23 de Maio, 2019 - 11:05 ( Brasília )

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Primeira turma de mulheres completa um ano de estudo na Aman, em Resende

As 34 cadetes são as primeiras que vão poder se tornar oficiais combatentes. Antes, elas ficavam restritas as áreas de apoio e administrativas.

A presença das mulheres é cada vez maior nas Forças Armadas. No exército, por exemplo, 34 cadetes mulheres — as primeiras que vão poder se tornar oficiais combatentes — completaram o primeiro ano de estudos na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende, no Sul do Rio de Janeiro. Doze meses de desafios e bons resultados.

No dia 17 de fevereiro de 2018, entraram 416 novos cadetes na Aman, com uma grande novidade: as primeiras mulheres. São quatro anos de formação. Elas já estão no segundo, hora de escolher qual arma seguir: intendência ou material bélico. A cadete Maria Eduarda de Melo preferiu a primeira opção. "É o que eu mais me identifico, lida com a parte administrativa, de contratos e licitações, com a parte de logística. É a que eu mais me adequo", contou.

Militar sim, mas sem perder a vaidade. "A gente pode usar o brinco, dependendo da cor do esmalte, a gente pode usar, a gente verifica a época que está utilizando para ver se dá e é bem natural", disse a cadete Isabella Silva de Oliveira.

Na primeira turma, tudo foi novo, inclusive para a própria Aman, que precisou passar por algumas reformas, além de capacitar os militares envolvidos na formação das cadetes. Agora já existe a segunda turma, e cada vez mais todos estão se familiarizando com a novidade.

"As adaptações foram feitas para que elas [as mulheres] entrassem nessas duas especialidades, mas em outros exércitos no mundo já existem mulheres também na infantaria, na artilharia, na cavalaria, em engenharia, nas comunicações. E hoje já há estudos no exército para as comunicações, então acredito que em um futuro breve pode ser que seja decidido que elas participem também das outras armas" explicou o Marcelo Gurgel, comandante do corpo de cadetes.

Desde o início da década de 1990, o exército já contava com militares mulheres, mas elas ficavam restritas as áreas de apoio e administrativas. "As cadetes que nós temos são cadetes totalmente integradas, com um resultado, um desempenho acadêmico fabuloso, totalmente incorporadas no espírito da academia. Foi um passo no sentido do desenvolvimento, as mulheres nessa faixa etária eu posso dizer que, de alguma maneira, são mais maduras que os homens, então isso deu um upgrade no ambiente acadêmico", relatou Gustavo Dutra, comandante da Aman.

Elas podem ser as primeiras generais de quatro estrelas do Brasil, um dos cargos mais importantes das forças armadas do país. Para chegar até lá, os cadetes precisam trilhar um longo caminho, que dura aproximadamente quarenta anos, mas que essas mulheres já começaram a percorrer. "Eu acho que nós somos capazes disso e ter uma mulher comandando pela primeira vez o exército pode ser uma grande conquista para a gente", finalizou Ana Luiza Santana.



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