02 de Abril, 2013 - 12:50 ( Brasília )

Tecnologia

Perspectivas da robotização militar


Ilia Kramnik


Os robôs de combate serão as armas de nova geração. Os militares russos e o setor militar industrial definiram as prioridades no desenvolvimento de novos tipos de armamento e material bélico. O destaque foi dado aos sistemas de combate robotizados no máximo que reservam para o homem funções inofensivas de oprador.

Meio para diminuir perdas

As perspetivas da robotização militar voltaram a ser discutidas numa reunião do Conselho Social junto da Comissão Militar-Industrial do governo da Rússia, dedicada à temática e aos vetores da atividade do recém-criado Fundo de Pesquisas Prometedoras (FPP). A robotização propõe-se como método que eleva consideravelmente a eficácia de ações militares e diminui ao mesmo tempo as perdas esperadas.

Os robôs de diferente destino são utilizados há bastante tempo e em número crescente por militares de diversos países: aparelhos não pilotados voadores e flutuantes (de superfície e submarinos), máquinas terrestres de vários tipos assumem cada vez mais funções, desempenhadas até recentemente por humanos. O número destes aparelhos crescia, enquanto no limiar dos séculos a quantidade não passou à qualidade – robôs terrestres, marítimos e aéreos de todas as espécies desempenham cada vez maior papel em ações militares.

Aparelhos voadores não pilotados são utilizados no reconhecimento e no apontamento de foguetes guiados. Muitos deles são capazes, finalmente, de destruir alvos. Robôs terrestres podem neutralizar minas e romper cercos. Muitos deles são armados, podendo ser utilizados em operações arriscadas, por exemplo, em ações militares em cidades.

Robôs já estão participando em operações de abastecimento da retaguarda. A companhia Oshkosh Truck desenvolve camiões "não pilotados" e a companhia Boston Dynamics criou um robô-carregador, que se parece com um grande cão (denominado de Big Dog), capaz de transportar até 75 quilogramas de carga.

Variantes russas

O relatório, apresentado no Conselho Social da Comissão Industrial-Militar, propõe desenvolver várias famílias de robôs militares: de aparelhos não pilotados de reconhecimento e de assalto de longo raio de ação a robôs submarinos e exoesqueletos robotizados, que permitam aumentar consideravelmente as capacidades físicas humanas.

É necessário destacar o desenvolvimento de lanchas robotizadas para a Marinha de Guerra, cuja elaboração foi anunciada recentemente pelo vice-presidente da Corporação Naval Unificada (CNU), Igor Zakharov: semelhantes aparelhos são utilizados por militares de muitos países. As lanchas-robôs são bastante eficazes em ações militares em zonas costeiras, na luta contra minas, em operações de reconhecimento e em atos subversivos, podendo ser munidas de equipamentos para a destruição de infraestruturas inimigas, de linhas de comunicação e para outras missões.

Semelhantes aparelhos podem ser utilizados em operações de reconhecimento da Marinha de Guerra, em teatros de operações militares litorais no Báltico, nos Mares Negro e Mediterrâneo e em arquipélagos do Sudeste Asiático. Nas palavras do vice-presidente da CNU, Igor Zakharov, para conhecer as últimas realizações nesta área, a corporação pretende adquirir uma lancha-robôs "Inspetor" e um aparelho submarino à companhia francesa Écho. No futuro, a CNU tenciona desenvolver seus próprios projetos similares.

Sem euforia

Apesar do crescimento rápido de seu potencial, os robôs não alcançaram ainda (e não alcançarão durante muito tempo) as possibilidades dos soldados e de equipamentos guiados pelo homem. Em primeiro lugar, as suas capacidades óticas são limitadas: nenhum sistema ótico eletrônico pode ser equiparado ao sistema "cérebro humano – olho humano" em conjunto com dispositivos óticos de reforço. Mais uma limitação consiste na falta de inteligência artificial capaz de reagir rapidamente à situação em evolução permanente, o que obriga a utilizar nomeadamente aparelhos guiados à distância e não completamente autônomos.

O desenvolvimento de famílias de aparelhos guiados à distância e autônomos (submarinos, terrestres e voadores) e de exoesqueletos robotizados, capazes de elevar a eficácia de sistemas de armamentos existentes e futuros, assim como de soldados, permite reduzir as perdas humanas, o que é muito importante. Ao mesmo tempo, é necessário evitar uma "euforia robotizada", quando nos robôs se depositam esperanças exageradas que poderão levar no futuro a desilusões e a uma baixa eficácia de projetos abertamente irrealistas.