28 de Agosto, 2013 - 12:55 ( Brasília )

Terrestre

General comenta primeira participação do Exército Brasileiro no PANAMAX


Marcos Ommati

Mais de 160 membros de forças armadas e de segurança de 19 países participaram do PANAMAX 2013, que foi realizado na sede do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), entre os dias 12 e 16 de agosto. Entre os participantes uma novidade: militares do Exército brasileiro, nação que, tradicionalmente, participa deste exercício militar conjunto apenas com sua força naval.

Para explicar melhor a participação de uma força terrestre brasileira neste importante exercício anual multinacional patrocinado pelos EUA, Diálogo conversou com o General-de-Brigada José Eduardo Pereira, comandante da 11ª Brigada de Infantaria Leve, situada em Campinas (SP), e que tem a missão de acompanhar e de preparar o próximo contingente que vai embarcar em novembro para fazer parte da MINUSTAH, a força de paz internacional estabelecida pela ONU no Haiti desde 2004.

Diálogo: Como se deu o convite para o Exército do Brasil participar este ano pela primeira vez do PANAMAX, general?

General-de-Brigada José Eduardo Pereira: A nossa participação na operação advém de um processo um pouco longo. Inicialmente, o Estado-Maior do Exército Brasileiro realizou reuniões que se chamam reuniões de Estado-Maior, que em inglês se chamam staff talks. O Estado-Maior realiza reuniões anuais, ora no Brasil, ora nos Estados Unidos. Nesta reunião existe uma troca de informações, onde se conhece o que o Brasil deseja fazer aqui nos Estados Unidos e o que os Estados Unidos gostariam de fazer no Brasil, em matéria de cursos e de intercâmbios. Ou seja, é um local onde se tratam dos interesses e das disponibilidades de intercâmbios entre o Exército brasileiro e o Exército americano. Isto é feito sempre um ano antes, sendo que, no ano passado, o Exército americano convidou o Exército brasileiro para participar neste exercício PANAMAX 2013. O Exército brasileiro, até este ano, não tinha participado, não tinha tido esta oportunidade ainda.

Diálogo: Isso se dava porque é um exercício mais focado na área naval?

Gen Brig José Eduardo: Não exatamente. É um exercício que tem a área marítima como uma parte importante das operações, mas tem também a parte terrestre e a parte aérea e espacial, também muito importantes. O Brasil, por alguns motivos, ainda não tinha tido essa oportunidade de participar, e no ano passado foi feito um convite e o comando do Exército aceitou participar. No Brasil, o Comando de Operações Terrestres escolheu a Divisão de Exército de São Paulo, a 2ª DE (Segunda Divisão do Exército) para selecionar e preparar a equipe para vir para este exercício. O atual comandante da Segunda Divisão, o General Floriano Peixoto, fez a seleção e expediu as diretrizes de preparação dos militares do Exército brasileiro que estão participando deste exercício.

Diálogo: Outra novidade foi a participação de sargentos, correto?

Gen Brig José Eduardo: Esta foi uma decisão bastante importante para nós porque na maioria destas missões de planejamento são os oficiais que participam. A participação dos sargentos é muito importante, porque eles prestam um excelente assessoramento pela vivência e pelo conhecimento que adquirem ao longo da carreira. Nós ainda não tínhamos tido a oportunidade de trazer os sargentos para participar de um exercício como este. A decisão do General Floriano Peixoto em selecionar sargentos contribuiu para diversificar e complementar a composição de nossa equipe, além de valorizar a participação de sargentos neste tipo de atividade profissional. Eu, particularmente, observei um desempenho muito bom de nossa equipe, especialmente dos sargentos. Estou bastante satisfeito em ver os nossos componentes realizando as atividades com bastante afinco. O importante é ressaltar que tivemos uma preparação em São Paulo, coordenada pela 2ª DE, que foi muito adequada e nós estamos colhendo os resultados agora aqui. Com isso, tanto os oficiais quanto os sargentos estão desempenhando muito bem as funções.

Diálogo: Em um exercício como este há uma troca real de informação e de inteligência?

Gen Brig José Eduardo: O exercício transcorre em um quadro fictício. A situação que nós estamos enfrentando é uma situação que foi criada. Então, muitos dados de inteligência não são reais e foram criados para compor o cenário. Mas o que está sendo bom para nós é que estamos aprendendo a trabalhar com os nossos companheiros de outros países e conhecendo a maneira como eles trabalham. Na preparação no Brasil, militares do Exército americano e de outros exércitos foram a São Paulo e durante uma semana tivemos um treinamento para utilizar a metodologia e o planejamento americanos. Tivemos a oportunidade de conhecer a metodologia e praticar várias fases.

Diálogo: Houve um corte orçamentário do governo dos EUA no Departamento de Defesa, e isso afetou alguns exercícios militares conjuntos. O senhor, pela sua experiência, mesmo tendo sido a sua primeira vez ativamente, sentiu alguma mudança neste sentido ou não?

Gen Brig José Eduardo: Nenhuma mudança. Eu gostaria de aproveitar este momento e agradecer ao Comando Sul e aos seus comandos componentes pela forma como fomos recebidos aqui em Miami. A recepção foi excelente e a acolhida foi bastante hospitaleira. Nós tivemos um apoio administrativo muito bom aqui no Comando Sul. Temos que agradecer a maneira atenciosa e amigável com que nós estamos sendo tratados. Só tenho a agradecer e eu não identifiquei, em nenhum momento, problemas. Se houve realmente cortes, não foram sentidos na execução deste exercício por parte de nossa equipe.

Diálogo: Alguma outra coisa que o senhor gostaria de acrescentar?

Gen Brig José Eduardo: Eu gostaria de apresentar minha impressão, como comandante do componente terrestre desta operação, e afirmar que um dos principais objetivos de nossa participação aqui está sendo muito bem cumprido, que é o estabelecimento de um relacionamento profissional e pessoal entre os integrantes dos países que estão participando. Estamos criando um canal de comunicação, que poderá estabelecer, no futuro, uma espécie de confiança e credibilidade em qualquer tipo de relacionamento, quer seja em atividades militares, quer seja em atividades de ajuda humanitária. O maior ganho que nós estamos tendo aqui, no momento, é conhecer as pessoas e criar este laço de confiança mútua entre os países envolvidos. São dezenove países envolvidos e estamos aqui com 41 militares. Realmente, é uma oportunidade e uma satisfação participar do PANAMAX 2013.