COBERTURA ESPECIAL - Especial Terror - Geopolítica

23 de Maio, 2013 - 17:28 ( Brasília )

Ataque de Londres aumentar temor sobre "lobos solitários"


A investigação policial estava em seu início nesta quinta-feira, no dia seguinte ao assassinato bárbaro de um soldado em Londres, mas especialistas em segurança apontam que o atentado teria sido obra de "lobos solitários" fanatizados pela propaganda da Al-Qaeda e que são um pesadelo em matéria de segurança. Os dois jovens negros foram detidos e estão hospitalizados sob custódia policial depois de terem sido feridos por agentes da Scotland Yard.

Na ausência de indicações oficiais sobre seu perfil e dos resultados das investigações em andamento, os especialistas se baseiam em seu método de ação particularmente brutal, em suas declarações inspiradas na retórica jihadista, em seu desejo de publicidade e, inclusive, em sua aspiração ao martírio para dizer que poderiam ser "lobos solitários".

Indivíduos isolados, doutrinados pelos fóruns na internet, que divulgam vídeos sangrentos de decapitações e outras execuções filmadas na Síria, Afeganistão ou Iraque. Uma influência que também foi notada nos assassinatos cometidos pelo islamita Mohamed Merah na França, no ano passado, ou no atentado contra a Maratona de Boston (Estados Unidos) atribuído no mês passado aos irmãos Tsarnaev, de origem chechena.

"São estes lobos solitários que não vão deixar as forças de segurança dormirem", previu no ano passado Margaret Gilmore, especialista em questões de segurança do Royal United Services Institute (RUSI).

O chefe do MI5 (serviço secreto interno), Sir Jonathan Evans, também fez uma advertência sobre o risco representado por estes "atores isolados", particularmente difíceis de detectar quando usam (como na quarta-feira) armas rudimentares, não pertencem necessariamente a uma rede terrorista e não participaram de treinamentos no exterior.

O RUSI avaliou recentemente em 600 o número de europeus envolvidos atualmente nos combates contra o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, mas ao mesmo tempo reconheceu a dificuldade de acompanhar seus passos.

"Acredito que se trata de uma ação que se difere do formato comum de plano terrorista que visa a provocar o maior número de vítimas", comentou à BBC John O'Connor, ex-comandante da unidade de combate ao crime "Flying squad", da Scotland Yard, sobre o ataque de quarta-feira.

Os especialistas traçaram um paralelo entre o comportamento dos dois assassinos de Londres, que agrediram a vítima com facas e um cutelo de cozinha, na tentativa de decapitá-la, segundo testemunhas, e os atos de fanáticos islâmicos em vídeos que circulam na internet.

Matthew Henman, analista do grupo de defesa Jane's, destaca a escolha de um soldado como alvo, "sem que tenham tentado atacar mais ninguém nas proximidades". "Devo dizer que a forma como eles agiram lembra Merah na França. O comportamento parece guiado pelo acaso, mas obedece a um objetivo político", considerou por sua vez John Gearson, diretor do centro de pesquisa do King's College London. "Atacar um soldado é extremamente significativo", acrescentou.

"O fato de os agressores não terem fugido do local" e seus esforços "para dar o máximo de publicidade para o ataque" são igualmente reveladores, segundo Henman. Os autores do assassinato pediram a várias testemunhas que filmassem e fotografassem a cena. "Fizemos isso pela simples razão de que muçulmanos são mortos diariamente por soldados britânicos", disse um deles, adotando a retórica habitual de Al-Qaeda contra a intervenção das forças ocidentais nos países muçulmanos.

Os dois aguardaram a chegada da polícia "talvez com a esperança de serem mortos (...) para passarem a ser considerados mártires, ressaltou Henman.  Em todo caso, o discurso e as imagens dos assassinos armados com as mãos ensanguentadas invadiram as redes sociais. A prioridade das autoridades será determinar se há riscos de novos ataques similares.

Este é o primeiro atentado com mortos atribuído a islamitas desde os ataques contra o metrô e um ônibus em Londres, que deixaram 52 mortos em 7 de julho de 2005. Desde então, os serviços de segurança aumentaram a vigilância eletrônica e o controle nas fronteiras. Dezenas de planos de atentados foram descobertos, principalmente contra soldados e instalações militares.