COBERTURA ESPECIAL - Especial Terror - Geopolítica

27 de Maio, 2011 - 12:42 ( Brasília )

Hillary: Bin Laden tinha apoio no Paquistão, mas não do governo


A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta sexta-feira que as autoridades paquistanesas admitiram que "alguém, em algum lugar" dava apoio a Osama bin Laden, mas reiterou que "não há nenhuma prova" de que o governo do país conhecesse seu paradeiro.

Em entrevista coletiva e depois de reunir-se com as autoridades paquistanesas, Hillary reconheceu que as relações entre os países estão em um "ponto de inflexão" após a morte do líder da Al-Qaeda por um comando especial dos Estados Unidos em Abbottabad, cidade perto de Islamabad, capital do país, em 2 de maio.

"Não há absolutamente nenhuma prova" de que alguém do alto escalão do Governo (paquistanês) soubesse que Osama bin Laden "vivia a algumas milhas de onde estamos", declarou Hillary.

A secretária de Estado lembrou que o Paquistão deu início a uma investigação para determinar como foi possível que Bin Laden se refugiasse em um local a pouca distância da principal academia militar do Paquistão e garantiu que os EUA compartilharão toda a informação que puderem.

Hillary revelou que, durante um encontro com o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, ele afirmou que seu Governo teria capturado Bin Laden se soubesse de seu paradeiro e lembrou que sua mulher, a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, foi vítima do terrorismo.

"Al-Qaeda foi uma causa de sofrimento para o Paquistão", disse Hillary. A secretária de Estado manifestou sua confiança na colaboração na luta contra o terrorismo e citou como um exemplo o fato de os serviços secretos norte-americanos terem tido acesso recentemente ao refúgio de Bin Laden com autorização paquistanesa.

Ela ressaltou que a cooperação será fundamental também no processo de diálogo com os grupos insurgentes no Afeganistão.

Hillary compareceu perante a imprensa junto ao chefe do Estado-Maior dos EUA, Mike Mullen, que durante os últimos anos manteve uma boa relação com a cúpula militar paquistanesa e que admitiu a tensão atual existente entre Islamabad e Washington.

Durante sua visita, além de ter se reunido com Zardari, Hillary esteve com o chefe do Exército do Paquistão, Ashfaq Pervez Kiyani, e com o chefe dos serviços secretos paquistaneses, Ahmed Shuja Pasha.