavam fazendo lá? Por que não perguntam se mereciam ou não mereciam, na luta, serem mortos?”

Ainda em relação ao Araguaia, Leônidas chama de “guerra” o enfrentamento que ocorreu entre as Forças Armadas e os guerrilheiros do PCdoB. “O que resulta de guerra? Morte. Essas coisas são conseqüências muito naturais. Eles (os grupos de esquerda que participaram da luta armada) perderam a guerra e agora querem ganhar no tapetão”, afirma. De acordo com ele, o número de ativistas políticos de esquerda mortos durante o regime militar — cerca de 350 — foi até pequeno se comparado ao que aconteceu nas ditaduras do Chile, 3 mil mortos, e Argentina, 30 mil mortos. “Nossa vitória, do ponto de vista de (perda de) vidas humanas, foi muito sóbria.” Por fim, conclui: “Na guerra só há uma coisa bonita: a vitória. O resto não é bonito”.

Contato
Na quarta-feira, o Correio/Estado de Minas entrou em contato com o Ministério do Exército, que solicitou que perguntas referentes ao caso fossem enviadas por escrito, o que foi feito no mesmo dia. Até a noite de sexta-feira, porém, as respostas não haviam chegado. O senador e ex-presidente José Sarney informou, por meio de sua assessoria, que não se lembra do livro. O grupo Terrorismo nunca mais (Ternuma), uma espécie de guardião do Livro negro do terrorismo no Brasil, não respondeu questionário enviado pela reportagem.

Comentário colocado na página A Verdade Sufocada do Cel Brilhante Ustra

Parte da reportagem "LIVRO SECRETO DO EXÉRCITO MOSTRA ENGRENAGEM DA REPRESSÃO" publicada no Correio Braziliense em 15 de abril de 2007.

Louvável a visão do general Leônidas Pires Gonçalves, que na época, Ministro do Exército, designou um grupo de militares para a missão de deixar registrado para a história os fatos que levaram o Exército a lutar contra um grupo de subversivos e terroristas que tentavam implantar no Brasil uma ditadura comunista.
Acreditando que a Lei da Anistia cicatrizaria as feridas, decidiu o general Leônidas que o livro não fosse publicado naquela época.

Em 2006, vendo a historia ser reescrita ao longo desses anos, por partipantes da subversão e do terrorismo, publiquei o livro "A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça".

Foram 20 anos de pesquisas em livros de autores que participaram da luta armada; em artigos publicados nos meios de comunicação social; em lembranças minhas e de companheiros; e, em dados colhidos no Orvil, projeto importantíssimo para a história recente do País.

No meu livro, que parte da mídia continua a boicotar, pois não quer que o Brasil saiba das atrocidades cometidas na época, demonstro a admiração e o respeito que merecem esses abnegados militares que contribuiram para que o projeto Orvil fosse uma realidade.

Abaixo transcrevo o publicado em "A Verdade Sufocada" a respeito do assunto:

Homenagem aos companheiros do Projeto Orvil

Quando as últimas organizações terroristas foram derrotadas, a esquerda revanchista passou a escrever e a mostrar, da forma que lhe convinha, a luta armada no Brasil. E o fez de maneira capciosa, invertendo, criando e deturpando fatos, enaltecendo terroristas, falseando a história, achincalhando as Forças Armadas e expondo à execração pública aqueles que, cumprindo com o dever, lutaram contra a subversão e o terrorismo em defesa da Nação e do Estado.

Nesse incansável e inteligente trabalho, porém desonesto e antiético, os revanchistas acusavam os civis e militares que os enfrentaram e derrotaram, de atuarem por conta própria como paramilitares desvinculados de suas organizações, em estruturas paralelas.

Predominava no País a versão dos derrotados que agiam livremente, sem qualquer contestação. As Forças Armadas, disciplinadas, se mantinham caladas.

Aos poucos, a farsa dos revanchistas começou a ser aceita como “verdade” pelos que não viveram à época da luta armada e do terrorismo e que passaram a acreditar na versão que lhes era imposta pelos meios de comunicação social.

No segundo semestre de 1985, a Seção de Informações do Centro de Informações do Exército - atual Divisão de Inteligência do Centro de Inteligência do Exército - recebeu a missão de empregar os seus analistas, além de suas funções e encargos normais, na realização de uma pesquisa histórica considerando o período que abarcasse os antecedentes imediatos da Contra-Revolução de 31 de março de 1964 até a derrota e o desmantelamento das organizações e partidos que utilizaram a luta armada como instrumento de tomada do poder.

Foi um trabalho minucioso, em que processos, inquéritos e documentos foram estudados e analisados.

As pesquisas realizadas em 1985, sob a orientação e a coordenação do chefe da Seção de Informações, mostraram que o trabalho a ser realizado ultrapassaria, no tempo e no espaço, o planejamento inicialmente estabelecido.

Assim, decidiu-se retroagir a Marx e Engels, passando por 1922, ano da criação do Partido Comunista Brasileiro - Seção Brasileira da Internacional Comunista - primeira organização comunista no Brasil, sob a orientação da Internacional Comunista, e prolongando-se até a primeira metade da década de 1980.

Definiu-se, também, que o projeto seria conduzido, em tempo integral, por uma equipe de três oficiais, apoiados, quando necessário, pelos demais.

Visando a resguardar o caráter confidencial da pesquisa e a elaboração da obra, foi designada uma palavra-código para se referir ao projeto - Orvil -, livro escrito de trás para frente.

Em fins de 1987, o texto de aproximadamente mil páginas estava pronto.

A obra recebeu a denominação de Tentativas de Tomada do Poder.

Apresentada ao ministro Leônidas Pires Gonçalves, este não autorizou a sua publicação - que seria a palavra oficial do Exército -, sob a alegação de que a conjuntura política não era oportuna.

Assim, a instituição permaneceu muda e a farsa dos revanchistas continuou, livre e solta, a inundar o País.

Recentemente, vários grupos, inconformados de ouvir somente um lado dessa história, resolveram se organizar e lutar para o restabelecimento da verdade. Paralelamente, alguns livros, contestando a versão revanchista, foram editados, o que levou o quadro amplamente desfavorável a mudar, embora lentamente, começando a esquerda a ser desmascarada.

Em fins de 1995, recebi o texto final do trabalho, em xérox, pois ele não foi editado. Esse texto foi o farol que me iluminou na redação de inúmeras partes deste meu novo livro, me tirou dúvidas, me esclareceu fatos e me deu a certeza de datas e de outros dados relevantes.

A esses anônimos militares da Inteligência do nosso Exército, a minha homenagem e a certeza de que vocês, também, são autores deste livro.

(A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça)

Visite nosso site www.averdadesufocada.com

   
   
   
 

 

 

 

Matérias Relacionadas

   
   
   
 
GUERRILHA NA AMAZÔNIA:
UMA EXPERIÊNCIA NO PASSADO,
O PRESENTE E O FUTURO

1- Passado
Link
2- Anos 1970
(Araguaia)
3- Anos 90
(Rio Traíra)

Adendo Análise pelo
US Army

A IMPORTÂNCIA
DO PENSAMENTO ESTRATÉGICO
BRASILEIRO
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   

 

© 2006 Defesa@Net™- Direitos Reservados