30 de Julho, 2015 - 09:30 ( Brasília )

Terrestre

3ªDE - Estudantes da UnB acompanham ações do Exército em Santa Maria


Rafaella Panceri
Reportagem: Juliana Tavares e Beatriz Castro
Fotografia: Isabella Campedelli e Maurílio Kelly

Campus Online

Quatro estudantes de Comunicação da Universidade de Brasília viajaram a Santa Maria, no Rio Grande do Sul, para conhecer as instalações de unidades do Exército Brasileiro. O projeto, intitulado Formadores de Opinião, tem o objetivo de mostrar a alunas de Comunicação atividades desenvolvidas pelo Exército em várias regiões do país.

O Exército Brasileiro tem em Santa Maria – RS o único centro de blindados do país. Este centro se localiza na cidade em dois espaços: o Parque Regional de Manutenção da 3ª Região Militar tem a missão de especializar oficiais para a oficina de manutenção dos blindados (chamados popularmente por tanques de guerra); e o Centro e Instrução de Blindados que tem por objetivo a formação e habilitação militar na condução de viaturas blindadas e mecanizadas da Força Terrestre.

Apoiado nos avanços e meios tecnológicos, o Parque é responsável pela manutenção dos blindados, desde a importação de peças a sua implantação nos veículos. Ele é divido em três grandes segmentos de indústria: moveleiro, mecânicos e frisagem, separando o ensino em como especializar tecnicamente o blindado, empregar as técnicas aprendidas e a própria manutenção. O maior diferencial é o aspecto técnico, cooperando com outras instituições civis e militares referente aos blindados. O treinamento é realizado dentro do Parque e faz a manutenção de todos os materiais do Rio Grande do Sul e parte do Paraná.

Movidos a Diesel, os blindados têm um ciclo de vida de 15 anos e suportam um tanque de até 700 litros. Parte dos veículos é fabricada por uma empresa alemã (KMW), instalada em Santa Maria em parceria com o Exército Brasileiro. A falta de peças desses veículos é o maior problema de manutenção. É preciso importar as peças, que levam de 6 meses a 1 ano para chegarem de Washington. Como há dificuldade e demora de importação, em muitos casos os militares acabam se mantendo com as peças importadas do ano anterior.

Em parceria com o Exército e o Polo Moveleiro de Santa Maria, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Rio Grande do Sul (SENAI-RS) ministra diversos cursos, desde a carpintaria, confecção de peças à montagem de motores. A empresa é multinacional e escolhe diversos jovens aprendizes de todas as idades para terem uma formação profissional na área técnica, com o intuito de beneficiar a comunidade. “O SENAI, juntamente com o Exército, me proporcionaram não só um bom ambiente de trabalho, mas segurança e experiência”, conta a estudante Ana Gabrielle, de 15 anos, aprendiz do Curso de Aprendizagem Industrial Básica.

Após seu tempo de trabalho no parque de manutenção, alguns militares e também funcionários do SENAI são contratados pela empresa alemã como forma de incentivo e aproveitamento de mão de obra.

O Parque ainda conta com um Centro de Instrução de Blindados, que tem por objetivo especializar oficiais e sargentos em treinamento tático e operacional desenvolvendo a doutrina militar. São militares do Brasil inteiro que vão ao centro receber instrução e quando voltam para a sua unidade de origem têm a missão de ensinar aos outros companheiros a experiência adquirida.

Além de ser um polo rodoferroviário, Santa Maria é um irradiador militar e tem uma posição geográfica privilegiada por estar situada no centro do Rio Grande do Sul. Isso justifica a importância das atividades militares desenvolvidas na região.

Simuladores

O Centro de Adestramento e Avaliação realiza mobilidade e exercício de simulação de combate para os militares do Exército. Voltado a proporcionar as melhores condições de treinamento de combate, o exercício proporciona técnicas e procedimentos de tropas blindadas em ambientes reais e virtuais.

Divido em três subsistemas básicos, o Centro trabalha com canhões (linhas de fogo), central de tiro e observação, executando operações planejadas, em ambiente virtual. São estruturas de alta tecnologia, empregadas com equipamentos de simulação de combate de última geração.

A mobilidade de Simulação Viva é a mais atual. Envolve pessoas reais, operando com sistemas reais. Os militares são colocados em campo, em situações de combate. É usado laser de categoria 1, que não machuca o ser humano.

Outras duas mobilidades são a Virtual, que envolve pessoas reais, operando em sistemas simulados ou operados por computador e a Construtiva, que envolve tropas simuladas, operando sistemas simulados, controlados por pessoais reais. Essa última só existe na cidade de Santa Maria – RS.

“O Centro vai transformar o Exército Brasileiro em todos os sentidos, começando pelo socioeconômico”, completa o Tenente Coronel Carrião, comandante do Centro de Adestramento e Avaliação. Segundo o Tenente, o uso dessas tecnologias de simulação permitem economia de recursos, uma vez que sua aplicação em ambientes virtuais evitam a mobilização de tropas inteiras para as atividades de adestramento.

Além de Santa Maria, essa tecnologia e preparação avançada só existe nos Estados Unidos e Canadá e ainda está em fase de instalação.

O Exército e a Universidade de Santa Maria

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) é a primeira instituição no interior do Brasil que tem convênio com as Forças Armadas, por meio da Marinha e do Exército. Fundada há 54 anos, a instituição propõe que a pesquisa tecnológica seja colocada a serviço não apenas da comunidade mas da nação.

O objetivo do Governo Federal e do Exército é de promover a própria tecnologia e não só importar, incentivando a Universidade na produção e pesquisa de diversos projetos para desenvolvimento de equipamentos tecnológicos. A criação do ASTRO 20, um simulador para foguetes e mísseis de longa distância é o primeiro no Hemisfério Sul e tem o objetivo de auxiliar o Exército em defender o país em possíveis ataques. Outra pesquisa é a produção de um chip de precisão de canhão para o projeto de Submarino Nuclear da Marinha do Brasil.

Apesar da parceria militar, muitos dos recursos são provenientes da iniciativa privada. A Universidade faz o protótipo de todas as pesquisas e envia para o mercado, onde irá se tornar produto. “As Universidades estudam, aprimoram esses meios tecnológicos em prol da comunidade e Exército”, explica o General de Brigada Castro, comandante da 6ª Brigada de infantaria Blindada de Santa Maria.

A UFSM tem em média 29 mil estudantes, sendo 3 mil alunos Engenharia, 5 mil servidores e uma das melhores formações do país. Inovação, empreendedorismo e integração são as palavras-chave da relação da Universidade com as empresas, capacitando o aluno a atuar em qualquer ação.

Segundo a universitária Elen Brott, 19 anos, aluna do segundo semestre de Engenharia Elétrica pela UFSM, vários estudantes ajudam em determinados projetos. “Eu sei da interação do Exército com a Universidade, mas como aluna recente, não tenho total conhecimento. Sempre percebo meus amigos comentando e também já ouvi aviões do Exército passando por lá”, conta. A estudante tem interesse em participar de projetos de pesquisa na parte de energia para ajudar a faculdade e também o Exército Brasileiro.

A Universidade de Brasília e o Exército Brasileiro

Em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), o Exército Brasileiro levou estudantes de comunicação para a cidade de Santa Maria – RS no período de 23 a 25 de junho. O projeto é coordenado pelo Centro de Comunicação Social do Exército Brasileiro (CCOMSEx), situado em Brasília. A comitiva contou também com representantes do Executivo que, juntamente com os alunos, foram conhecer o trabalho desenvolvido pelos militares na região.

O projeto Formadores de Opinião tem como objetivo apresentar o trabalho das Forças Armadas em diversas regiões do país para os estudantes de Comunicação de diversas universidades. Assim eles podem produzir conteúdos que serão divulgados em canais de comunicação da própria universidade para que outros possam conhecer esse trabalho.

A viagem contou com quatro estudantes, duas de Jornalismo e duas de Comunicação Organizacional, e um professor da Faculdade de Comunicação. As estudantes tiveram acesso a diversas atividades na cidade, que integra o único centro de blindados do país. O Parque Regional de Manutenção de Blindados, o Centro de Instrução de Blindados, o Pavilhão de Simuladores foram alguns dos lugares visitados, além da visita a Universidade Federal de Santa Maria.

O Exército proporcionou não só o conhecimento do trabalho dos militares na região, mas a própria cultura da cidade, com danças e comidas típicas. A seguir as estudantes contam sua experiência com a viagem:

“Surpreendente”! Essa é a palavra que primeiro vem a minha cabeça quando penso em como descrever a Viagem de Formadores de Opinião 2015. Os anos de formação universitária podem ser muito diferentes para cada aluno. Minha sugestão: viva o máximo dentro da faculdade e também fora dela! Essa viagem foi uma experiência única por nos permitir abrir os olhos para um mundo além da sala de aula. O trabalho do Exército realmente merece uma salva de palmas. Agora, o que eu mais quero é levar um pouquinho de tudo o que eu vi para todos os meus colegas, porque é isso que os militares merecem por seu trabalho: visibilidade. E a mudança de uma visão equivocada que muitos ainda têm desta instituição, basicamente por falta de informação." - Isabella Campedelli, estudante de Jornalismo.

“Esta viagem superou todas as minhas expectativas e opiniões sobre o Exército Brasileiro. Conhecer o seu trabalho me fez perceber que esta é uma das instituições mais dedicadas com a nação Brasileira. Foi uma experiência também de quebrar paradigmas de que o Exército é uma instituição fechada, pelo contrário ela é aberta e está disposta a contribuir com a sociedade e este projeto é uma prova disso. Estão de parabéns e foi uma das melhores experiências de conhecimento que pude viver.” - Beatriz Castro, estudante de Comunicação Organizacional.

“A palavra que resume o contato maior que obtive na viagem é confiança.  Se eu confiava antes, agora confio muito mais. Entender um pouco mais sobre o trabalho do Exército Brasileiro foi essencial para ter certeza de que estamos protegidos, graças aos investimentos e responsabilidade que eles têm para com o povo. Valeu muito a pena conhecer mais esse pedaço do nosso exército.” - Mayara Subtil, estudante de Jornalismo.

“Foi uma experiência inesquecível. Fiquei impressionada com a organização e investimento do Exército Brasileiro em prol da nação. Eu espero poder viver experiências assim novamente, com o comprometimento e confiança que o Exército nos passa”. - Juliana Tavares, aluna de Comunicação Organizacional.