25 de Julho, 2016 - 10:00 ( Brasília )

Terrestre

Entrevista com General Mourão - O Gerente do Projeto SIMAF

Verde-Oliva Entrevista o Gerente do Projeto SIMAF, Gen Ex Antonio Hamilton Martins Mourão

Revista Verde-Oliva - O que foi o Projeto Simulador de Apoio de Fogo (SIMAF)?

General Mourão - O Projeto SIMAF foi desenvolvido pelo Exército Brasileiro (EB) com a finalidade de dotar a Força Terrestre com dois sistemas de simulação no estado da arte da tecnologia mundial e aprimorar o adestramento e o ensino militar de oficiais e praças que operam os meios de apoio de fogo.

O projeto possibilitou a instalação dos simuladores nas cidades de Resende (RJ) e de Santa Maria (RS), de forma a favorecer o acesso de militares dos Estabelecimentos de Ensino e das organizações militares (OM) do EB.

Revista Verde-Oliva - O que é o SIMAF e quais são suas potencialidades?

General Mourão - O SIMAF é um conjunto de armamentos, equipamentos, softwares e sistemas computadorizados capazes de simular os trabalhos realizados pelas guarnições de militares que servem nos órgãos de apoio de fogo de OM de Artilharia, Infantaria e Cavalaria do EB.

Foi projetado e desenvolvido em perfeita consonância com a doutrina militar terrestre brasileira e de acordo com os requisitos operacionais, técnicos e logísticos definidos pelo EB.

O simulador possui a capacidade de operar os diversos subsistemas da função de combate fogos em ambiente virtual. Tal característica permite que os militares apoiem, pelo fogo, as manobras militares, com armamentos, equipamentos e sistemas, instalados em uma única edificação.

A Linha de Fogo fica instalada em uma grande sala, que possui obuseiros e morteiros reais. Esses armamentos são dotados de equipamentos eletrônicos capazes de monitorar e registrar os procedimentos realizados pelas equipes de militares em treinamento, possibilitando a análise e a correção dos procedimentos executados.

O cálculo dos elementos de tiro é feito na sala da Central de Tiro, onde são processadas todas as missões de apoio de fogo e de onde são transmitidas as informações para a Linha de Fogo executar os disparos com seus obuseiros e morteiros.

Para a condução e a observação das missões de tiro, existem Postos de Observação (PO) instalados em salas específicas, que simulam os diversos ambientes geográficos onde podem ser desenvolvidas as missões de apoio de fogo, tais como campo e localidades urbanas.

Nos PO, os militares dispõem de modernos equipamentos optrônicos, que permitem a condução e a observação de tiros, por intermédio de cenários virtuais projetados por equipamentos e telões de alta definição. Todos os subsistemas são interligados por redes de comunicações de voz e de dados que permitem a interoperabilidade dos órgãos de apoio de fogo, o treinamento dos militares na transmissão das informações de combate, a interação e o acompanhamento dos exercícios.

Essa situação possibilita o desenvolvimento de missões completas de apoio de fogo durante a formação e o adestramento de militares. O simulador possui, ainda, um Posto de Controle de Instrutores, onde são realizados os acompanhamentos e as análises das atividades realizadas, e um Auditório, onde acontecem instruções e orientações para a retificação e a ratificação do conhecimento.

Revista Verde-Oliva - Qual a importância do SIMAF para o EB?

General Mourão - O desenvolvimento dos simuladores possibilitou a transferência de tecnologia na área sensível de simulação, capacitando militares da Força Terrestre em atividades de operação e desenvolvimento de sistemas de realidade virtual.

Outra importância pode ser ilustrada pelo fato do simulador adquirido ser de propriedade intelectual da própria instituição, garantindo a utilização e o emprego segundo o planejamento e as necessidades do EB, além do pagamento de royalties para o Exército, caso a empresa fornecedora venda o equipamento para outros países.

Além disso, levando-se em conta o atual cenário de restrição orçamentária pelo qual atravessa o Brasil, o SIMAF possibilita a contínua e eficaz manutenção da capacidade operacional de seus quadros, por intermédio da racionalização do uso de recursos materiais, humanos e financeiros, considerando que as atividades militares de adestramento e ensino sejam desenvolvidas em ambiente virtual.

Revista Verde-Oliva - Quais são as perspectivas de integração do SIMAF com outros sistemas de simulação?

General Mourão - O simulador foi desenvolvido com base em modernos princípios científicos, visando a possibilitar o acompanhamento da evolução tecnológica, bem como a facilitar a integração com outros simuladores. O SIMAF emprega o sistema padrão internacional para interoperabilidade entre os simuladores.

Essa característica permite a integração entre os simuladores localizados em Resende e em Santa Maria, e com qualquer outro que utilize o referido protocolo, tais como o COMBATER, o “simulador do Guarani” e outros.

Revista Verde-Oliva - Como o SIMAF auxilia na capacitação e no adestramento de militares no âmbito do Exército?

General Mourão - Tendo em vista as peculiaridades da profissão, as atividades militares de apoio de fogo necessitam de vasto ambiente para o transporte e o posicionamento de obuseiros e morteiros. Além disso, requerem a utilização de grande quantidade de viaturas, área segura para a execução de disparos com munição real e outras situações que envolvem elevado dispêndio de recursos materiais, humanos e financeiros.

A utilização do SIMAF propicia uma grande aproximação do instruendo com a operação dos meios de apoio de fogo, facilitando sobremaneira o processo ensino-aprendizagem, uma vez que a atividade de ensino tradicional se complementa com a atividade de ensino em ambiente virtual.

Assim, o aluno recebe os ensinamentos e realiza suas tarefas em um único ambiente, possibilitando elevada economia de recursos e maior prática com os equipamentos e sistemas de apoio de fogo.

Da mesma forma, o simulador permite o adestramento das frações militares plenamente constituídas, pois possui postos de execução para que os militares mobiliem os obuseiros e morteiros, calculem os elementos de tiro, transmitam os dados e informações de tiro e ainda observem e conduzam a execução do tiro em ambiente simulado.

Ao final de toda atividade de capacitação e adestramento, os simuladores possuem estrutura técnica e física para a realização da análise dos procedimentos executados pelas guarnições, no intuito de ratificar ou retificar os conhecimentos adquiridos e praticados pelos militares.

Revista Verde-Oliva - Sendo o SIMAF um projeto pioneiro no campo da simulação de combate, o que essa ferramenta representa hoje para a transformação do EB?

General Mourão - A contribuição do SIMAF para o processo de transformação do EB se materializa pelo fato de propiciar vertiginoso e contínuo incremento da capacidade operacional das tropas de apoio de fogo, relevante racionalização de recursos materiais, financeiros e humanos, bem como condições de interoperabilidade com outros simuladores.

É uma ferramenta extremamente abrangente, capaz de simular as atividades necessárias ao desenvolvimento da função de combate apoio de fogo em uma única edificação.

Essa situação permite a realização de diversos treinamentos em curto espaço de tempo e a análise dos procedimentos realizados, possibilitando o aprimoramento do processo ensino-aprendizagem e a elevação expressiva dos níveis de capacitação operacional. Além disso, a execução de exercícios de apoio de fogo em ambiente virtual simulado contribui para a expressiva redução do consumo de combustível e do desgaste de materiais e equipamentos de campanha.

Convém ressaltar, também, a diminuição da quantidade do pessoal empregado nos exercícios, os elevados níveis de segurança e controle, bem como a possibilidade de interoperabilidade com outros simuladores.


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