03 de Outubro, 2014 - 15:30 ( Brasília )

Tecnologia

Chefe de inteligência da Casa Branca quer mais ataques cibernéticos contra a Rússia

Tentativas de invasão contra sistema financeiro dos EUA apontam vulnerabilidades e antecipam tendência da cyberguerra

Por Patrick Tucker – texto do Defense One

Tradução, adaptação e edição – Nicholle Murmel


Os Estados Unidos deveriam conduzir mais ataques cibernéticos desestabilizadores contra nações como a Rússia. A declaração é do deputado republicano Mike Rogers, do estado de Michigan, e presidente do Comitê de Inteligência da Casa Branca. “Não creio que estejamos usando toda nossa capacidade para desestabilizar atores na Rússia que atentem contra interesses americanos”, declarou Rogers no enconto sobre cyber segurança promovido pelo jornal The Washington Post na última terça-feira (30SET14).

O deputado citou ataques partindo de Moscou contra empresas do setor financeiro, especificamente a JP Morgan Chase, em agosto, como exemplo de nações mirando companhias e interesses dos EUA. O FBI está atualmente investigando se as operações cibernéticas foram ou não uma resposta às sanções econômicas impostas por Washington à Rússia em março deste ano.

Rogers não acusa diretamente o governo de Vladimir Putin de atacar a JP Morgan Chase, mas classifica as tentativas como “uma decisão tomada com base nas sanções”, e perguntou se a intenção seria “monitorar transações financeiras ou entrar e destruir dados suficientes para prejudicar essas transações?” O republicano diz que as tentativas por parte de Moscou são suficientemente alarmantes para que o comitê “aumente os esforços” e afirma que os Estados Unidos precisam de “uma política compreensível em termos de como operações [cibernéticas] ofensivas devem ser configuradas e conduzidas”.

Na última terça, a JP Morgan Chace divulgou arquivos mostrando que o possível hackeamento pode ter afetado 76 milhões de contas – abrangência muito maior do que era previsto inicialmente.

A capacidade dos EUA para realizer ataques cibernéticos é regida pela Chairman of the Joint Chiefs Directive, diretiva lançada em 21 de junho de 2013. O documento faz alusão ao mandato instrucional emitido em 05 de março do mesmo ano pela Força Aérea, intitulado “Command and Control (C2) for Cyberspace Operations”. Mas o conteúdo da Diretiva em si é confidencial.

O chefe da NASA e do Comado Cibernético – subodinado ao Comando Estratégico americano – almirante Michael Rogers, declarou em seção recente do Armed Forces Committee do Senado que os Estados Unidos têm autoridade para conduzir atividades limitadas no ambiente cibernético. “Os comandantes de cada Área de Responsabilidade são autorizados a conduzir operações cibernéticas defensivas (DCO) em suas respectivas redes”.

Porém, o deputado Rogers aponta que as redes do setor privado, que compõem 85% da malha cibernética dos EUA, “não estão preparadas para lidar” nem mesmo com as tentativas de hackeamento promovidas atualmente por outros países, quanto mais ondas de ataques coordenados de rataliação – o tipo de dinâmica que pode caracterizar guerra cibernética. “Se o seu oficial-chefe de informação diz que está pronto para o que está por vir, ache outro oficial”, afirmou o republicano.