COBERTURA ESPECIAL - Especial Terror

21 de Janeiro, 2015 - 10:00 ( Brasília )

Estado Islâmico ameaça matar dois cidadãos japoneses feitos reféns

Grupo extremista exige 200 milhões de dólares do governo japonês como resgate pelos cidadãos capturados

Por Ankit Panda – texto do The Diplomat

Tradução, adaptação e edição – Nicholle Murmel


O Estado Islâmico (EI, ISIS ou ISIL), grupo extremista que vem aterrorizando o leste da Síria e norte do Iraque há mais de um ano, liberou no dia 20 de janeiro um vídeo na Internet mostrando dois cidadãos japoneses capturados pelos jihadistas. O EI ameaçou matar os reféns caso não recebesse 200 milhões de dólares como resgate nas próximas 72 horas.

O vídeo lembra outros realizados pelo grupo, incluíndo os mais notórios em que aparecem os cidadãos americanos James Foley e Stephen Sotloff, e os britânicos David Haines e Alan Henning. O mais recente mostra um sujeito vestido de preto em pé com uma faca e fazendo as ameaças em inglês. Este vídeo traz a novidade de o EI exigir abertamente resgate em dinheiro pelos reféns.

 “Ao primeiro-ministro do Japão: apesar de estar a mais de 8.500 quilômetros do Estado Islâmico, você voluntariamente decidiu tomar parte nesta cruzada”, aponta o militante no vídeo. Ele exige ainda “200 milhões” sem especificar em qual moeda, mas legendas em árab esclarecem que se trata de dólares americanos.

Segundo a agência Reuters, os japoneses capturados foran identificados como Haruna Yukawa e Kenji Goto. Ainda não se sabe data de produção das imagens, mas seu lançamento vem logo após a visita do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, ao Cairo em 17 de janeiro. Durante sua passagem pela capital egípcia, Abe prometeu 200 milhões de dólares em auxílio não-militar para nações engajadas no combate ao EI.

O premiê japonês respondeu prontamente ao vídeo. “Exigimos veementemente a libertação dos cidadãos japoneses ilesos... A comunidade internacional precisa responder com firmeza e cooperar sem ceder ao terrorismo”, declarou Abe. “Extremismo e Islã são coisas completamente diferentes”, acrescentou. O primeiro-ministro pareceu evitar questões sobre se o governo pagaria ou não o resgate, efatizando que a prioridade é “salvar vidas e obter informações com a ajuda de outros países”.

O gabinete de Abe se reuniu em Tóquio logo após o lançamento do vídeo na Internet para discutir as possíveis ações. Segundo o premiê, porém, o Japão continua comprometido com o combate ao Estado Islâmico. “Agiremos de forma coordenada com a comunidade internacional de agora em diante, e contribuiremos mais para a paz e prosperidade da região. Essa política é inabalável, não vamos alterá-la”, afirmou.

Em 2004, militantes islamitas no Iraque capturaram Shosei Koda, um turista japonês de 24 anos e acabaram decapitando-o após o governo em Tóquio, então chefiado pelo primeiro-ministro Junichiro Koizumi, ter rejeitado o pedido de resgate. No começo daquele mesmo ano, três cidadãos japoneses foram libertados após serem presos por um grupo de militantes no Iraque, que pediram que as Forças de Auto Defesa japonesas retirassem suas tropas do país em três dias. As FAD haviam enviado tropas conhecidas como Grupo de Apoio e Reconstrução Japão-Iraque, para reconstrução e missões não relacionadas à campanha militar no país.

Abe já enfrentou uma crise semelhante envolvendo reféns em 2013, quando japoneses foram capturados e mortos por militantes islamistas em um complexo de exploração de gás na Argélia.


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