26 de Junho, 2016 - 17:00 ( Brasília )

Terrestre

D. Pedro II x CMRJ - Exército e PM intervêm para garantir segurança após briga entre alunos

Estudantes do Pedro II e do Colégio Militar, na Tijuca, trocaram farpas na Internet e fizeram atos durante uma semana


Julianna Prado
O Dia


Rio - Após uma semana de troca de farpas pela internet, atos de protesto contra o machismo e até intervenção das polícias Militar e do Exército, um acordo de paz, respeito e harmonia foi selado entre duas das mais tradicionais escolas da Tijuca. Na manhã desta sexta-feira, o Colégio Militar convidou diretores e alunos do Colégio Pedro II a participar do hasteamento da bandeira no Brasil. Do lado de fora, porém, a competição não cessou.

Logo depois do ato, alunos dos dois colégios informaram que soldados da Polícia do Exército, que faziam a segurança no local, impediam que os alunos do Pedro II circulassem na calçada do Colégio Militar e vice-versa. O Colégio Militar informou que soube da restrição de circulação nas calçadas opostas por pais de alunos, mas que em nenhum momento essa foi a orientação passada aos soldados da Polícia do Exército.

Os agentes são acionados, geralmente, para estar no entorno da unidade devido aos furtos a estudantes e pedestres da redondeza. A direção ainda informou que conversou com os soldados para que essa atitude não fosse repetida, mas entendeu que foi uma forma de prevenir uma possível briga entre alunos.

Na semana passada, a disputa entre estudantes tomou sérias proporções depois que um comentário publicado no Twitter ofendeu alunas com referência ao comprimento da saia de uniforme no Pedro II. Meninos e meninas vestiram saia e foram para a porta do Colégio Militar protestar contra o ato machista na rede social.

Chamada de ‘saiato’, a manifestação que reuniu cerca de 70 pessoas, contou com cartazes contra a cultura do estupro e teve a presença de homens do Batalhão de Polícia Militar (4°BPM) e do Batalhão de Polícia do Exército.

Para Rene Vettori, assessor pedagógico do Colégio Pedro II, o encontro de ontem serviu para reforçar que não há conflitos entre as escolas. “Trocamos espaços dos colégios de acordo com a necessidade. O ato foi apenas um exercício de democracia e uma forma de responder consciente ao comentário ofensivo”.

Alunos podem ser expulsos

De acordo com o chefe da comunicação social do Colégio Militar, major Silva Souza, três alunos do 2° ano do Ensino Médio que se envolveram nas discussões ofensivas nas redes sociais foram identificados. “Os responsáveis foram convocados a comparecerem na escola. No momento, a conduta escolar desses jovens está sendo analisada para saber se os alunos irão ou não permanecer na unidade”, contou.

Para um grupo de alunos da 7ª série do Colégio Militar, a imagem da instituição é estigmatizada pela população como sendo machista, já que, no passado, só recebia meninos. “Acho que o colégio ainda não conseguiu adaptar o regulamento da instituição para as meninas. A saia abaixo do joelho, o uso de dois shorts na hora de frequentar a aula de Educação Física, o saltinho nas sextas-feiras entre outras detalhes que poderiam ser repensados”, disse uma das estudantes.

 
Nota DefesaNet

O conflito dos alunos dos tradicionais colégios com o centenário D. Pedro II e o Colègio Militar do Rio de Janeiro reeditam os tradicionais pegas entre os Fuzileiros Navais e os Paraquedistas na Praça Mauá, há algumas décadas atrás.