12 de Dezembro, 2018 - 10:50 ( Brasília )

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Símbolo de grandeza e orgulho para a Engenharia Militar brasileira, Viaduto do Exército, o V 13, faz 40 anos


O 1º Batalhão Ferroviário (1º B Fv), no dia 29 de novembro de 2018, comemorou os 40 anos da inauguração do Viaduto do Exército (V 13). Para marcar a data, foi realizada uma solenidade e inaugurada uma placa comemorativa.

Na sequência, os participantes do evento puderam realizar um deslocamento de trem, a bordo da Maria Fumaça pertencente à Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), partindo do V 13 até a estação de Muçum (RS), cerca de 18 quilômetros do local da solenidade.

O V 13 está localizado no município de Vespasiano Correa, na Ferrovia do Trigo, ligando Passo Fundo a Roca Sales, todos no Rio Grande do Sul. Símbolo de grandeza e orgulho para a Engenharia Militar brasileira, foi inaugurado em 29 agosto de 1978, possuindo 143 metros de altura e 509 de extensão.

À época de sua construção, figurava como o segundo viaduto ferroviário mais alto do mundo e o primeiro das Américas. A comemoração de seus 40 anos, teve a presença de ex-integrantes do Batalhão que participaram daquele momento ímpar de sua história.

Um deles foi o General de Brigada R/1 Álvaro Nereu Klaus Calazans, à época Cap Calazans (Engenheiro), que mais tarde, veio a comandar o 1º B Fv.

Durante a solenidade, ele contou a todos o espanto que os integrantes da equipe de reconhecimento tiveram ao se depararem com a magnitude da obra que teriam que construir. “Tomamos um susto quando fomos percorrer aquele trecho da estrada para reconhecimento à margem do Rio Guaporé, olhamos lá para cima, onde já havia dois túneis no entorno do vale, indicando a necessidade, ali, de um viaduto. Foi difícil imaginar um trem passando naquela altura”, disse.



Conheça um pouco da história dessa mega construção

A Ferrovia do Trigo possibilitou a ligação por trilhos do noroeste gaúcho com a Ferrovia do Tronco Principal Sul (TPS), viabilizando o escoamento da produção agrícola de soja e trigo, que naquela região apresenta-se em larga escala. Para que isso fosse possível, o Vale do Taquarí teria que ser vencido pelos engenheiros do 1º B Fv, sendo que a obra de mais difícil execução seria o Viaduto do Exército (V 13).

A construção de viadutos ferroviários dessa envergadura ainda era novidade no Brasil. Tecnologias tiveram que ser buscadas ao redor do mundo para que fosse possível a execução dessa magnífica obra. Após a conclusão do projeto, que passou por experimentos com maquetes em túneis de vento no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e outros diversos testes de resistência, em meados de 1974, teve início a sua construção.

É imensurável a quantidade de ferro e concreto empregado no V 13. Somado a isso, está o esforço do Exército Brasileiro, por intermédio do 1º B Fv, na realização dessa obra, que possui proporções faraônicas e trouxe um novo rumo para a Engenharia Militar, pois possibilitou adestrar seus homens, dentro de tecnologias que até o momento eram distantes de nós, permitindo um enorme avanço na construção de viadutos ferroviários no Brasil.

Utilizando o processo de formas deslizantes na construção dos pilares, e de treliças no tabuleiro, essa obra exigiu mais que capacidade técnica dos engenheiros do Batalhão, foi necessário muita coragem e abnegação que, num esforço conjunto, colocou a Engenharia Militar brasileira na vanguarda das construções de viadutos ferroviários desse vulto em nível mundial.

Ao completar 40 anos, o V 13 ainda carrega essa grandeza, integrando a paisagem natural do Vale do Taquarí, e é motivo de muita admiração pelos turistas que passam pelo local.

Para o 1º Batalhão Ferroviário, manter viva a chama de sua história e o legado dos engenheiros de ontem é motivo orgulho, pois, passados 163 anos de sua criação, o “Ferrinho”, como é carinhosamente chamado por seus integrantes, orgulha-se do passado de glórias e realizações, projetando seu nome no cenário nacional, por participar ativamente do desenvolvimento da Região Sul do Brasil, sendo o V 13, um farol para os novos desafios impostos ao Batalhão.



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