COBERTURA ESPECIAL - Especial Terror - SOF

19 de Setembro, 2012 - 10:50 ( Brasília )

EUA: centro treina cães para a guerra contra o terrorismo


No sopé das montanhas Blueridge, na Virgínia, são treinados, sem intervalos semanais e com comida racionada, alguns dos agentes mais especiais dos Estados Unidos que combatem o terrorismo no México, Chile, Argentina e em outros países.

O Centro Nacional de Treinamento de Cães do Escritório de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF, na sigla em inglês) - popularizada pela televisão na série Os Intocáveis - formou nesta semana sua centésima turma de cachorros treinados para detectar explosivos.

"Selecionamos os cachorros quando têm aproximadamente 16 meses de idade e já estão superando o comportamento de filhotes", explicou à Agência Efe o agente Shawn Crawford da ATF. "Durante as primeiras seis semanas são condicionados para que reconheçam, através do faro, mais de 19 mil compostos explosivos, e para que detectem armas de fogo e munição", disse Crawford, que esteve a cargo do curso que incluiu agentes da Polícia Real da Tailândia.

O treinamento funciona com estímulos através da comida, no centro canino da ATF, a 113 quilômetros de Washington, próximo ao centro de treinamento canino da Agência de Patrulha de Fronteiras. "Durante sete dias por semana damos aos cachorros, diariamente, pequenas quantidades de comida quando localizam os explosivos. É uma dieta que os mantém no melhor nível de energia durante todo o dia e permite que trabalhem mais tempo", acrescentou Crawford.

"É um método muito eficaz", comentou o agente da ATF. "Depois de seis semanas, cada cachorro é designado para um agente com o qual estabelecem um vínculo durante as dez semanas do curso".

A ATF iniciou o treinamento de cachorros há duas décadas e os primeiros agentes foram para o Departamento de Estado. Com a experiência adquirida, a ATF treinou mais de mil cachorros para os EUA. A agência também treina cães para outros países: 470 foram enviados para mais de 20 nações, como México, Chile, Argentina, Itália, Polônia, República Tcheca, Chipre, Austrália, Indonésia, Marrocos e Filipinas.

As equipes de agentes e cachorros treinados pela ATF renovam sua certidão a cada ano e recebem apoio do escritório por oito anos de serviço. Quando os cães são aposentados, normalmente acabam sendo adotados pelas famílias dos agentes com quem trabalharam.

Um exemplo das tarefas que desempenham estes cães - todos da raça labrador - ocorreu no último dia 24 de abril quando, durante uma incursão nas proximidades da fronteira com o México, um dos cachorros detectou o cheiro de explosivos em uma ferramenta.

As autoridades averiguaram que os suspeitos tinham usado essa ferramenta para apagar números de série em armas destinadas ao contrabando no México. Além disso, o cachorro levou os agentes da ATF a um local no qual havia partes de armas escondidas embaixo de um veículo.

Os cães, que têm uma visão 50 vezes melhor que a humana no pôr do sol, possuem um sentido do olfato milhares de vezes mais poderoso que o do homem na detecção e distinção de cheiros. O homem tem cerca de cinco milhões de sensores olfativos, enquanto os cachorros têm entre 125 e 300 milhões, dependendo da raça.

Os labradores estão entre os cachorros com o faro mais aguçado, além de possuir o instinto de seguir o rastro que é próprio dos cães de caça. Shawn explicou que os labradores, por seu temperamento sociável, são mais aptos para situações nas quais pode haver grande concentração de pessoas, como, por exemplo, quando há suspeita ou ameaça de bomba em aeroportos e escolas.

"O programa canino da ATF ajuda a combater o crime violento e protege a segurança pública", lembrou na cerimônia de conclusão do curso o diretor interino da agência B. Todd Jones. "A demanda por cães especialmente treinados continua crescendo".

O subcomissário geral da Polícia Real da Tailândia, Worapong Chewprecha, expressou sua gratidão pela instrução dada aos seus subordinados e lembrou que "na luta contra o crime violento e o terrorismo, todos os países devem estar unidos".