COBERTURA ESPECIAL - Especial Terror - Geopolítica

04 de Abril, 2016 - 09:20 ( Brasília )

Síria retoma mais uma cidade do "Estado Islâmico"

Tropas de Bashar al-Assad reconquistam cidade estratégica perto de Palmira, que foi há pouco recuperada pelo Exército. Al-Qaryatain estava sob controle do grupo extremista desde agosto de 2015.

O Exército sírio e suas forças aliadas retomaram o controle da cidade de Al-Qaryatain, na região central do país, retirando-a das mãos do "Estado Islâmico" (EI). A informação é de autoridades militares da Síria, citadas pela imprensa local neste domingo (03/04).

Localizada em ponto estratégico, Al-Qaryatain havia sido ocupada pela milícia terrorista em agosto de 2015. A cidade é cercada por montanhas e fica 100 quilômetros a oeste de Palmira, reconquistada pelas forças do governo há uma semana.

O presidente sírio, Bashar al-Assad, tem feito esforços para retomar as cidades ocupadas pelo EI na Síria. O temor é que as forças extremistas cheguem ao oeste, região mais populosa do país, onde Damasco e outras grandes cidades estão localizadas.

televisão estatal síria afirmou que as tropas de Assad "restauraram completamente a segurança e a estabilidade em Al-Qaryatain, depois de matar os últimos grupos restantes de terroristas do Daesh", citando o acrônimo em árabe para o "Estado Islâmico".

Em comunicado, o comandante do Exército disse que a retomada da cidade é uma vitória estratégica, pois protege rotas entre a região de Damasco e campos petrolíferos no leste do país. Ela também interrompe rotas de abastecimento usadas pelo EI dentro da Síria.

Segundo a imprensa local, as forças do governo invadiram Al-Qaryatain a partir de diferentes direções. A agência estatal de notícias Sana, citando uma fonte militar, afirmou que o Exército conseguiu limpar áreas no entorno da cidade onde o EI havia plantado explosivos.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, que monitora o conflito no país através de uma rede de fontes locais, declarou que mais de 40 ataques aéreos foram realizados neste domingo nas proximidades da cidade, tanto por aviões sírios como russos.

Quando o EI tomou o controle de Al-Qaryatain, em agosto de 2015, um monastério cristão foi destruído e cerca de 200 civis que residiam na cidade foram feitos prisioneiros, sendo muitos transferidos para a cidade de Raqqa, também tomada pelos extremistas.

Essa foi a segunda conquista do Exército sírio em apenas uma semana. No domingo passado, o governo anunciou a retomada completa de Palmira, ocupada pela milícia terrorista há dez meses.

Conhecida como "a pérola do deserto", Palmira é famosa por seus tesouros arqueológicos. O EI chocou o mundo com a destruição de diversos templos antigos, tumbas e esculturas, consideradas Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

Rússia acusa Turquia de ser maior fornecedor de armas do EI

A Rússia acusou três organizações da Turquia de fornecer armas e equipamentos militares para o grupo extremista "Estado Islâmico" (EI) na Síria. A denúncia foi feita pelo embaixador russo nas Nações Unidas, Vitaly Churkin, em carta ao Conselho de Segurança.

"O principal fornecedor de armas e equipamentos militares para combatentes do EI é a Turquia, que faz isso por intermédio de organizações não governamentais", afirma Churkin na carta datada de 18 de março.

As três organizações citadas pelo embaixador são as fundações Besar e Iyilikder e a Fundação para as Liberdades e os Direitos Humanos (IHH, na sigla em turco). Elas teriam enviado comboios com "vários suprimentos" aos grupos armados.

Ainda segundo a carta, as remessas são supervisionadas pela própria Organização Nacional de Inteligência da Turquia e são transportadas principalmente por veículos que cruzam as fronteiras "como parte de comboios humanitários".

Churkin também citou duas empresas turcas – Tevhid Bilisim Merkezi e Trend Limited Sirketi, ambas com sede em Sanliurfa –, que estariam fornecendo componentes químicos e detonadores aos combatentes extremistas sírios.

Segundo o embaixador, cerca de 1,9 milhão de dólares em explosivos e produtos químicos já passaram pela fronteira turca em direção à Síria, principalmente através do rio Eufrates.

A Missão Permanente da Turquia na ONU negou com veemência as acusações. Em declarações à agência de notícias Associated Press, a missão afirmou que a carta "obviamente contém alegações infundadas" e lembrou que muitos cidadãos turcos morreram em ataques do EI.

Essa não é a primeira vez que a Rússia acusa a Turquia de apoiar grupos extremistas na Síria. Moscou luta ao lado de Damasco na guerra civil que assola o país árabe há cinco anos. As denúncias se intensificaram depois que Ancara abateu um caça russo, em novembro do ano passado.