COBERTURA ESPECIAL - Especial Terror - Geopolítica

24 de Abril, 2006 - 12:00 ( Brasília )

EUA ampliam conceito de guerra ao terror

Plano militar secreto inclui expansão do raio de ação e envio de tropas de elite para embaixadas, diz o "Post"

SÉRGIO DÁVILA
DE WASHINGTON


Os EUA ampliaram seu conceito de "guerra ao terror" em um grande plano militar secreto recém-aprovado pelo secretário da Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld. Os três pontos principais são um aumento substancial do papel das Forças Armadas, especialmente das tropas de elite do Comando de Operações Especiais (Socom, na sigla em inglês), em detrimento da CIA e do Departamento de Estado; a ampliação do raio de ação do país para além dos palcos atuais de guerra (Iraque e Afeganistão); e um maior "aparelhamento" das embaixadas por essas tropas de elite.

Os detalhes do plano foram revelados em reportagem de ontem do jornal "Washington Post". Uma das medidas já tomadas foi enviar pequenos times do Socom, às vezes em duplas, principalmente membros dos Boinas Verdes, da Força Delta e dos Seal, para embaixadas em cerca de 20 países do Oriente Médio, da África e da América Latina. São chamados internamente de "Military Liaison Element" (MLE).

Entre os locais de destino da América Latina está incluído o Brasil, segundo disse à Folha um funcionário do Socom. Numa troca de telefonemas, a região da Tríplice Fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai) foi citada como uma zona "familiar" às ações, pela suspeita de que a Al Qaeda e outros grupos terroristas radicais islâmicos lá operem, seja como esconderijo de pessoal, seja com lavagem de dinheiro.

Em seguida à conversa, Kenneth McGraw, porta-voz do comando, enviou um e-mail em que afirma que "é política do Socom não comentar operações eventuais, futuras ou em andamento". Já o porta-voz de plantão do Departamento da Defesa, também procurado pela Folha, preferiu não comentar o plano nem a participação do Brasil. Em Brasília, a Embaixada dos EUA não atendeu aos telefonemas.

Antes, porém, por ocasião da prisão de dois MLE acusados de assassinato no Paraguai no começo do ano, o próprio McGraw havia dito: "Os MLE têm um papel militar fundamental e na interação de coordenação e planejamento das agências americanas com as nações estrangeiras".

"Modernização"

Entre as ações nas quais os pequenos times de tropas especiais já estão engajados nos países, segundo revelou o "Post", está o acúmulo de informações táticas e o planejamento de eventuais ações militares para aumentar a habilidade de os EUA conduzirem operações em países com os quais não está em guerra ou conflito direto.

O plano faz parte do objetivo declarado de Donald Rumsfeld de modernizar as Forças Armadas norte-americanas e é um dos motivos, segundo o próprio secretário, da grita recente que fizeram seis generais da reserva, que vieram a público criticar o desempenho de seu superior hierárquico e civil no período pós-invasão do Iraque. Os militares vêm negando tal relação.

Além de alienar agências e órgãos tradicionalmente envolvidos nesse tipo de operação, como a CIA, a agência de inteligência norte-americana, e o Departamento de Estado, cuja titular é Condoleezza Rice, o plano vem causando polêmica entre o corpo diplomático. Enviar membros de tropas especiais ao exterior não é novidade na história dos EUA. Antes, porém, os militares tinham de obter a autorização do embaixador do país em que a ação seria conduzida. Agora, devem apenas informá-lo.

Com a publicação dos detalhes, fica confirmado o papel fundamental do Socom na chamada "guerra ao terror", conforme imaginado por Rumsfeld. Liderada pelo general Doug Brown, a agência teve seu orçamento aumentado em 60% desde 2003, com previsão de US$ 8 bilhões em 2007, e o número de funcionários pulou de 40 mil para 53 mil. Destes, 7.000 estão em algum lugar do planeta que não os E
UA.