COBERTURA ESPECIAL - Especial Terror - Geopolítica

25 de Novembro, 2015 - 09:40 ( Brasília )

França não fará intervenção militar terrestre na Síria, diz Hollande

Em Washington, presidentes da França e dos EUA concordam em intensificar ataques aéreos ao "Estado Islâmico" na Síria e no Iraque. Ambos afirmam que Rússia é bem-vinda na coalizão antiterrorismo.

O presidente francês, François Hollande, afirmou que os Estados Unidos e a França decidiram intensificar os ataques aéreos à organização extremista "Estado Islâmico" (EI) na Síria e no Iraque.

"Decidimos intensificar os nossos ataques na Síria, tal como no Iraque, ampliar o seu alcance, e reforçar as trocas de informações sobre os alvos que são visados", declarou Hollande, numa entrevista conjunta com o presidente americano, Barack Obama, nesta terça-feira (24/11) em Washington.

O chefe de Estado francês afirmou ainda que França e EUA estão determinados "em apoiar todos aqueles que combatem no terreno" os jihadistas do EI.

O encontro entre Obama e Hollande ocorreu 11 dias depois dos atentados de Paris – executados em 13 de novembro e que resultaram na morte de 130 civis e sete agressores – e se insere numa ronda de contatos diplomáticos iniciada esta semana pelo governante francês.

No entanto, Hollande disse também que a França não enviará forças terrestres à Síria. "A França não vai intervir militarmente no terreno", declarou. "Isso cabe às forças locais. São as forças locais, que já estamos apoiando há vários meses, que vão fazer esse trabalho no terreno", reforçou. Além disso, Hollande disse que Paris tem como objetivo cortar as fontes de financiamento dos jihadistas.

Rússia é "bem-vinda" na coalizão

Ambos os líderes concordaram que a Rússia é bem-vinda para ser parte da coalizão antiterrorismo, desde que Moscou concentre seus bombardeios na Síria contra os combatentes do EI. "Vou pedir ao presidente Putin, como já fiz anteriormente, que os ataques sejam contra o Daesh [acrônimo árabe para o EI], contra o terrorismo e aqueles que estão nos ameaçando", disse Hollande.

Obama afirmou que a ajuda russa em acabar com a guerra síria seria "extremamente útil", mas também pediu mais iniciativa da União Europeia (UE). "Como parte disso, estou pedindo à UE para finalmente implementar o acordo que exige que empresas aéreas compartilhem informações sobre passageiros e, assim, dar um passo à frente para impedir que combatentes terroristas estrangeiros entrem em nossos países sem ser detectados", afirmou.

"Assad não pode ser o futuro da Síria"

Ainda sobre a Síria, Hollande defendeu que o presidente sírio, Bashar al-Assad, deve sair do poder o mais rápido possível em caso de uma transição política. "Não posso dar uma data, mas deve ser o mais rápido possível", disse, acrescentando que Assad "não pode ser o futuro da Síria".

Os dois líderes também comentaram o abate de um caça russo pela da Força Aérea turca. "A Turquia, como todos os países, tem o direito de defender seu território e seu espaço aéreo", disse Obama. "É muito importante agora termos a certeza de que russos e turcos estão conversando para descobrir o que aconteceu exatamente e tomar medidas para desencorajar qualquer tipo de aumento de tensões."

França e EUA intensificarão ataques contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque¹

O presidente francês, François Hollande, disse nesta terça-feira que os Estados Unidos e a França concordaram em intensificar os ataques na Síria e no Iraque para alvejar o Estado Islâmico após os atentados mortais em Paris ocorridos em 13 de novembro.

Hollande, durante entrevista coletiva na Casa Branca ao lado do presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que os dois líderes concordaram com a importância do fechamento da fronteira da Turquia para limitar o movimento de extremistas na Europa.

Obama enfatizou a longa amizade entre a França e os EUA e se comprometeu a intensificar os esforços para combater o terrorismo ao lado de seus parceiros europeus.

"Como norte-americanos, estamos do lado dos nossos amigos em momentos bons e ruins, não importa qual", disse Obama.

Hollande está tentando conseguir apoio nesta semana para uma campanha internacional mais coordenada com objetivo de destruir o Estado Islâmico. Ele deve visitar Moscou na quinta-feira.

"Estamos aqui hoje para declarar que os Estados Unidos e a França estão unidos, em total solidariedade, para fazer justiça a esses terroristas... e defender nossas nações", afirmou Obama.

O presidente norte-americano chamou o Estado Islâmico de "grupo terrorista bárbaro", acrescentando que "sua ideologia assassina representa uma séria ameaça para todos nós. (O grupo) não pode ser tolerado. Deve ser destruído. E nós temos que fazer isso juntos."

Hollande disse que os EUA e a França concordaram em intensificar os ataques na Síria e no Iraque contra o Estado Islâmico, mas declarou que os franceses não colocarão tropas em solo na Síria.

¹ com Reuters