Novo
Piloto da Denel espera evitar o desastre
Keith
Campbell
Denel, deficitário grupo industrial estatal de
defesa Sul Africano, terá pelos próximos
três a quatro anos a tarefa de realizar a sua mais
radical transformação desde que a companhia
foi criada em 1992.
"É
muito tarde para remendar a Denel," anuncia, sem
rodeios, o executivo chefe do grupo Shaun Liebenberg.
"Nós
precisamos mudar tudo na Denel - tudo tem de mudar de
forma fundamental," ele afirma.
"Denel
permanecerá uma empresa 100% controlada pelo estado,
mas será transformada em uma empresa holding de
investimentos, controlando os investimentos nas subsidiárias
e empresas associadas," ele afirma.
Essas
empresas serão "Clusters Tecnológicos"
(technology clusters), em número de cinco (embora
esse número possa alterar): sistemas de infantaria
e artilharia, munições, aeroespacial (principalmente
mísseis e veículos aéreos não
tripulados (UAVs), optronica, e aviação
(produção de aeroestruturas, manutenção
e serviços de reparos).
"Nossa
participação acionária nessas empresas
subsidiárias poderá variar de majoritária
a minoritária, embora o governo, através
da Denel, manterá as 'golden share' para proteger
os interesses estratégicos da África do
Sul e os direitos de propriedade intelectual," esclarece
Liebenberg.
"Os
outros acionistas nessas companhias poderiam, dependendo
do caso, serem empresas locais ou internacionais, ou uma
junção das duas," define Libenberg.
"O
gerenciamento da Denel já está tomando uma
forma descentralizada, nós estamos em um processo
de dar responsabilidade do gerenciamento às unidades
operacionais," ele esclarece.
"O
escritório principal da Denel será instalado
na Denel Aerospace (anteriormente Kentron), localizado
em Centurion ( perto de Pretoria)," afirma Libenberg.
Em
vez do atual complexo de quatro edifícios, será
uma estrutura muito simples alojada em um único
prédio.
"Nós
ainda não decidimos o que fazer com nossas instalações
atuais em Pretoria," ele afirma.
Essas
decisões são o resultado de cuidadosas análises
das condições e tendências dos mercados:
local e internacional, e a posição da Denel
como empresa e de suas linhas de produtos.
"Nós
começamos a perguntar quais seriam os pontos chaves
que definiriam a nova estratégia do grupo e nós
identificamos cinco," diz Liebenberg.
Havia
tendências globais na área de defesa, os
recursos financeiros e a posição econômica
da Denel, um novo modelo de negócios da Denel,
cultura e comportamento da Denel referente a parcerias,
e a questão da estratégia da companhia versus
sua organização estrutural.
Três
tendências globais foram identificadas quanto à
área de defesa.
"Primeiro,
consolidação global, por exemplo, nos Estados
Unidos há 10 anos, havia 32 grandes grupos na produção
de equipamentos para forças terrestres, hoje há
10, e a Europa segue uma tendência similar,"
afirma Libenberg.
"Segundo,
o processo de aquisição mudou, em termos
dos tipos de tecnologias adquiridas - uma década
atrás eram grandes equipamentos; hoje são
leves, os sistemas "network-centric", ele acrescenta.
"Terceiro,
os mercados globais estão tornando-se mais e mais
competitivos, países que antes não tinham
indústrias de defesa, estão agora criando
as suas próprias, e competindo conosco; como poderá
a Denel incrementar seus negócios de exportação
nesse cresce ambiente de competição?",
ele pergunta.
Isso
naturalmente levou ao assunto de gestão de negócios
do grupo.
"Nós
identificamos que a Denel não seria viável
no atual modelo de negócios; isso significaria
que teríamos de sair da posição de
um competidor global para grandes sistemas, para tornar-se
principalmente um integrador e fornecedor de sistemas
e fornecedor de subsistemas e componentes ao mercado local
em cooperação com outros parceiros industriais,
produtores de equipamentos em escala global e fornecedores,"
ele revela.
"Essa
é uma completa e radical mudança em nosso
modelo de negócios," ele afirma.
A
principal razão para essa mudança é
que para competir com sucesso no mercado industrial de
defesa requer grandes capacidades, e enorme massa crítica;
mas o orçamento de defesa da África do Sul
é somente uma fração do que a Denel
necessitaria para manter a competitividade e profundidade
em tudo que está fazendo no momento.
"Nós
fazemos tudo, de munição 5,56 mm ao helicóptero
de ataque Rooivalk, imagine a pesquisa e desenvolvimento
para manter tudo isso atualizado," ele ressalta.
"A
Denel necessitaria de ter vendas cinco vezes acima do
volume atual para fazer isso, e essa é a razão
porque o nosso modelo de negócios não é
viável," ele afirma.
O
quarto ponto principal identificado e examinado foi a
cultura do grupo, comportamento e a atitude comercial
relacionada ao conceito de "parcerias".
"Quão
bons nós somos, como companhia, em parcerias e
alianças em um processo de longo prazo, em bases
confiáveis e sustentáveis?" questiona
Liebenberg.
"Nossa
avaliação foi de que a cultura da Denel
é de: 'we don't need anybody - we can do it ourselves',
enquanto, de fato as companhias de maior sucesso ao redor
do mundo tem uma procura por parcerias; quanto maior número
de parceiros eles têm, mais projetos conjuntos eles
fazem, mais exitosos eles esperam ser," ele expõe.
Verdade,
a Denel opera no setor de defesa, o que é esperado
que envolva segredos, mas o fato brutal é que,
Liebenberg ressalta, que a companhia não tem tecnologias
que já não tenham sido desenvolvidas em
algum lugar do mundo, então não há
nada a esconder.
"Parcerias
poderiam ser com empresas locais ou internacionais,"
ele afirma.
Então
havia a questão da estratégia da companhia
versus sua estrutura organizacional.
"Nós
estamos em um constante tumulto frente à estrutura
organizacional - nunca houve uma visão única
e integrada de qual estratégia a Denel deveria
adotar,"ele revela.
"Eu
me reporto ao Board da Denel, Armscor, ao Department of
Defence, à South African National Defence Force
(SANDF), ao Department of Public Enterprises, ao Department
of Trade and Industry, ao Department of Foreign Affairs
(no caso das licenças de exportação)
e aos sindicatos - nunca houve uma estratégia integrada
e em muitas oportunidade gerou quase um caos quanto a
estrutura organizacional," ele assegura.
"O
resultado é que nós temos um das mais baixos
índices de produtividade do mundo em nosso ramo
de negócios".
"A
política do Governo é de que nos precisamos
ser capazes de viver de nossos recursos," ele reafirma.
"Eu
estou tentando desenvolver uma estratégia integrada,
com um senso lógico de administração,
criando uma companhia que seja viável economicamente,"
ele afirma.
"Então
o que nós fizemos? Nós observamos os cinco
imperativos para o sucesso para as indústrias de
defesa em todo o mundo," ele explica.
O
primeiro desses imperativos é o do mercado cativo.
As empresas estatais de defesa possuem um mercado localcativo,
que em muitos casos, representa 70% das vendas (não
é o caso da Denel).
"O
segundo, é um consistente e incansável apoio
político em apoio no exterior às empresas
de defesa, incluindo as privadas, pelos seus governos.
O setor de defesa sempre é prioritário e
inclusive chefes de estado fazem lobby para suas indústrias,"
ele enfatiza.
Figuras
como o Secretário de Defesa Donald Rumsfeld, Primeiro
Ministro Tony Blair, Presidente Francês Jacques
Chirac e o Presidente russo Vladimir Putin têm apoiado
e feito lobby em apoio às indústria de defesa
de seus países, assim como seus antecessores fizeram
e seus sucessores o farão.
O
terceiro fator é o foco, o quarto parceria e o
quinto, excelência na execução. A
estratégia que Liebenberg está propondo
aos acionistas do Grupo tem seis elementos.
"Primeiro,
nós necessitamos de um acesso privilegiado - o
que não significa que queiramos subsídios;
mas significa que nós necessitamos conhecer as
políticas de compras do governo, os planos de defesa,
o orçamento de defesa e quando os recursos serão
alocados", esclarece Liebenberg.
Denel
não investirá em nenhum projeto sem ter
a uma certeza razoável de que as SANDF comprarão
uma quantidade razoável do equipamento e em um
período de tempo que torne o projeto economicamente
viável.
Próximo
item da lista é interagir com todos os membros
da empresa - com todos os departamentos e agencies do
governo - para que trabalhem com o grupo administrativo
da Denel para criar uma companhia de sucesso.
"Terceiro,
é verificar a viabilidade comercial de cada um
de nossos negócios e fazer uma análise de
onde nós podemos ser realmente competitivos,"
ele afirma.
"Com
essa base, como nós podemos aperfeiçoar
o que nós temos? Como corrigir, o que pode ser
"corrigido?"·".
"E, possivelmente, nós reconheçamos
que muitos de nossos negócios devam ser encerrados,"
ele alerta.
A
quarta perna dessa estratégia já foi descrita
- o desmembramento da Denel em quarto a seis "clusters
tecnológicos", a partir das quais poderia
criar empresas com valor, para atrair futuras parcerias,
preferencialmente numa base igualitária, e em uma
aliança de longo prazo.
"Essas
parcerias incluiriam as companhias locais, tais como:
Aerosud, Advanced Technology & Engineering (ATE),
Grintek, Reutech e outras," ele assegura.
(Liebenberg veio para a Denel da Grintek, uma empresa
privada.)
Também
haveria parcerias internacionais.
"Quinto,
é de recuperar a excelência em nossas capacidades,
habilidades e entregas," ele assegura.
Se
esses cinco pontos formam os pilares da estratégia
o sexto engloba todos eles.
"Esse
é o patrimônio que é nosso pessoal,
muitos dos quais são de classe-mundial no seu campo
de conhecimento," ele ilustra.
"Transformação
na igualdade de emprego, e o desenvolvimento de habilidades
permanece uma prioridade em tudo o que a Denel fará
no futuro," ele assegura.
"Essa
tem sido a parte fácil, a formulação
da estratégia - o desafio é de implementá-la,"
admite Liebenberg.
"Mas
o clima para mudar a Denel é melhor agora que antes,
com apoio de nossos acionistas e parceiros - significando
todos os setores do governo - a administração
e as indústrias local e internacional."
"Esse
apoio, falando francamente, tem sido excepcional, e sem
ele, seria muito difícil leva a Denel para a próxima
fase," conclui Liebenberg.