20 de Junho, 2013 - 16:00 ( Brasília )

Tecnologia

FINEP - UFES no DARPA Robotics Challenge

Empresa brasileira destaca-se na primeira etapa de desafio mundial de robótica


A MOGAI, empresa de softwares para planejamento de logística, acaba de se qualificar na primeira etapa do desafio DARPA Robotics Challenge (DRC). Coordenada pelo professor Alberto Ferreira de Souza, a equipe chamada Br Robotics Team é a única representante brasileira nessa competição mundial, que vai construir robôs e premiar as equipes que obtiverem melhor desempenho na realização das tarefas a serem executadas por elesRecentemente, a MOGAI recebeu subvenção econômica da FINEP de R$ 1,8 milhão para navegação robótica de um carro sem motorista, que é o veículo de maior autonomia e com melhores resultados do Brasil, próximo dos melhores do mundo, como Audi e Volkswagen.

Ambas as ideias, do carro e da participação no DRC, vieram de Alberto Ferreira de Souza, professor do departamento de informática da Universidade Federal do Espírito Santos (UFES). “Conheço a DARPA há muito tempo. Ela é o braço de pesquisa do setor de defesa americano, financiou o que viria a ser a internet. É a FINEP da defesa americana”, afirma. A partir de desafios da Darpa de 2004, 2005 e 2007, relacionados à criação de um veículo não tripulado, o professor fez parceria entre a Mogai e a Ufes e confeccionou o carro autônomo financiado pela FINEP.

Em 2012, foi lançado mais um desafio da DARPA, e Alberto Ferreira de Souza decidiu participar. “Eu chamei colegas, contatei a Mogai. Eles toparam e nós montamos o Br Robotics Team para participar do desafio de robótica humanoide” explica o professor. O desafio constitui-se de quatro etapas. Nas duas primeiras, as equipes monitoram um robô virtual entregue pela Darpa, como em um videogame.

 As esquipes que ficarem entre os seis primeiros colocados na segunda etapa ganharão US$ 750 mil e um robô real para participar das próximas. Na terceira e na quarta, esse robô real cedido pela DARPA irá executar mais desafios.  

O robô humanoide deverá realizar atividades humanas, tais como:

1 - Dirigir um carro comum por uma estrada;
2 - Subir escadas;
3 - Passar por ambiente com escombros.
4 - Quebrar parede com britadeira;
5 - Ligar mangueira de incêndio e simular apagamento do fogo, e,
6 - Entrar e sair em um veículo utilitário e dirigi-lo em uma estrada.

São várias tarefas para as quais hoje não há robô habilitado a realizar. Ele vai ter que ser esperto o suficiente para conseguir utilizar ferramentas que são feitas para serem usadas por pessoas”, completa Franco Machado, diretor comercial da Mogai e coordenador do projeto. “A partir desse desafio, acredito que será desenvolvida nova geração de robôs. É algo totalmente inédito, parece filme de ficção científica.”

Na primeira etapa, entre mais de cem equipes, 23 se habilitaram. E a Br Robotics Team é uma dessas, ao lado de instituições como Nasa e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), vencendo grandes universidades dos Estados Unidos. Franco Machado considera-se vitorioso por ter passado da primeira etapa e sente-se otimista para as próximas. “Só o fato de termos nos habilitado na primeira fase já foi um feito. A equipe ficou muito feliz, pois de fato estamos nos empenhando muito. É difícil. pois os concorrentes são de altíssimo nível.

O pessoal da NASA, por exemplo, tem muito dinheiro e centenas de pessoas. Nós temos apenas cinco pessoas totalmente dedicadas ao desafio. Mas acredito que podemos passar da segunda etapa.” Alberto Ferreira pondera: “Nosso financiamento é muito aquém dos outros. Há outras equipes bem pagas trabalhando full time nisso. Mas o nosso time é excelente. Estamos tentando usar a inteligência para superar o desafio, sempre cuidando dos detalhes".

Para a segunda etapa, a MOGAI e a UFES têm desenvolvido o sistema operacional para robô, aproveitando o sistema do carro autônomo, a fim de fazer um simulador muito fiel a um robô físico, como um videogame, mas muito mais sofisticado. “A DARPA disponibilizou o simulador para a primeira etapa, que foi virtual. Estamos desenvolvendo o código para o simulador do robô e logo depois ele vai funcionar no robô real”, conclui o professor. A equipe vencedora do DARPA Robotics Challenge ganhará US$ 2 milhões.