03 de Janeiro, 2013 - 09:04 ( Brasília )

Terrestre

Mulheres estão cada vez mais integradas ao Exército israelense


Mais de 90% das funções e cargos no Exército israelense estão atualmente abertos tanto para homens como para mulheres, mas a igualdade plena nas fileiras militares deve demorar mais uma ou duas gerações.

"A percentagem de mulheres soldados ronda hoje os 33%, mas queremos que haja mais e que alcancem a alta oficialidade e os postos de influência", disse à Agência Efe a general de brigada Rajel Tevet, assessora do chefe do Estado-Maior para Assuntos de Mulher e Igualdade de Gênero.

Dedicada a fomentar o alistamento de mulheres e sua incorporação ao maior número de tarefas dentro do Exército, Rajel garante que não está longe o dia em que a cúpula das Forças Armadas - reduto por excelência de masculinidade - conte com duas ou três generais.

"Agora só está a comandante em chefe de Recursos Humanos, mas não há razão para que não se incorporem em breve uma ou duas mais, principalmente de departamentos profissionais como a Procuradoria Militar", afirmou em entrevista no Ministério da Defesa em Tel Aviv.

A "Yohalan", como é conhecida popularmente pelo acrônimo hebraico de seu cargo, acrescenta que atualmente só as forças especiais e as unidades de combate ligadas à Força de Manobra estão fora do alcance das mulheres.

Essa mudança começou na metade dos anos 1990 quando uma jovem piloto de aviões, Alice Miller, bateu de frente com a hierarquia militar ao exigir ingressar na Força Aérea. "O Supremo decidiu que o interesse geral de Israel como sociedade igualitária se impunha aos argumentos operacionais e econômicos do Exército", lembrou Rajel.

Mudou assim uma tendência inspirada em leis de quatro décadas atrás que restringiam a mulher a escritórios e quartéis na retaguarda, na crença de que a população não estava preparada para suportar caso caíssem em mãos inimigas. "Até o caso de Miller, as mulheres se dedicavam a funções educativas, de apoio e de assistência", comentou Rajel.

Alice nunca chegou à cabine de um F-16 nem de nenhum outro avião militar, mas abriu a porta para centenas de mulheres neste e outros cargos. 

A última piloto de combate a se formar, de apenas uma dúzia que conseguiu superar o exigente curso de aviação, recebeu seu diploma na semana passada, em um ato presidido pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e no qual não só se destacava por sua condição de mulher, mas pela longa saia que vestia até os pés, reflexo de sua estrita observância das leis do judaísmo.

"É a primeira piloto religiosa (...) Ser soldado e religiosa ao mesmo tempo já não é extraordinário", salientou Rajel, sobre um fenômeno que ganhou força no último ano porque o Exército se adaptou às necessidades particulares destas jovens. Netanyahu definiu a aviadora como "um exemplo para a igualdade de gênero e uma prova a mais que no Exército há lugar para toda a população".

Cerca de 40% das jovens israelenses evitam o serviço militar obrigatório de dois anos apenas ao declarar que respeitam o "shabat" e as leis de alimentação de "cashrut", mas está se registrando uma crescente aceitação do serviço militar feminino dentro das comunidades sionistas religiosas. "O número de jovens religiosas que se alistam cresceu para 25%", explicou a general de brigada, também praticante.

A mudança foi impulsionada por pequenas adaptações, como permitir que usem saias mais longas que o regulamentar acima do joelho, participem ocasionalmente das aulas da Torá ou saiam em missões isoladas com companheiras, em vez de com homens.

Uma evolução que levou as mulheres às unidades de combate que não são de assalto ou à frente das baterias antimísseis "Cúpula de Ferro", intensamente utilizada durante a última ofensiva militar israelense em Gaza.

Em uma das unidades táticas de maior relevância, a de Apoio e Observação, são inclusive maioria, e não é raro ver hoje uniformizadas nas fronteiras ou em salas de controle remoto no comando de avançados sistemas eletrônicos de vigilância.

"Para chegar a muitas destas funções - disse Rajel - tivemos que pedir-lhes um serviço ampliado de três anos (como os homens) porque o período de formação é longo demais". A oficial reconhece que certas diferenças físicas e legais ainda representam um obstáculo à igualdade de gênero.

Alguns impedimentos são tão insignificantes que continuam por mera inércia, enquanto outros requerem a intervenção pessoal da cúpula militar, às vezes, à custa dos princípios de produtividade e efetividade.

O processo é lento não só porque há muito menos mulheres que homens, mas porque, na opinião de Rajel, "chegar ao alto da pirâmide pode exigir toda uma geração", o tempo desde que uma função se abra às mulheres até que estas conquistem os postos de comando.