16 de Dezembro, 2011 - 13:00 ( Brasília )

Terrestre

Um recruta que é bom pra cachorro

Adam, o cão paraquedista, rouba a cena durante a entrega de medalha de conclusão do curso com outros 147 formandos

FELIPE FREIRE - O DIA

Rio - Em meio a 147 cadetes, um paraquedista ‘bom para cachorro’ roubou a cena durante a formatura do 36º Pelotão de Polícia do Exército, na Vila Militar. Dotado de coragem, concentração e ‘botas marrons’ de nascença nas patas — um dos símbolos dos paraquedistas (PQDs), junto da boina vermelha — o Rottweiler Adam, de oito anos, recebeu nesta quinta-feira seu distintivo de prata, seu brevê para saltos. A informação da homenagem foi divulgada com exclusividade pela coluna ‘Força Militar’, de O DIA, em 19 de novembro.

Agora, Adam está apto a participar de futuras operações das Forças Armadas, de rápida transição aérea. “Antes ele era um cão de guerra. Agora é um cão de guerra apto a saltar conosco. Adam é um paraquedista nato: veste verde-oliva, serve ao Exército e tem a cor marrom nas patas”, enfatizou o major Márcio Trindade.

Adam é o 13º cão paraquedista da história do Exército — o primeiro foi formado em 1951, e o mais recente, em 1996. Para alcançar a condecoração máxima dos PQDs, Adam precisou suar o colete verde. Ao todo, foram dois saltos de teste, sendo um seguido por 20 km de caminhada, e um mês de treinos. Durante os procedimentos, o animal, carregando cinco quilos de equipamento, pulou de altura de 350 metros (mil pés) e a 220km/h.

“Assim que damos o sinal, ele pula com um paraquedas semiautomático, que abre cerca de quatro segundos após o salto. Como tudo é feito com base em cálculos, sabemos onde ele vai pousar”, explicou Trindade. Para sua segurança, Adam sempre salta de focinheira para evitar fraturas na boca. Desde o dia 9, Adam foi transferido para a Brigada Paraquedista na Serra da Misericórdia, onde faz a segurança da base.

Calmo diante dos flashes
Durante a cerimônia, Adam chamou a atenção dos parentes dos cadetes. Mas mesmo diante dos flashes das máquinas fotográficas, ficou calmo e concentrado.

“Falei para o meu filho: ele está com mais moral do que vocês, pois recebeu o distintivo antes de todos”, comentou Andréia Altomari, 41, mãe de um formando.

Querido entre a tropa, Adam já é reconhecido nas ruas. “Fui levá-lo para ser vacinado e um motorista de ônibus parou para tirar uma foto”, contou o tratador do Rottweiler, o cabo Alexandre Januário.

Mas há momentos que Adam só quer água fresca. “Quando o liberamos, ele corre para um fosso, onde se refresca e brinca ”, diz Januário.