COBERTURA ESPECIAL - Tank - Terrestre

03 de Maio, 2015 - 20:00 ( Brasília )

Bundeswehr – A Necessidade de Munição DU para Carros de Combate

Porque o emprego da munição DU foi barrada pela política

 
Nota DefesaNet

Matéria publicada no jornal alemão Die Welt, 26 ABR 2015. Imediatamente foi repercutida pelo complexo de desinformação Russo, porém com meias informações. O texto traduzido por outras fontes para o português não teve a devida compreensão.

O Editor
 

Hans Ruhle
Chefe da Política de Ordenamento do Pessoal do Departamento
de Defesa da Alemanha, 1982-1988, e ocupou cargos de administração na OTAN



A Bundeswehr não tem uma munição eficaz para enfrentar os carros de combate russos  T90. O problema poderia ter sido resolvido já na década de 80. Mas o medo das ações dos pacifistas era muito grande.

Há alguns dias o Departamento de Defesa anunciou o investimento de € 22 milhões de Euros  para reincorporar ao serviço ativo 100 Carros de Combate Leopard 2, e assim aumentar o parque de Carros de Combate de 225 para 325. O objetivo desta medida incomum, foi principalmente sinalizar aos aliados da Europa Oriental que a tendência para reduzir as  capacidades militares convencionais da Alemanha é uma página virada.

Mas a reativação e reincorporação de carros de combate é uma tentativa limitada. Embora o CC Leopard 2 ainda seja um excelentes sistema de armas (Nota DefesaNet – O consórcio KMW está iniciando a entrega da versão Leopard 2A7). Master uma capacidade superior aos carros de combate russos mais modernos - para lutar com sucesso - especialmente a série T90. A razão para esta deficiência é a munição inadequada para o ainda potente canhão de  120 mm, alma lisa, desenvovido e produzido pela empresa Rheinmetall.

Este problema não é novo, mas tem 30 anos de idade. Desde meados dos anos 80. Estudos do Estado-Maior da Bundeswehr na época foram devastadores. De acordo com os informes da  Bundeswehr e BND (Serviço Secreto Alemão), a munição em uso pelo Leopard 2 não conseguiria penetrar a blindagem frontal do  do CC T80 Soviético, que entrou em serviço em 1984, com chances de sucesso.

Imediatamente, o então ministro da Defesa Manfred Wörner (CDU) foi informado do fato. O ministro solicitou ao Inspetor Geral do Exército (Comandante do Exército), que convocasse uma reunião e iniciar estudos sobre o assunto e propor soluções.

A conferência começou com um estrondo. O Inspetor-Geral no início deu uma declaração de que foi sem precedentes na recente história militar alemã: ". Sr Ministro, eu quero resaltar que teremos um gap na capacidade “anti-tanque” do exército alemão em um prazo de três a cinco anos."

 Por alguns segundos, houve um silêncio mortal na sala. Até então, a República Federal da Alemanha  estava na linha de frente da OTAN contra as Forças do Pacto de Varsóvia fortemente armadas, operando os supostamente "melhores carros de combate do mundo" com a suposto "melhor canhão do tanque no mundo" - e agora isso!

A explicação era simples: A munição usada como projéteis de energia cinética (APFDS), que contêm um núcleo de carboneto de tungstênio, não produzia energia cinética suficiente para penetrar a blindagem frontal dos últimos tanques soviéticos, tecnologicamente sofisticadas. Para esta deficiência dos Carros de Combate alemães, todos os especialistas já tinham uma solução conhecida - a utilização de urânio empobrecido no núcleo das munições.

Mas esta solução, existia somente no papel. A liderança política do país tinha decidido anos atrás que tudo que contivesse a palavra "urânio", deveria ser evitado. No início dos anos 80, o movimento pacifista definia o tom; O urânio era na Alemanha como o diabo. O fato de que no cerne de munições de urânio empobrecido exclusivamente (resíduo do processo de centrais nucleares) - uma conexão radiante mínima de 99,8 por cento de urânio-238 e urânio 253 de 0,2 por cento – era impossível de explicar na atmosfera política carregada.

Uranium não foi usdo por razões políticas

Cientistas preocupados tinha imediatamente calculado quão ameaçadoras serias estas  muniões mesmo em tempo de paz. Você pode ver a decisão contra o uso de munições APFDS com o penetrador com Urânio Empobrecido no contexto da política interna alemã, entendo isso muito bem. Mas de um ponto  de vista militar ela colocou a posição militar da Alemanha em um enorme risco. A decisão fatal foi mitigado apenas pelo fato de que quase todos os aliados da OTAN - especialmente os Estados Unidos, Grã-Bretanha e França – adotaram a  munição com núcleo de urânio empobrecido (DU).

Mas de volta à conferência de planejamento. O Inspector-Geral procurou apresentar uma saída para o problema. Ficou claro desde o início que a aquisição de munições com penetradores de DU, a ação preferida de todos os militares, não poderia ser aceita politicamente. Todas as outras soluções possíveis não eram viáveis por diferentes razões. A solução trazida pela Rheinmetall, para substituir o canhão de 120 milímetros com um novo canhão de 140 milímetros, não era viável por causa dos custos. A torre do Leopard 2 tinha de ser substituída completamente e o interior do carro ser reconstruído.

As outras formas de resolver definitivamente o problema das armas de energia cinética insuficiente: a arma eletromagnética ou electrotermal  eram tecnologicamente inatingíveis em futuro previsível.

Assim, o fim era a menor de todas as soluções à esquerda: numa tentativa de melhorar o desempenho do canhão de 120 mm através da extensão do tubo e para melhorar a performance da munição disponível ao limíte máximo. Foi  decidido sobre o desenvolvimento de uma munição flecha (APFDS) reforçada (Nota DefesaNet – penetrador com maior comprimento). No entanto, estava claro que, com base em uma munição com o pentrador de  tungsténio traria apenas uma melhoria marginal. Em serviço seria suficiente para enfrentar as primeiras configurações  do CC  T80 com sucesso.

Atualmente, a Bundeswehr tem a munição anti-carro  APFDS DM63 da Rheinmetall , uma munição com base no penetrador de tungstênio. O seu poder de penetração melhorou muito em relação às velhas munições e corresponde, junto com a nova versão do  canhão de 120 mm, apenas à antiga munição penetrador de DU dos EUA dos anos 80.

No entanto, esta não é suficiente para penetrar as versões mais recentes dos Carros de Combate T80 e T90. Menos ainda quando começarem ser colocados em serviço, a partir de 2020, os carros de combate russos do tipo T-14 Armata. (Nota DefesaNet – os primeiros 20 serão mostrados no Desfile da Vitória em Moscou, próximo 09 Maio 2015).

Isso torna imperativo que as forças armadas alemãs  recebam o mais rápido possível munição com penetradores de Urânio Empobrecido (DU). Se isso ainda não for possível, por motivos políticos, a reativação de carros de combate já aposentados é inútil - e na melhor das hipóteses agradará aos aliados e inimigos pela administração de um placebo.

Notas DefesaNet

A matéria do Sr Ruhle, no jornal Die Welt, dos mais importantes na Alemanha,  é de enorme importância.

O Editor de DefesaNet teve recente contato com o Professor Richard Orgorkiewicz, pelo lançamento de seu novo livro TANKS 100 Years of Evolution e o especialista inglês mencionou a evolução em blindagem pelos russos.

Especialmente na tecnologia de produção de aço de blindagem. Mas a adição de blindagem reativa e mais recentemente a incorporação de sistemas ativos de proteção.


E também mostra que em tempos de aumento de tensão, como o caso presente na Europa, frente à Rússia, os "velhos, ultrapassados e jurássicos" tanques (Carros de combte retomam os holofotes.

Carros de Combate M1A2 Abrams, do US Army Europe, dentro da Operação Atlantic Resolve têm disparado nos países Bálticos Lituânia e Estonia no mês de Abril. (Ver foto) 

 



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