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DEFESA@NET 27 Dezembro 2007
JB 18 Abril 2004

Operação CONDOR

DEFESA@NET - Republicamos artigo do JB com entrevista com o jornalista John Dinges. Importantes notas sobre a Junta Coordenadora Revolucionária (JCR) e a posição do Brasil sobre a Operação Condor

Operação Condor ainda surpreende
Investigação de jornalista americano detalha atividades dos movimentos
de esquerda e esforços das ditaduras para liquidá-los
(A Ameaça Vinda de Fora - O Brasil Inspirou Militares)

JULIA SANT’AN NA

Quase 30 anos depois do início da maior articulação dos governos militares na América Latina, destinada a reprimir grupos contrários aos regimes ditatoriais, investigações sobre a chamada Operação Condor ainda rendem revelações.

Num livro recém-lançado nos Estados Unidos (2004) e com lançamento previsto para daqui a alguns meses no Brasil, o jornalista americano John Dinges disseca as atividades da Junta Coordenadora Revolucionária (JCR). Documentos obtidos por ele comprovam que uma rede de resistência criada pelos principais movimentos de esquerda foi o pretexto para o lançamento da Operação Condor.

– Pode-se buscar em dezenas de livros de história da época na América Latina e talvez sejam encontradas uma ou duas linhas sobre a JCR – disse Dinges em entrevista ao Jornal do Brasil, afirmando acreditar que a falta de interesse pela questão tenha raízes políticas.

Para o jornalista – que morou no Chile de 1972 a 1978 e acompanhou de perto o golpe do general Augusto Pinochet para o jornal The Washington Post–, as pesquisas sempre foram focadas nas atrocidades cometidas e nunca se buscaram informações detalhadas sobre as atividades da resistência.

– Acho que é importante corrigir a história e não apenas falar das vítimas como se elas tivessem sido inativas ou passivas – disse o ex-repórter e atual professor da Universidade de Columbia, em Nova York, insistindo que não quer com isso justificar a repressão.

– Era uma época em que havia um choque entre conceitos opostos sobre a sociedade. Alguma
coisa aconteceu sobre o solo, era pública, mas muito se deu nos subterrâneos.

Entre os fatos desenterrados na investigação de Dinges está o planejamento do assassinato do congressista americano Ed Koch, numa articulação entre autoridades uruguaias e chilenas. A agência de inteligência americana (CIA) sabia do plano e só alertou Koch dois meses mais tarde, negando-lhe proteção. Sua morte provavelmente foi evitada porque a polícia secreta chilena estava ocupada com o o assassinato, também nos EUA, de Orlando Letelier, uma das principais autoridades do governo socialista derrubado por Augusto Pinochet.

A Operação Condor, cujo nome correu o mundo depois do crime realizado dentro dos EUA, surgiu da preocupação das autoridades da Argentina, do Uruguai e do Chile com a integração dos grupos guerrilheiros de seus países.

– Em alguns dos documentos descobertos que falam da JCR há discussões claras sobre a fundação da Operação Condor – contou Dinges.

As principais forças que compunham a JCR eram o Movimento de Libertação Nacional (MLN-Tupamaros), do Uruguai, o Exército Revolucionário do Povo (ERP), da Argentina, e o Movimento de Esquerda Revolucionário (MIR), do Chile.

– Entre eles, o mais importante foi o ERP que tinha 5 mil militantes, centenas de instalações subterrâneas, fábrica de armas e lançou o que pensavam que seria uma verdadeira força de guerrilha, ao iniciar os ataques na província de Tucumán, em 74. O plano central da JCR era liderar levantes simultâneos nos outros países.

Dinges acredita que a descoberta de novas provas articulando os organismos repressores do período ditatorial latinoamericano possa ajudar a Justiça.

Crimes envolvendo vários governos seriam mais fáceis de serem punidos, já que processos
não seriam evitados pelas leis de anistia de um só país.

– Essas foram as conseqüências não intencionais de uma política que tinha outra finalidade. Em outras palavras, o pânico das atividades repressivas nos anos 70 levou o caso a um nível internacional. É por causa dessa natureza internacional dos crimes que os processos começaram a acontecer.

As pesquisas de Dinges o levaram a ser chamado para colaborar com as duas autoridades latino-americanas mais envolvidas nos processos que procuram punir as repressões da década de 70. O jornalista já prestou depoimentos e forneceu documentos de sua investigação ao juiz argentino Rodoldo Canicoba Corral e a seu colega chileno Juan Guzmán.

Defesa @ Net

Los delitos cometidos por los Montoneros no serán investigados - La Nacion
http://www.defesanet.com.br/terror1/montoneros.htm

INFORMEX - REUNIÃO DO ALTO - COMANDO DO EXÉRCITO 31 Agosto 2007

'País vê o último episódio da transição democrática' Luiz Felipe de Alencastro: historiador OESP 09 Setembro 2007
http://www.defesanet.com.br/pensamento1/alencastro.htm

Exército confirma ameaça de Jobim contra generais-Folha São Paulo-08 Set 2007
http://www.defesanet.com.br/terror1/400_9.htm

Jobim ameaçou afastar cúpula do Exército - Folha de São Paulo - 07 Set 2007
http://www.defesanet.com.br/terror1/400_8.htm

Jobim ameaçou demitir comandante do Exército se fosse desautorizado por nota
http://www.defesanet.com.br/terror1/400_7.htm


Disciplinados, mas não mortos - Reinaldo Azevedo - Veja
http://www.defesanet.com.br/terror1/400_6.htm

Para ministro, morte de agentes do regime militar não é 'crime'
http://www.defesanet.com.br/terror1/400_4.htm

Discurso do Presidente Luiz Inácio - 29 Agosto 2009
http://www.defesanet.com.br/terror1/400.htm

Discurso do Ministro da Defesa Nelson Jobim - 29 Agosto 2007
http://www.defesanet.com.br/terror1/400_1.htm

Governo culpa ditadura por tortura e mortes - Folha de São Paulo - 25 Agosto 2007
http://www.defesanet.com.br/terror1/400_2.htm

O livro dos mortos e desaparecidos
http://www.defesanet.com.br/terror1/400_3.htm

Livro secreto do Exército é revelado
http://www.defesanet.com.br/terror1/orvil.htm

Documentos da CIA sobre o Terrorismo na América Latina Anos 60
http://www.defesanet.com.br/zz/intel_cia_27jun07_2.htm

Para o livro "A verdade Sufocada" acesse:
http://www.averdadesufocada.com

   
   
 


 

 

O Livro Direito à Memória
e à Verdade pode ser
baixado diretamente do site
da Presidência da República
- 8,3 MB pdf

 

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