COBERTURA ESPECIAL - Especial Terror - Segurança

17 de Agosto, 2014 - 16:00 ( Brasília )

BOMBAS - Aline única mulher especialista no Brasil

A arte de desmontar bombas sem descer do salto Única mulher especialista em bombas do país, inspetora se destaca em equipe com 40 homens


Ana Claudia Costa


Os cabelos longos estão sempre bem penteados, e o gloss nos lábios é de lei. Colares, anéis e brincos também fazem parte do visual, sempre impecável. A inspetora de Polícia Civil Aline Cavalcante, de 38 anos, que está há 12 na corporação, é a única mulher especialista em explosivos em todo o país.

A carioca é lotada no Esquadrão Antibombas, onde divide a função com uma equipe formada por 40 homens. Em julho, o grupo completou 45 anos de atividade, e Aline, que cada vez ganha mais espaço num universo tipicamente masculino, só tem motivos para comemorar. Ela participou da equipe que fez toda a varredura no Maracanã antes dos jogos da Copa do Mundo e também da Copa das Confederações.

A rotina de Aline é identificar explosivos e desarticulá-los. Mas a tarefa pode ser mais complexa. Ela também está preparada para verificar, por exemplo, se uma bomba tem como componentes substâncias químicas, bacteriológicas ou mesmo nucleares. Uma expertise que a jovem policial adquiriu fazendo cursos como o que lhe ensinou a entender mais sobre reagentes químicos, ministrado por especialistas do Exército. Os conhecimentos adquiridos, a experiência de seis anos no Esquadrão Antibombas e a formação em direito - área em que também leciona - já garantiram a Aline um novo status: ela dá aulas para turmas de novos policiais interessados em se especializar em explosivos.

Com a mesma rapidez que olha e ajuda a identificar qualquer tipo de explosivo, Aline também faz relatórios dos mais diversos tipos de bombas encontradas e apreendidas diariamente no Rio. Outra habilidade dela é operar o computador que controla um robô usado, em algumas situações, na desativação de artefatos.

A dedicação de Aline, workaholic assumida, é elogiada por seus colegas de trabalho. O inspetor Elington Cacella diz que Aline é dedicada, interessada e muito esforçada quando tem que aprender uma nova técnica ou a usar uma tecnologia recém-adquirida. A policial, segundo ele, não tem qualquer privilégio:

- Trabalha igual a todo mundo sem benefícios. É a única mulher no Brasil com essa técnica.

Casada com um policial civil e mãe de dois filhos, Aline deu ao Esquadrão Antibombas um toque feminino. Quando está trabalhando na parte administrativa da unidade, ela põe ordem na casa. Aline brinca com a história, dizendo que não dá moleza para os colegas

- Trabalho com eles mas também coloco ordem na casa. Às vezes, eles precisam de disciplina feminina para organizar as coisas. Sou do tipo que reclama se vão ao banheiro e não abaixam a tampa do vaso. É mais ou menos como nos comportamos em casas com muitos homens. Eles precisam de disciplina e eu procuro impor respeito. Em troca, ganho carinho e reconhecimento - afirma Aline, que combina o talento como policial com uma fala fácil e um temperamento expansivo, pouco comuns entre os profissionais da área.