COBERTURA ESPECIAL - Especial Terror - Geopolítica

04 de Janeiro, 2016 - 10:30 ( Brasília )

Legionários franceses ensinam exército iraquiano a desarmar bombas do EI


Eles são 60 legionários franceses que treinam no deserto nos Emirados Árabes Unidos e que ensinam em Bagdá a seus colegas iraquianos como desarmar dispositivos explosivos colocados pelo grupo jihadista Estado Islâmico.

Os soldados franceses de kepi branco pertencem à 13ª Meia-brigada da Legião Estrangeira (DBLE), que combateu na África durante a Segunda Guerra Mundial e em Indochina.

Desde fevereiro de 2015, fazem parte dos cem soldados franceses mobilizados no Iraque para treinar soldados na luta contra os dispositivos explosivos improvisados, os "IED" (em inglês: Improvised explosive device).

Com relação aos instrutores americanos, eles defendem uma abordagem diferente. "Vivemos com os soldados iraquianos, comemos com eles, dormimos no mesmo lugar", facilitando a "plena adesão desde o início", explica o tenente-coronel Enguerrand (o exército francês proíbe a citação dos sobrenomes de seus militares), de 40 anos, que passou quatro meses em Bagdá.

Os franceses formam uma unidade de elite do exército iraquiano, Iraqi Counter Terrorism Serviço (ICTS). A Legião é conhecida por formar militares estrangeiros: ela própria recruta quase exclusivamente estrangeiros, que transforma em tempo recorde em soldados de elite.

"Temos facilidade em ensinar pessoas que não compartilham a mesma língua. Nos comunicamos em inglês ou em árabe com os iraquianos, porque temos em nossas fileiras falantes de árabe", observa Enguerrand.

Com experiência no Afeganistão e no Mali, o oficial Mikhael mostra a seus alunos como identificar IEDs (minas artesanais, panelas equipadas com um detonador, cintos explosivos ...).

As IEDs são utilizadas ??pela Al-Qaeda no Iraque, o Talibã no Afeganistão e pelo Estado Islâmico. De acordo com Mikhael, de origem búlgara, "os membros do EI não são muito inteligentes, facilmente recorrem a atentados suicidas. No Afeganistão, os talibãs são de 'alto nível" - embora também utilizem regularmente homens-bomba.

Os jihadistas iraquianos não causam menos danos, enchendo casas de IEDs, atacando postos de controle com carros-bomba ou suicidas explodindo-se em lugares públicos.

Após uma série de derrotas em 2014, os soldados iraquianos começaram a recuperar terreno - e reduzir as perdas em suas fileiras, garantem seus instrutores franceses, graças ao know-how adquirido.

"Minha maior satisfação é ver como eles agora entram nas casas em busca de IEDs escondidas em cozinhas, geladeiras, panelas", resume Mikhael.

As bombas podem ser escondidas em qualquer lugar, e as buscas muitas vezes tomam longas horas. A fadiga que se acumula pode torná-los menos vigilantes.

As diferenças culturais também entram em jogo: "Os ocidentais têm uma ligação diferente com a vida. Aqui estamos é um pouco da cultura do 'Inshallah'. Colocamos os feridos em um caminhão, e vemos no que vai dar", explica o major enfermeiro Emmanuel, que ensina jovens recrutas as noções básicas de primeiros socorros em combate: fazer um torniquete, bem posicionar o ferido para maximizar suas chances de sobrevivência, etc.

Em 2015, o exército francês disse ter formado 1.700 combatentes iraquianos em Bagdá e curdos no norte do país (15.000 para toda a coalizão).

A missão da 13ª DBLE, baseado desde 2011 nos Emirados Árabes Unidos, será concluída na primavera.

Estado Islâmico mata 12 policiais em ofensiva no Iraque

O grupo Estado Islâmico (EI) matou neste domingo pelo menos 12 membros das forças de segurança iraquianas em vários ataques suicidas dentro de uma base perto de Tikrit, indicaram fontes da segurança.

Os ataques visaram as forças policiais da província de Nínive (norte) que treinavam na base militar de Speicher, indicou um porta-voz da polícia à AFP.

"Aproveitando-se da neblina, os jihadistas entraram em Speicher", indicou Mahmoud al Sochi, porta-voz de uma força paramilitar criada para recuperar o controle de Nínive, nas mãos do EI.

"A polícia de Nínive conseguiu matar sete atacantes, mas três outros tiveram tempo de detonar seus coletes de explosivos", acrescentou a fonte.

Segundo o porta-voz, entre os 12 agentes assassinados, três eram oficiais.

Além disso, 20 policiais ficaram feridos no ataque, que ocorreu em plena madrugada.

Outras fontes dos serviços de segurança confirmaram o ataque, reivindicado pelo Estado Islâmico.

A organização jihadista disse que sete suicidas conseguiram entrar na vasta base militar, situada cerca de 160 km ao norte de Bagdá.

Em um comunicado publicado na internet, o EI informou que seu comando alcançou um acampamento, onde 1.200 recrutas estavam treinando, provocando um confronto que durou cerca de quatro horas.

O EI assumiu parcialmente o controle da base de Speicher durante a ofensiva lançada em junho de 2014, onde massacrou mais de 1.700 jovens recrutas, de acordo com as estimativas mais elevadas.

O governo e as forças aliadas exumaram cerca de 600 corpos, após recuperar o controle de Tikrit, em abril de 2015.

O grupo jihadista sofreu recentemente vários reveses no Iraque, perdendo o controle da cidade de Ramadi, capital da vasta província ocidental de Al-Anbar, recuperada no final de dezembro pelas forças iraquianas com o apoio de uma coalizão que internacional que realiza ataques aéros diários contra os extremistas.

Alguns combatentes do EI continuam na região de Ramadi, mas não em condições de lançar um contra-ataque de envergadura, de acordo com fontes militares.

"Ao longo das últimas 14 horas, as forças iraquianas limparam centenas de metros quadrados na cidade", indicou o coronel Steve Warren, porta-voz da coalizão liderada pelos Estados Unidos.

"Achamos que o inimigo não é forte o suficiente para estar em condições de retomar a cidade", disse ele.

"Nós só vimos pequenos grupos de combatentes (com entre quatro e oito indivíduos) que tentaram lançar ataques", acrescentou.

Neste contexto, o EI tem recorrido a ações suicidas, como as realizadas perto de Ramadi na sexta-feira ou no fim de semana em Fallujah e Haditha.

A partir de agora, as forças iraquianas tentam reconquistar o resto da província de Al-Anbar, incluindo Mossul, a segunda maior cidade e capital da província de Nínive.