05 de Setembro, 2014 - 16:50 ( Brasília )

Terrestre

Soft-Power, a quintessência de um Grande General

Entre o Braço Forte e a Mão Amiga, o Abraço Fraterno à Sociedade Brasileira

por Vianney Júnior
Analista de Defesa / Editor-chefe de Aeroespaço
  Descrição: http://www.defesanet.com.br/photo/defesanet/twitter_vianney.jpg

 

O altivo General adentra em passos firmes o auditório. Na audiência, a sociedade civil representada por suas mais diversas classes. Empresários, profissionais de saúde, autônomos, estudantes, membros do poder executivo, legislativo e judiciário das esferas municipal, estadual e federal.

Reza o programa que um discurso do oficial precederá sua apresentação técnica. O General, porém, resume suas palavras de acolhida ao grupo, com uma passagem dos tempos do Império Romano.

Cita o Coliseu, quando lá eram atirados aos leões, os Cristãos. Registra que em determinada feita, de um grupo lançado à mal fadada sorte, um dos integrantes houvera sido poupado pelos famintos predadores.

Observara-se, no episódio, o fato de que o sobrevivente cristão cochichara ao pé do ouvido do leão-mor. Seus algozes, curiosos, ofereceram ao sortudo homem a liberdade, em troca da revelação de quais palavras haviam sido ditas ao felino-chefe, e que resultaram no salvamento de sua vida.

O cristão, aceitando a proposta de livramento, então revelou a breve interlocução tida com o leão-líder: “Olha, companheiro! Você até pode me devorar, mas, antes de fazê-lo, terá de ouvir um discurso de um certo General!”


Plateia conquistada, a apresentação que se seguiu, revelou um Exército forte, moderno e em busca constante da excelência. Mais que isso, reavivou aos presentes uma clara identidade da Força Terrestre do Brasil, não à toa refletida, nas recentes pesquisas de credibilidade pública, que mais uma vez apontaram o alto grau de confiança nesta, junto às três Instituições Militares.


Em um momento que a sociedade vivencia uma “síndrome do pânico” coletiva, a “sensação de segurança” (outra expressão cunhada nestes tempos de ponta-cabeça social) passada pelo palestrante, no que tange à prontidão e capacidade de emprego do Exército Brasileiro, encheu de orgulho patriótico a assistência.


A eloquente apresentação do General, em momento algum resvalou no ufanismo. Deixou claras as dificuldades e desafios, porém, desvencilhando-se dos pessimistas, oferecendo uma análise realista, sem perder a força e a fé em um avançar otimista.


Em suas próprias palavras: “O homem não saiu da Idade da Pedra por falta de pedra, saiu porque aprendeu com o passado, não se conformou com o presente e desafiou o futuro”.
 

O General concluiu sua apresentação exaltando uma arma 100% nacional. Em busca desta arma, exércitos de outros países têm vindo ao Brasil, mas frustrados retornam aos respetivos solos pátrios sem sucesso ou maiores avanços.

A arma em questão é a que fez o Brasil ser considerado pela ONU como o país com a mais eficiente e admirada Força de Paz pelos povos que a recebem. Para desvendar esta arma, rendo-me ao provérbio chinês que reza uma imagem valer mais que mil palavras. (ver figura 2 acima)


Uma vez aludida a milenar sabedoria oriental, é dever informar que a citada apresentação constituía a acolhida aos participantes da Operação Soldado da Saudade, atividade de confraternização com representantes da sociedade local, amigos, militares da reserva e colaboradores da 10ª Região Militar, que durante um final de semana, experimentaram e/ou rememoram o trabalho na caserna.


Mesmo contato com o ambiente militar tiveram as crianças e jovens do Coral Verdes Mares, do projeto Jovem Guerreiro, Cidadão Vencedor, da Liderança Universitária e alguns outros conduzidos pelo mesmo General.


O conjunto de atividades desenvolvido culminou por exercer uma espécie de Soft Power “interno”, ou poder brando (habilidade para distinguir os efeitos sutis de culturas, valores e ideias no comportamento de outros), despertando valores patrióticos e integração com a sociedade. O mesmo que lá fora, e na definição formal do termo, permite influenciar por valores e aspectos culturais, em favor do bom resultado do Brasil em Missões de Paz como no Haiti.


A “Mão Amiga” estendida pelo General, em nome do Exército Brasileiro, afina-se com os seculares ensinamentos de um consagrado general chinês que teve suas ideias perpetuadas pela história, e ainda hoje são estudados nas academias de todo o mundo. Aquele pensador instituía que o maior dos líderes militar é aquele que vence a guerra sem sequer lançar suas tropas ao campo de batalha.


A passagem deste General pela Região Militar, da qual se despede na sexta-feira, 05 de setembro, rumando ao subcomando do CoLog, em Brasília, notabilizou-se por missões de repercussão internacional. Sob sua responsabilidade esteve o CCDA FZ – Centro de Coordenação de Defesa de Área – Fortaleza, durante a Copa das Confederações, Copa do Mundo, e VI Reunião de Cúpula dos BRICS.


A propósito, antes que eu me despeça. O nome do chinês, Sun Tzu. O do brasileiro, General Araújo Lima.

 


Com o vídeo a seguir, o General Araújo Lima costuma concluir suas apresentações, inspirando seus comandados a fazer valer a pena, enquanto dá tempo: