04 de Agosto, 2015 - 15:00 ( Brasília )

Tecnologia

Rússia volta a lançar ICBMs R-36M


Por Pavel Luzin – texto do Russia Beyond the Headlines

Tradução, adaptação e edição – Nicholle Murmel

A Rússia está voltando a lançar os mísseis balísticos intercontinentais R-36M (SS-18 Satan, na classificação da OTAN), após convertê-los na versão Dnepr para uso civil. Moscou ainda tem cerca de 60 desses ICBMs atualmente, e a ideia é usá-los para lançamentos comerciais, e evitar a destruição dos equipamentos caros e em bom estado.

A modelo Dnepr – um R-36M altamente modificado – está sendo oferecido como foguete para lançamento espacial pela empresa Kosmotras, baseada em Moscou, por conta de um acordo dos governos russo e ucraniano. Os Satan foram retirados de serviço no começo dos anos 1990 e foram transferidos para Dnepropetrovsk, na Ucrânia, para conversão em vetores de lançamento para satélites – um projeto com envolvimento direto do governo ucraniano. Porém, a crise política e militar recente abalou a cooperação entre Kiev e Moscou no setor espacial. Esse impasse também afetou o programa de entrega dos foguetes Dnepr.

Míssil para uso civil
 
No começo de 2014, autoridades russas declararam que estavam revendo a participação russa no programa de conversão dos ICBMs. Mas em 23 de julho do mesmo ano, o ministro da Defesa russo afirmou que o os lançamentos dos foguetes Dnepr continuariam, e a conversão dos mísseis balísticos ficaria a cargo não mais da Ucrânia, mas da estatal russa do projetos aeroespaciais Makeyev, na região dos Urais. Desde o segundo semestre de 2014, a Kosmotras vem negando que haja qualquer problema com os Dnepr. A empresa auxiliará ainda no lançamento de dois satélites de telecomunicações para a empresa americana Iridium Communications Inc. no segundo semestre deste ano. Entre 2016 e 2017 estão programados mais cinco lançamentos.
 
Os 60 mísseis R-36M que ainda fazem parte do arsenal russo devem ser completamente retirados de serviço por volta de 2020 se sua vida útil não for prolongada. Entre 1999 e 2015, foram feitos 22 lançamentos usando a versão modificada dos ICBMs, 21 deles com sucesso. A concorrência no setor de projeto de foguetes está crescendo tanto dentro da Rússia como em nível global, e a demanda para colocar satélites em órbita também está aumentando.
 
O Dnepr ocupa um nicho importante nesse setor: entre 2003 e 2012, a plataforma foi respon´sável por 22% dos lançamentos de micro satélites (10 a 100kg) e 18% de nano-satélites (1 a 10kg). Esses são os melhores números até o momento para este segmento em particular, e o foguete em si é bastante confiável. A tecnologia para esse tipo de lançamento está sendo desenvolvida em universidades e empresas em todo o globo, o que reforça a possibilidade de crescimento da demanda nos próximos anos.
 
O custo aproximado de uma unidade do Dnepr fica em torno de US$24 e US$30 milhões. Caso, nos próximos anos, o preço de colocar satélites em órbita não diminua significativamente, esses foguetes terão boas chances de serem usados até os idos de 2030, já que lançamento de satélites é o principal uso alternativo para mísseis balísticos.
 
Substituto temporário do Angara
 
No entanto, a saída da Ucrânia do projeto e a transferência da etapa de conversão dos ICBMs para a Makeyev exigirão recursos da empresa e provavelmente virão acompanhadas de riscos, pois há dois problemas a resolver: a conversão de um foguete com o qual a empresa não é familiarizada, e evitar entregar um trabalho feito “nas coxas”.
 
Sera necessário trabalho de redesign tanto para o sistema de controle dos R-36M (a ser feito pela empresa Khartron), e para o lançamento dos satélites da Iridium Communications este ano. No momento, há pelo menos quatro companhias russas trabalhando nos sistemas embarcados do foguete. Mas caso os parceiros ucranianos se recusem a colaborar, os problemas resultantes não foram previstos e não foram desenvolvidas estratégias por parte das empresas para mitigar o impacto nas linhas de produção e cronogramas de lançamento dos foguetes.
 
Porém, no longo prazo a Rússia já está envolvida no aperfeiçoamento e diminuição dos custos do futuro vetor Angara, que poderá se encaixar no nicho aeroespacial hoje ocupado pelo Dnepr.



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