COBERTURA ESPECIAL - Especial Terror - Geopolítica

21 de Setembro, 2013 - 19:45 ( Brasília )

QUÊNIA - ATAQUE do TERROR



atualização 19:48 21SET13

Presidente queniano diz que 39 morreram em ataque a shopping



NAIRÓBI, 21 Set (Reuters) - O presidente queniano, Uhuru Kenyatta, afirmou neste sábado que ao menos 39 pessoas foram mortas por "terroristas" em um ataque armado a um shopping center em Nairóbi, e prometeu que o Quênia vai perseguir os responsáveis.

"Os perpetradores desprezíveis desse ato covarde queriam intimidar, dividir e causar desalento entre os quenianos", disse Kenyatta em discurso à nação televisionado.

"Já superamos ataques terroristas antes. Vamos derrotá-los de novo."

Kenyatta afirmou ainda que ele próprio perdeu parentes próximos no tiroteio deste sábado. Falando às famílias das vítimas, ele afirmou no discurso: "Peço a Deus para lhes dar conforto no momento em que enfrentam essa tragédia, e sei o que vocês sentem, pois também perdi membros da família muito próximos nesse ataque."

 

 

Islâmicos assumem ataque em shopping de Nairóbi;
ao menos 30 morrem

Por Edmund Blair e Goran Tomasevic
Reportagem adicional de James Macharia, Richard Lough, Humphrey Malalo e Njuwa Maina em Nairóbi, Dan Williams em Jerusalém, Kevin Liffey em Londres e Lesley Wroughton e Paul Eckert em Washington

NAIRÓBI, 21 Set (Reuters) - Homens armados atacaram um shopping center na capital queniana Nairóbi neste sábado, matando ao menos 30 pessoas, incluindo crianças, e fazendo com que multidões fugissem em pânico em um ataque reivindicado pelo grupo islâmico somali al Shabaab.

O tiroteio continuou horas depois do ataque inicial conforme tropas cercavam o shopping Westgate e a polícia e soldados vasculhavam o prédio, procurando os homens armados loja por loja.

Um policial dentro do prédio disse que os homens armados estavam dentro do supermercado Nakumatt, uma das maiores cadeias do Quênia.

"Tiramos três corpos dessa loja", disse o voluntário Vipool Shah, 64, a alguns metros da entrada do supermercado e apontando para uma loja de sapatos de crianças com poças de sangue.

Shah se virou para uma lanchonete próxima, onde a música ainda tocava e havia comida abandonada nas mesas. "E mais dois corpos daqui."

O al Shabaab, que luta contra organizações de paz quenianas e outras africanas na Somália, havia alertado vários vezes sobre ataques em solo queniano se Nairóbi não tirasse suas tropas do país.

"O governo queniano está argumentando com nossos Mujahideen (guerreiros sagrados) dentro do shopping para que haja negociações", escreveu o grupo em seu Twitter oficial. "Não haverá negociações de qualquer tipo em Westgate."

Outro tweet do al Shabaab dizia: "Por muito tempo empreendemos a guerra contra os quenianos em nossa terra, agora chegou a vez de mudar o campo de batalha e levar a guerra para a terra deles."

O ataque foi o maior no Quênia desde que a célula da al Qaeda no leste da África bambardeou a embaixada dos Estados Unidos em Nairóbi em 1998, matando mais de 200 pessoas. Em 2002, a mesma célula militante atacou um hotel israelense e tentou atirar contra um avião israelense em um ataque coordenado.

HOMEM ARMADO MORTO

A presidência queniana disse em seu Twitter que um homem armado ferido havia sido preso, mas que ele morreu no hospital.

O Departamento de Estado dos EUA informou que tem notícias de que cidadãos norte-americanos ficaram feridos.

O piso do shopping ficou lavado de sangue, balas estavam jogadas pelo chão e os vidros das lojas ficaram destruídos. Um policial arrastava o corpo de uma jovem pelo chão e o colocou em uma maca.

Algumas estações de TV locais noticiaram que reféns haviam sido levados, mas não há confirmação oficial.

As forças quenianas entraram na Somália pela primeira vez há dois anos para tentar lutar contra incursões de militantes ligados à al Qaeda.

O al Shabaad, que o Quênia culpa por tiroteios, bombas e ataques com granada contra igrejas e as forças de segurança, havia ameaçado antes atacar Westgate, um shopping popular entre os expatriados da cidade, assim como outros alvos como clubes noturnos e hotéis conhecidos por serem populares entre os ocidentais.

O presidente somali, Hassan Sheikh Mohamud, afirmou que é muito cedo para tirar conclusões. "Não temos nenhuma prova de que as pessoas que fizeram isso são somalis", disse ele à Reuters em Washington.

Uma mulher que deixou o prédio afirmou a um jornalista que um dos homens armados disse a todos os muçulmamos para deixar o local. Sobreviventes disseram à Reuters que pelo menos um dos agressores é mulher.

"Até agora temos 30 mortos no shopping", disse o secretário-geral da Cruz Vermelha queniana, Abbas Guled. Ele acrescentou que espera mais feridos e mortos.