07 de Janeiro, 2013 - 09:06 ( Brasília )

Terrestre

IVECO fecha contrato com Infraero

A IVECO Magirus, empresa da Fiat, começa a produzir este ano caminhões de bombeiros no Brasil.



Marcos de Moura e Souza

A IVECO Magirus, empresa da Fiat, começa a produzir este ano caminhões de bombeiros no Brasil. O primeiro contrato foi assinado com a Infraero em dezembro e prevê o fornecimento de 80 unidades. O valor do negócio é R$ 140 milhões. Os veículos serão distribuídos por 27 aeroportos do país, principalmente os das cidades que vão sediar jogos da Copa de 2014. E estão sendo projetados para entrar em ação em caso de acidentes com as aeronaves.

A montadora vai usar sua fábrica em Sete Lagoas (MG) para produzir os veículos. A linha de montagem levará ainda praticamente todo o ano para ficar pronta e os caminhões da Infraero começam a ser fabricados somente no fim de 2013. A expectativa é que a fábrica passe a produzir cerca de 100 caminhões de incêndio por ano.

Além do contrato com a Infraero, a IVECO prospecta outros negócios com corpos de bombeiros e prefeituras pelo país. Paolo Del Noce, diretor de Veículos Especiais da Iveco, avalia que o Brasil vive um momento favorável para os fabricantes de caminhões de bombeiros. O anúncio recente feito pela presidente Dilma Rousseff de que o governo pretende construir 800 aeroportos regionais é ótimo prenúncio de negócios para a IVECO Magirus, uma vez que os aeroportos precisam de caminhões de bombeiros.

"O mercado de combate a incêndio está se abrindo agora. Não só para aeroportos, mas também em cidades. Nas últimas semanas, estamos vendo licitações sendo anunciadas por várias prefeituras", disse ele ao Valor.

A IVECO está nesse mercado há algumas décadas. Comprou a Magirus - uma centenária empresa alemã especializada em escadas usadas nos caminhões de bombeiros - nos anos 70 e tem uma gama global de equipamentos para combate a incêndio. A IVECO Magirus pertence à Fiat Industrial, sob a qual estão também a CNH, fabricantes de tratores; a Iveco, com caminhões; a FTP, motores e veículos especiais. A IVECO Magirus tem sede em Ulm, na Alemanha, e está já há anos entre o primeiro e o segundo lugar dentre os maiores do segmento. Seu principal concorrente é a também alemã Rosembauer.

No Brasil, até então, caminhões de bombeiros mais específicos, com escadas, plataformas e uma eletrônica mais sofisticada - como os usados em aeroportos - são todos importados, segundo Noce. Modelos menos elaborados são feitos por empresas nacionais.

Da linha de montagem da IVECO em Sete Lagoas sairão modelos mais sofisticados - com sistemas especiais de aceleração, escadas, bombas de água e espuma de alta potência, como os que vão para os aeroportos - e modelos mais simplificados. Os chassis com a cabine sairão prontos da fábrica e a Iveco, segundo o executivo, está fechando um acordo com uma empresa brasileira que se encarregará de instalar os componentes, como tanques e bombas.

O plano é usar a maior parte das peças de origem brasileira. Os valores desses caminhões prontos podem variar de R$ 150 mil a R$ 2 milhões cada.

A estreia da Magirus é parte da política de expansão da Fiat de seu segmento de veículos especiais no Brasil. Este tem três áreas: veículos de defesa, ônibus e os caminhões de bombeiros. Os veículos de defesa já começaram a ser produzidos; os novos modelos ônibus (hoje só há um, usado em um programa de transporte escolar do governo federal) começam a ser montados em julho e os caminhões, no fim do ano.

A fábrica será a mesma, mas com linhas de montagem específicas. O investimento nessa plataforma de veículos especiais é de R$ 55 milhões. No caso dos ônibus, o plano é que, em cinco anos, a IVECO esteja produzindo entre 7 mil e 8 mil unidades em Sete Lagoas. No ano passado, o único modelo da empresa no país atingiu a marca de 2 mil unidades.

Braço mais avançado do negócio de veículos especiais, as unidades de defesa da IVECO estão sendo produzidas para o Exército Brasileiro, mas também despertaram interesse de países do Oriente Médio e exércitos de nações da América do Sul: Chile Colômbia e Argentina. Com este último, as conversas estão mais avançadas, informa Noce.