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Planalto 29 Agosto 2007

Planalto

Direito à Memória e à Verdade

Discurso do ministro da Defesa, Nelson Jobim, durante a cerimônia de lançamento do Livro-Relatório sobre Mortos e Desaparecidos Políticos

Palácio do Planalto, 29 de agosto de 2007


Excelentíssimo senhor Presidente da República,
Senhor Presidente do Senado Federal,
Senhor Presidente da Câmara dos Deputados,
Senhores ministros de Estado,
Minhas senhoras, meus senhores,

Permita-me, senhor Presidente, que procure fazer, introdutoriamente, uma genealogia da lei. Em 1995, o então presidente Fernando Henrique Cardoso determinou ao ministro da Justiça e ao seu chefe de gabinete, doutor José Gregori, que começassem a elaborar entendimentos para o envio, ao Congresso Nacional, da lei que ficou conhecida como Lei dos Desaparecidos.

A construção e o trabalho desenvolvidos no Ministério da Justiça de então buscavam o entendimento, a conciliação e a pacificação nacional.

O ministro José Gregori, então secretário de gabinete, contava, naquele momento, com o apoio de um extraordinário assessor daquele Ministério, o general Tamoyo, que construiu a percepção nítida de que tudo aquilo não era buscar sepultar o passado ou retalhar o passado, mas era construir o entendimento do futuro.

Elaborado o texto inicial do anteprojeto, nós nos dirigimos a uma reunião com as Forças Armadas, ou melhor, com o Exército Brasileiro, no Setor Militar.

Lá ficamos quatro horas debatendo o texto da lei, com o alto comando do Exército Brasileiro, em especial, com o então ministro do Exército, general Zenildo Zoroastro de Lucena. E lá demonstramos, claramente, que o que buscávamos era aquilo que acabou sendo expresso na própria Lei, ou seja, o princípio da reconciliação e da pacificação nacional. No debate que se estabeleceu sobre o texto da Lei, acabamos chegando a um ponto fundamental que era o reconhecimento de que os fatos do passado só contribuem com o futuro se forem vistos na sua integridade, através da perspectiva da honestidade histórica e da visão de futuro e de conciliação.

Dizia – perdoe-me a memória, Presidente – o doutor Ulysses Guimarães “que nada mais teimoso que o fato”, e era esse fato que tínhamos que buscar.

E por isso, senhor Presidente, naquela condição de então ministro de Estado da Justiça, junto com o doutor José Gregori e os demais assessores, trabalhamos, no Congresso Nacional, no debate da Lei e criamos o texto. A Lei 9.140 teve exatamente uma grande construção: de um lado, as ansiedades lógicas e distintas das famílias e, de outro lado, os interesses do Estado brasileiro.

Hoje, senhor Presidente – não naquela condição de ministro de Estado da Justiça – mas hoje, como ministro do seu governo e na condição de ministro de Estado da Defesa, afirmo a Vossa Excelência, com absoluta tranqüilidade, que estamos num processo efetivo de conciliação e que as Forças Armadas brasileiras recebem este ato como um ato absolutamente natural. Não haverá indivíduo que possa a isso reagir e, se houver, terá resposta.

Senhor Presidente, a perspectiva histórica e a lucidez histórica nos dizem claramente que a reconciliação só se produz sobre a honestidade e nunca sobre a ocultação. Nada pode ser ocultado, nada está sendo ocultado.

Tudo está sendo feito exatamente para a construção daquilo que Vossa Excelência tem como compromisso, como presidente da República, que é um grande acerto de contas deste País com o seu futuro. E não será absolutamente, senhor Presidente, qualquer tipo de omissão, de ocultação, que poderá construir com tranqüilidade o futuro de nossa Pátria.

Senhor Presidente, senhor Secretário de Direitos Humanos.

A publicação desta obra representa a continuidade de um processo que tem compromissos com o futuro, fundado em fatos do passado. Os fatos do Presidência da República passado autorizam a construção do futuro e, se esses fatos não são conhecidos, as nossas ações são falsas e são falaciosas. Não há falácia quando se trata de questão de Estado. Não se trata de questão de governo, trata-se, sim, de questão de Estado. Portanto, senhor Secretário, as palavras de Vossa Excelência, referindo-se expressamente à colaboração que tem recebido das Forças Armadas na busca e no exercício da atividade vital de proteção aos direitos humanos, mostra efetivamente que todos nós, fardados ou não, temos um compromisso, um compromisso com o povo brasileiro e com a história do Brasil.

Muito obrigado Presidente.
Ministro da Defesa Nelson Jobim

Defesa @ Net

Discurso do Presidente Luiz Inácio - 29 Agosto 2009
http://www.defesanet.com.br/terror1/400.htm

Discurso do Ministro da Defesa Nelson Jobim - 29 Agosto 2007
http://www.defesanet.com.br/terror1/400_1.htm

Governo culpa ditadura por tortura e mortes - Folha de São Paulo - 25 Agosto 2007
http://www.defesanet.com.br/terror1/400_2.htm

O livro dos mortos e desaparecidos
http://www.defesanet.com.br/terror1/400_3.htm

Livro secreto do Exército é revelado
http://www.defesanet.com.br/terror1/orvil.htm

Documentos da CIA sobre o Terrorismo na América Latina Anos 60
http://www.defesanet.com.br/zz/intel_cia_27jun07_2.htm

Para o livre A verdade Sufocada acesse:
http://www.averdadesufocada.com

   
   
   
 

 

 

 

O Livro Direito à Memória
e à Verdade pode ser
baixado diretamente do site
da Presidência da República
- 8,3 MB pdf

 

 

 

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