13 de Maio, 2015 - 15:20 ( Brasília )

Terrestre

Projeto estratégico do Exército Brasileiro busca obter plena capacidade operacional


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Andréa Barretto


O Escritório de Projetos do Exército do Brasil (EPEx), criado em 2012, avalia, propõe, coordena e integra os esforços para viabilizar a realização de projetos estratégicos do Exército, com características de grande porte associadas à complexidade tecnológica e financeira. Até agora esses projetos incluíram Guarani, Defesa Cibernética, Defesa Aérea, Proteger, Astros 2020 e Sisfron.

Diálogo está apresentando cada um dos projetos, seus objetivos e desafios, assim como novos desdobramentos, em uma série de reportagens semanais. A desta semana destaca o Projeto Estratégico do Exército OCOP.

Com novo nome desde 1º de janeiro, mais 13 anos de execução e orçamento três vezes maior do que o inicialmente previsto, o Projeto Estratégico do Exército OCOP (Obtenção da Capacidade Operacional Plena) busca transformar as organizações militares operacionais do país.

A iniciativa, até o final do ano passado chamada de RECOP (Recuperação da Capacidade Operacional), agora tem orçamento total de R$ 30 bilhões e execução prevista até 2035.

“O objetivo é passar da modernização para a transformação das nossas organizações militares operacionais, provendo-as com sistemas e equipamentos necessários para atuar no combate moderno”, diz a 4ª Subchefia do Estado-Maior do Exército (EME). “Essa iniciativa é necessária porque a evolução tecnológica é muito rápida. O projeto busca acompanhar isso.”

Desde sua criação, em 2012, o OCOP recebeu R$ 2 bilhões, dos quais R$ 1,5 bilhão foram destinados à compra de viaturas sobre rodas. A verba foi proveniente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Equipamentos, do governo federal brasileiro, e permitiu a compra de 8.500 viaturas, de dezenas de modelos diferentes, desde viaturas cisternas para transporte de combustível até viaturas frigorífico.

“Dentre as nossas prioridades, a primeira era garantir a mobilidade da Força Terrestre...”, esclarece a 4ª Subchefia do EME, lembrando que o projeto de modernização da frota já atingiu 40% da meta. Todas as organizações militares operacionais do Exército Brasileiro receberam novas viaturas.

Os veículos que passaram a integrar a frota da Força Terrestre são 100% de fabricação nacional. Um deles foi desenvolvido especificamente por conta da demanda do OCOP – a viatura 10 toneladas 6x6, que apoia o tracionamento de obuseiros 155 mm, além de ser empregada no transporte de material de engenharia. A empresa MAN foi a responsável pelas 120 unidades entregues.

Exército recupera viaturas blindadas

No OCOP, a modernização da frota envolve tanto a aquisição de novos carros não blindados quanto a recuperação de viaturas blindadas. É no Parque Regional de Manutenção da 5ª Região Militar, situado em Curitiba, no Paraná, que ocorre a atualização dos veículos blindados M113B para o modelo M113A2 Mk1.

Ali são reutilizados cascos de veículos, escotilhas e rampas existentes para substituir ou atualizar componentes como motores, transmissões e sistemas de refrigeração. A 4ª Subchefia do EME afirma que 90 carros já passaram por esse processo, em que também houve transferência de tecnologia. Até julho devem ser concluídos os serviços de outros 60 veículos.

Embarcações, fuzis e morteiros

A modernização da frota é apenas um dos 14 projetos integrantes do OCOP, como são chamadas as iniciativas pensadas estrategicamente para atender à demanda da Força Terrestre não só por equipamentos como por adestramento. A lista passa também por armamentos, embarcações, modernização de blindados, fardamento, equipamentos de artilharia de campanha, material de guerra eletrônica e comunicações, entre outros.

Depois de ter avançado em relação à mobilidade terrestre das tropas, o foco do OCOP agora está sobre armamentos e embarcações. Apesar de ainda não ter previsão quanto à soma que será liberada para o projeto em 2015, a supervisão do OCOP afirma que são esperadas algumas entregas desses materiais neste ano.

Entre os armamentos, está o Fuzil de Assalto IMBEL A2 (IA2), com calibre 5,56 mm, cujo primeiro lote de 1.500 armas foi adquirido em 2013. Trata-se de um fuzil próprio para combate aproximado, que substitui o modelo o FN FAL (fuzil automático leve), adotado há 50 anos pelo Exército.

Os novos fuzis são um quilo mais leves que o modelo o FN FAL e têm maior volume de fogo, já que levam um carregador de 30 tiros, em comparação ao de 20 tiros do primeiro. Durante a Copa do Mundo, em 2014, fuzis IMBEL A2 foram usados na segurança de autoridades que desembarcavam nos aeroportos.

Em 2015, há previsão de recebimento de mais 2 mil fuzis desse modelo, com calibre 5,56 mm. A 4ª Subchefia do EME diz que espera também a entrega de protótipos de fuzil com calibre 7,62 mm, também de fabricação da empresa brasileira IMBEL.

Também devem ser entregues 30 novos morteiros 120 mm, que vão se somar às 120 unidades já sob posse da Força Terrestre. O equipamento é produzido pelo Arsenal de Guerra do Rio (AGR), unidade fabril do Exército localizada no Rio de Janeiro.

Os morteiros 120 mm do AGR são projetados para fornecer amplo poder de fogo e têm a vantagem de poderem ser transportados por viatura ¾ toneladas, avião e helicóptero, além de poderem ser lançados com pára-quedas. Esse armamento será usado pelos batalhões de infantaria e pelos regimentos de cavalaria.

O Exército também comprou e aguarda a chegada de 11 embarcações Guardian 25, fabricadas nos Estados Unidos. As lanchas serão destinadas ao Comando Militar da Amazônia e empregadas no patrulhamento das regiões de fronteira. Cada embarcação é equipada com GPS, sonar e rádio, além de um ponto para metralhadora .50 e dois pontos para metralhadoras 7,62 mm. A entrega dos morteiros e das embarcações deverá ocorrer até agosto.

O manuseio de novos equipamentos exige uma capacitação prévia. O Coronel Elivaldo João Rossi, supervisor do projeto estratégico OCOP, diz que os contratos com as empresas fornecedoras dos equipamentos preveem sempre um treinamento inicial.

“Habilitamos junto às empresas um primeiro grupo de militares, que chamamos de multiplicadores de conhecimento. Eles são responsáveis por passar depois as instruções para o pessoal do Exército”, esclarece o Coronel Rossi.