COBERTURA ESPECIAL - Especial Terror

29 de Setembro, 2014 - 18:53 ( Brasília )

Terror BSB (?) Termina Sequestro

Para amigos e familiares, sequestrador de Brasília era 'cara pacato'


Link par amatéria anterior

Terror em Brasíli (?) Link


Jac Souza dos Santos, que manteve por mais de sete horas um refém dentro de um quarto de hotel no centro de Brasília, se entregou nesta segunda-feira (29), por volta das 16h. Santos estava armado e fez com que um funcionário do hotel St. Peter usasse um colete em que supostamente estaria material explosivo. Não há feridos.

A polícia chegou a afirmar que tinha 98% de certeza de que os explosivos eram verdadeiros. Policiais suspeitavam que o explosivo seria dinamite. No entanto, com o fim do sequestro constatou-se que a bomba e a arma eram falsas. Cerca de 150 policiais estiveram envolvidos na operação.

Santos é ex-secretário municipal de agricultura e agropecuária na cidade de Combinado (TO). Em 2008, ele concorreu ao cargo de vereador, na cidade. Ele não tem antecedentes criminais e estaria atualmente trabalhando em uma campanha eleitoral.

  Reprodução  
Jac Souza dos Santos é filiado ao PP de Combinado (TO) e, em 2008, ele disputou as eleições para vereador no município
Jac Souza dos Santos é filiado ao PP de Combinado (TO) e, em 2008, ele disputou as eleições para vereador no município

Ao longo da tarde, o sequestrador não apresentou uma reivindicação clara. Entre os pedidos estavam a aplicação da lei Ficha Limpa (que impede a candidatura de políticos condenados em tribunais colegiados da Justiça), o fim da reeleição no Brasil e a extradição de Cesare Batisti (italiano acusado de assassinato na Itália que conseguiu autorização para permanecer no Brasil).

Segundo uma tia de Santos, que foi até o local, o sequestrador sempre se interessou por política. "Ele sempre se gostou de política e achava que a política brasileira era feita de forma errada. Ele falava que iria consertar [isso]".

Segundo a Polícia Civil, quando se entregou, Santos entregou aos policiais um CD, que havia sido gravado no último dia 19, em que pedia desculpas por seu ato e falava que agora era hora do "gigante acordar". Ainda segundo a polícia, até a escolha do andar em que Santos se hospedou, o 13º, teve motivação política.

  Evaristo Sa/AFP  
José Ailton, 55, ficou por mais de sete horas como refém de Jac Souza dos Santos, em hotel de Brasília
José Ailton, 55, ficou por mais de sete horas como refém de Jac Souza dos Santos, em hotel de Brasília

O SEQUESTRO

Hóspedes e funcionários foram orientados a deixar o local, por volta de 9h. "Um bombeiro bateu na porta, falando pra todo mundo descer, porque tinha uma ameaça de bomba no prédio", contou o advogado Marson Nascimento, 40. Por volta do meio-dia, três negociadores conversam com o sequestrador.

O hotel Saint Peter fica na região central de Brasília, próximo à Esplanada dos Ministérios. O prédio tem 482 apartamentos, 15 andares e uma cobertura para eventos.

No final de 2013, José Dirceu pediu autorização para sair da prisão e trabalhar como gerente do hotel. Ele receberia R$ 20 mil para trabalhar como gerente. Dirceu acabou desistindo do emprego após a repercussão na imprensa.

 




  • CECÍLIA SANTOS


    Amigos e familiares de Jac Souza dos Santos, que manteve refém por mais de sete horas um funcionário de um hotel em Brasília, durante a manhã e a tarde desta segunda-feira (29), contam que o jovem de 30 anos nunca aparentou ter problemas psíquicos e era uma pessoa tranquila.

    Santos libertou o mensageiro José Ailton, 55, e se entregou à polícia por volta das 16h. Não houve feridos.

    José Alves de Souza, tio de Jac, acompanhou o sequestro pela televisão e disse estar chocado com o ocorrido. "Ele sempre foi um menino tranquilo, nunca deu trabalho. Nunca esperamos ver o que estamos vendo agora", disse, quando a ação ainda não tinha chegado ao fim.

    Foi ele quem socorreu a mãe de Jac, Lourdes Souza, quando ela foi informada da situação do filho. "Ela teve que ir para o hospital e ser medicada. Minha irmã não estava acreditando", contou.

    Segundo o tio, Santos nasceu e cresceu no município de Combinado, no sudeste do Tocantins. Irmão caçula de quatro filhos, de acordo com o familiar, Jac tem muitos amigos na cidade onde sempre morou.
     

    Um dos amigos de infância dele, Deibson Moreira de Araújo, estudou com Santos da 7ª série ao ensino médio. Foi ao pai dele que o jovem teria contado sobre a viagem à Brasília.

    "Meu pai e Jac trabalham juntos. Ele se encontrou com meu pai no último sábado e avisou que iria para Brasília no fim de semana, mas que estaria de volta na segunda de manhã. No escritório, ele deixou para a mãe uma carta de duas páginas. A carta tinha um tom de despedida e era um pedido de desculpa, mas não especificava o que ele ia fazer ou se ele ia fazer algo", disse.

    Araújo contou que o amigo nunca se envolveu em brigas e aparentemente era um "cara pacato". Disso, no entanto, que na adolescência ele teve episódios de "agressividade consigo mesmo".

    "Ele nunca brigou com ninguém, mas, às vezes, perdia a paciência com ele mesmo e ficava nervoso, agressivo com ele mesmo", afirmou.

    Glória Pereira, que trabalhou ao lado de Santos durante quatro anos na Prefeitura de Combinado, no período em que ele foi secretário de Agricultura e Agropecuária na cidade, disse que não acreditava no envolvimento dele no sequestro.

    "O Jac que eu conheço não é essa pessoa que está fazendo isso. Ele sempre foi um cara sonhador, que acreditava numa política diferente, mas nunca foi agressivo. Nem mesmo se alterava. Toda a cidade está sem acreditar, todo mundo está abalado com o que está acontecendo", afirmou.

    Santos está envolvido com a política local e trabalha em um comitê eleitoral. Em 2008, foi candidato a vereador.
     



Outras coberturas especiais


Especial MOUT

Especial MOUT

Última atualização 16 AGO, 19:50

MAIS LIDAS

Especial Terror