COBERTURA ESPECIAL - Tank - Terrestre

28 de Outubro, 2014 - 09:35 ( Brasília )

SGM - Panzerschreck: Infantaria vs Aço


Pouco se fez para desenvolver armas anticarro imediatamente após a Primeira Guerra Mundial.

Só a partir do rearmamento alemão, na década de 1930, esse aspecto da guerra terrestre mereceu consideração mais sistemática. Mesmo assim, a principal diretriz de desenvolvimento estava no campo da artilharia leve e não no das armas portáteis de pelotão.

A principal exceção foi um fuzil anticarro polonês de grande eficiência, o Maroschek, que apareceu em 1935. Os britânicos, que praticamente inventaram o carro de combate e elaboraram boa parte da doutrina tática referente a seu uso, não fizeram quase nada para desenvolver defesas contra a arma que produziram, limitando-se a referências rituais sobre a necessidade da defesa anticarro.

Nas raras ocasiões em que algum velho tanque aparecia nas manobras de treinamento, o pelotão mais próximo (que provavelmente consistia em um sargento, um soldado raso e uma grande bandeira amarela) simplesmente desdobrava uma bandeira verde menor, com uma cruz em diagonal (indicando que possuía uma arma anticarro não especificada) e deixavam para algum árbitro que passasse a decisão sobre quem se saíra melhor no confronto.

A introdução do fuzil anticarro Boys, inspirado no Maroschek polonês, significou agradável surpresa para a infantaria britânica. Os carros de combate foram usados em larga escala na Guerra Civil Espanhola, mas de novo a ênfase, nas armas anticarro, se dirigiu para a artilharia, e não para as armas leves.

Houve bastante improvisação, variando de trilhos de aço jogados entre as lagartas dos veículos até cargas de alto explosivo ou incendiárias. Tais recursos ofereceram brilhantes idéias para os exércitos de outras nações, mas não trouxeram contribuições significativas.

APERFEIÇOAMENTOS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

A eclosão da Segunda Guerra Mundial encontrou os principais participantes sem armas anticarro leves e eficientes. Houve uma corrida para desenvolvê-las, mas também aconteceram grandes aperfeiçoamentos no projeto dos carros de combate: estes e as armas anticarro continuaram em sua luta pela superioridade. Um aspecto que logo se tornou evidente foi a quase total ineficácia do fuzil anticarro, exceto contra tanques de blindagem mais leve.

Por volta de 1941, o obus sólido de 910g (Ordnance QF 6-pounder ou 57 mm Gun M1), utilizado por canhões anticarro de batalhão, quase não penetrava os novos tanques alemães - não foi surpresa, portanto, que o projétil de 60g do fuzil Boys também não o conseguisse.

Embora armas desse tipo tivessem mostrado bom desempenho na Guerra Civil Espanhola - o grande laboratório de testes para a indústria bélica alemã - e mesmo na rápida investida sobre a Polônia, fracassaram contra os carros de combate britânicos, com blindagem mais eficiente, em 1940.

Dessa maneira, precisou-se recorrer a canhões de artilharia antiaérea para enfrentar os carros de combate. Quando o primeiro modelo de 88mm foi concebido, os militares alemães já consideravam a possibilidade de ele ser utilizado para a função anticarro e de fato a arma prestava-se a essa função.

A primeira grande prova da arma ocorreu ainda durante a guerra civil de Espanha, para onde foi enviada uma força alemã conhecida como Legião Condor. Tratava-se essencialmente de uma força expedicionária da Luftwaffe, pelo que a peça de 88mm também foi enviada para Espanha. E é na Guerra Civil Espanhola, que a arma se vai mostrar especialmente util, sendo aproveitadas as suas capacidades como arma anticarro.

Mas, ainda em 1940, na invasão da França, a arma padrão anticarro era o 57mm e  foi no dia, 21 de Maio, quando Rommel enfrentou pela primeira vez os soldados britânicos, que tentavam sair rapidamente do Bolsão de Flanders, tendo a infantaria e as armas antitanques de Rommel passado a enfrentar os blindados pesados Matilda Mark II. O único meio encontrado por Rommel para conter o avanço dos Matilda era utilizar os disparos de Flak 88. 

Depois das campanhas tipo Blitzkrieg de 1940, os alemães se esforçaram para melhorar seu poderio anticarro, mas quase todas as idéias se inclinaram para a busca de canhões maiores, descuidando-se das armas portáteis da infantaria. Isso não importou muito no norte da África, onde a maior parte dos combates colocou os carros em confronto direto.

Somente quando a infantaria alemã teve de enfrentar carros de combate soviéticos mais modernos é que transpareceu toda a sua falta de proteção anticarro. E, tal como ocorrera em 1916, eles precisaram improvisar, na tentativa de parar os blindados soviéticos.

Um velho ditado diz que a melhor defesa contra um carro de combate é outro carro de combate; e provavelmente foi isso que passou pela cabeça dos homens do alto comando alemão que planejaram tal modelo de equipamento, na década de 30.

As armas anticarro da infantaria alemã já estavam um tanto obsoletas, na verdade nem melhores nem piores que as de seus inimigos. Elas consistiam principalmente em fuzis anticarro, produzidos numa escala semelhante à do britânico Boys, junto com uma quantidade de canhões anticarro de 37 mm utilizados a nível de regimento.

Nessas condições; o Eixo e os aliados voltaram-se para os rojões de alto explosivo como única alternativa. A velocidade não era essencial, de modo que as armas apropriadas podiam ser razoavelmente leves e portáteis. Os britânicos adotaram, em 1942, o PIAT (Projector Infantry Anti-Tank, lança-rojão anticarro de infantaria).

Na mesma época, em 1942, os alemães se viram favorecidos por um feliz acaso: os americanos produziram um lança-rojão tubular, quase universalmente chamado de "bazuca" (do inglês bazooka). Os Estados Unidos despacharam uma carga de seus modernos lança-rojões ("bazucas") para seus aliados comunistas, e alguns caíram nas mãos da Wehrmacht junto com uma boa quantidade de munição (*algumas versões da história indicam que foi no norte da África que essas bazucas cairam nas mãos dos alemães).

Imediatamente os alemães perceberam o potencial da nova forma de abordagem à guerra anticarro e em poucos meses desenvolveram uma versão aperfeiçoada da arma, que enviaram para equipar suas tropas no leste. A versão alemã era o panzerschreck.

Seguiu-se uma versão mais leve, a Panzerfaust, eficaz mais muito impopular entre oficiais e soldados por causa de sua tendência à detonação prematura. Os soviéticos, talvez baseando suas doutrinas táticas nas lições da Espanha, confiaram principalmente na artilharia leve e nas granadas de alto explosivo (HE). A obsolescência definitiva do fuzil anticarro marcou o fim do período das armas a leves anticarro apropriadas a pelotões.

Embora de aparência e funcionamento semelhantes ao protótipo americano, a arma germânica tinha calibre maior e disparava um rojão duas vezes mais pesado e de penetração muito melhor.

Ela se mostrou bastante eficiente até mesmo contra os mais blindados carros de combate soviéticos, além de apresentar grande desempenho contra casas e casamatas.

Embora fosse leve o bastante para ser transportada e operada por apenas um soldado, um segundo homem atuava como municiador e transportava os rojões. Sua principal desvantagem era a ignição do rojão que continuava pelos primeiros 2 ou 2,5 m após deixar o tubo, expondo o soldado às chamas e gases.

O primeiro modelo foi o RPzB 43, que tinha 164 cm de comprimento e pesava cerca de 9,25 kg quando vazia. Os operadores das RPzB 43 tiveram de usar um protetor tipo poncho e uma máscara de gás sem um filtro para protegê-los do calor do" backblast" quando a arma era disparada.

Em outubro de 1943, ele foi sucedido pelo RPzB 54 que foi equipado com um alto-escudo para proteger o operador. Esta era mais pesada, 11 kg vazia. Este foi seguido pelo RPzB-54 / 1 com um foguete melhorado, e uma gama mais curto barril aumentou para cerca de 180 metros.

Disparando o RPzB gerava uma grande quantidade de fumaça tanto na frente e por trás da arma. Por causa da arma de tubo e da fumaça, as tropas alemãs apelidado é o Ofenrohr ( "Estufa Pipe").

A fumaça gerada pelo disparo da arma, também significava que posição das equipes de Panzerschreck eram reveladas, uma vez que eles dispararam, tornando-os alvos, e assim, obrigava-os a mudança de posições. Este tipo de sistema também tornou-se um problema quando a arma era disparava dentro de espaços fechados (como bunques ou casas), enchendo o ambiente com fumaça tóxica e ainda revelando o local imediatamente.

O Panzerschreck foi uma arma eficaz o projétil poderia penetrar mais de 200 mm de blindagem, como a que se verifica nos grandes tanques soviéticos, como o IS-2. O projetil pesava 7.25lb, 3,3 kg geralmente suficiente para destruir qualquer veículo blindado Aliado.

Quando manipulados por pessoal bem treinado, esta arma se tornou o o terror das unidades blindadas aliadas, que muitas vezes improvisavam adicionando na proteção dos seus tanques, por exemplo, sacos de areia ou camas de metal. A maior parte destes artificos de proteção teve pouco efeito real.

No decorrer a guerra surgiu uma versão experimental, com calibre muito maior - 100 mm, em vez dos 88 mm da arma padrão. Porém o maior tamanho fez subir o peso para 13,6 kg, e essa carga adicional para o lançador não resultou num correspondente ganho em termos de alcance e efeito sobre o alvo. Assim, em pouco tempo a nova versão foi abandonada, com o retorno ao modelo original.

Fonte: Modernas Armas Leves
Titulo Original - Modern Small Arms
Autor: Major Frederick Myatt - Oficial do Royal Berkshire Regimento - Comissionado em 1940
Editora Globo S.A. © 1987