COBERTURA ESPECIAL - Tank - Terrestre

30 de Julho, 2015 - 20:00 ( Brasília )

NEXTER + KMW - Casamento de Pesados

A formalização da fusão entre a empresa francesa NEXTER Systems e a alemã KMW influirá no mercado de veículos blindados inclusive no Brasil.



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Os dois grupos  europeus especializados na produção de Sistemas blindados, em especial Carros de Combate , assinaram a formalização de sua fusão, que tinha sido anunciada um ano atrás.
 
Com a presença do Ministro da Defesa da França Jean-Yves Le Drian e o Secretário de Defesa Alemão, Markus Grubel,  e mais Frank Haun, CEO da KMW, e Philippe Burtin, Presidente do Conselho da NEXTER Systems, ocorreu a formalização da fusão entre as empresas francesa NEXTER  e alemã KMW. O evento foi realizado em Paris na sede do Ministério da Defesa, nesta quarta-feira, 29 de Julho 2015.

A aliança proposta entre as duas empresas de tecnologia militar e Segurança com um faturamento de 2 Bilhões de Euros, e uma carteira de pedidos de 9 Bilhões e uma força de trabalho de 6,000 empregados.

A fusão das empresas tem profundas implicações comerciais e estratégicas tanto na Europa como no mundo. É difícil, ao analista internacional, ver alemães e franceses trabalhando juntos em projetos de carros de combate.  Em nota apresentada pelas empresas  KMW e NEXTER mencionam como o foco a consolidação da indústria de defesa europeia. Os portfolios de produtos das duas empresas  e a complementaridade da presença ao redor do mundo são os pontos fortes.

Outro ponto mencionado seria a padronização dos produtos e melhoria a interoperabilidade  das Forças Armadas dos dois países e garantiria uma Base Industrial Reforçada.

Os dois CEOs,Frank Haun ( KMW), e Philippe Burtin (NEXTER), garantem que a o novo alinhamento estratégico tornará possível manter o nível de empregos e conhecimentos no coração da União Européia.
 
A NEXTER Systems é estatal, 100% de propriedade do governo francês através da empresa holding  GIAT Industries S.A. A alemã Krauss-Maffei Wegmann GmbH & Co. KG é uma empresa privada.

A nova empresa terá sede na Holanda. Cada empresa terá participação de 50% das ações. A administração será compartilhada igualitariamente entre as duas empresas.

O acordo deverá ser aprovado ainda pelos órgãos reguladores do mercado. Está prevista a possibilidade  de o Grupo GIAT Industries SA e suas subsidiárias serem privatizadas..

A associação entre a KMW  e a NEXTER Systems deverá ser efetiva no fim do ano de 2015.

KMW

A Krauss-Maffei Wegmann GmbH & Co. KG  lidera a produção de veículos blidados, de rodas e lagartas na Europa. Tem instalações industriais na Alemanha, Brasil, Grécia,  México,Holanda, Cingapura , Reino Unido,  USA e Turquia. Emprega 3.200 pessoas com o maior foco no desenvolvimento, produção e apoio a veículos blindados : MUNGO, AMPV, DINGO, GFF4 e BOXER, a Família do Carro de Combate LEOPARD 2 e sistemas de engenharia.
 
Também  sistema de simulação tanto para os mercados civil como militar. Tem presença em cerca de 50 países.
 
NEXTER Systems
 
A NEXTER Systems é a principal empresa francesa de armamentos terrestres. Além de produzir Sistemas de armas, viaturas blindadas desenvolve munições apara forças terrestres, navais e aéreas. Formou o terceiro grupo europeu de munições com a aquisição da belga MECAR e a italiana SIMMEL Difesa.
 
Cerca de 56% do faturamento vem do Mercado de exportação. A NEXTER  está participando do Programa e SCORPION , e a modernização do Carro de Combate Leclerc.
 
O faturamento da NEXTER, em 2014  alcançou  €1.05 Bilhões, dos quais 14% alocados a P&D. A llinha de produtos  consiste de:

Blindados  ARAVIS, TITUS e VBCI;
Sistemas de artilharia CAESAR, TRAJAN e 105LG1, e,
Munições  Sistema inteligente BONUS.
 
Foi contrada para  a modernização do CC Leclerc.
 
Tank War
 
As duas empresas  caracterizaram-se pela produção de carros de combates, e curiosamente os dois países já procuraram cooperação no passado.
 
No início dos anos 60 os governos da Inglaterra, França e Alemanha (Ocidental) iniciaram o desenvolvimento de um Carro de Combate comum aos três países. O resultado foram três CCs diferentes em forma e conceitos: Inglaterra (Chieftain), AMX30 (França) e Alemanha (Leopard 1).
 
Indiscutivelmente o mais exitoso comercialmente foi o alemão Leopard 1, dos quais foram produzidos 6.485, em várias versões, a grande maioria pela empresas KraussMaffei e a Wegmmann.  
 
A segunda geração foi o Challenger inglês e o Leopard II. O carro de combate francês LeClerc, talvez o melhor carro de combate da época, chegou atrasado, já tinha ocorrido a dissolução do Pacto de Varsóvia. O que afetou significativamente suas campanhas comerciais.
 
Só o Exército francês e o dos Emirados Árabes adquiriram o Leclerc, ao todo cerca de 800 foram produzidos. Enquanto o Leopard 2 que começou a ser produzido em 1978, e após um sucesso comercial de recolocar no mercado os excedentes do Exército Alemão e de outros países da OTAN,  que adquiriram mais de 3480, equipa hoje as Forças Armadas  de 17 países. Ainda está em produção.
 
O Brasil

 
A KMW tem instalada uma planta industrial na cidade de  Santa Maria / RS para o apoio logístico aos 250 Carros de Combate Leopard 1A5BR  e aos sistema Antiaéreos Gepard adquiridos pelo Exército Brasileiro dos excedentes da Bundeswehr. Anteriormente o EB tinha adquirido um lote de Leopard1A1 dos excedentes do Exército Belga.
 
Na audiência pública da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa do Senado (CRE) o Comandante do Exército Gen Ex Eduardo Villas Boas informou das tratativas com a Alemanha (KMW) para o desenvolvimento de um Carro de Combate, de até 50 toneladas. O acordo deverá será concretizado na visita da Chanceler alemã Angela Merkel ao Brasil, no próximo mês de  Agosto.
 
A NEXTER está oferecendo ao Brasil o sistema de artilharia CAESAR e também fornecia munições para os canhões dos caças Mirage III e depois a série 2000.
 
O caça tático A-1 (AMX) tem 2 canhões DEFA 554 de 30mm, produzidos pela GIAT e depois sob licença no Brasil. A munição é produzida pela brasileira CBC.

Críticas

Vozes do Parlamento Alemão criticaram a fusão pois veem a ação como uma possível burla da KMW às rígidas leis de exportação do país. Assim usando a França, mais liberal no comércio de defesa, poderia vender para mercados que o governo alemão bloqueia a venda.



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