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Defesanet 29 Outubro 2007

Exclusivo Defesa@Net

CBERS, EUA e o Futuro
Análise de documentos oficiais americanos sobre o
programa CBERS e sua classificação como atividade militar.
Implicações para o Programa Espacial Brasileiro.

André Mileski

No dia 4 de outubro foi divulgado um estudo elaborado pelo Instituto de Estudos Estratégicos (SSI, sigla em inglês), ligado ao Exército dos EUA, que aborda a expansão chinesa nos mercados de telecomunicações e espaciais da América Latina, intitulado “China's Expansion into and U.S. Withdrawal from Argentina's Telecommunications and Space Industries and the Implications for U.S. National Security”.

Apesar do estudo analisar de maneira mais aprofundada a expansão chinesa na Argentina, um pequeno parágrafo na página 21 (ver abaixo) põe em foco o Brasil, na medida em que tece comentários acerca da parceria brasileira com a China no programa CBERS (China-Brazil Earth Research Satellite). De acordo com este parágrafo, que cita como referência o estudo “Balancing China’s Growing Influence in Latin América”, de Stephen Johnson, o programa CBERS envolve tecnologia brasileira de imageamento digital que pode ajudar a China a ampliar sua capacidade de definição de alvos militares, denunciando, ainda, a troca entre Brasil e China de tecnologias de lançadores e sistemas óticos de imageamento de satélites espiões.

Defesa@Net apurou que o estudo foi recebido por integrantes de instituições do Programa Espacial Brasileiro com um misto de humor e revolta. A autora do texto não considerou o fato de que o programa CBERS não envolve transferência de tecnologia, demonstrando profundo desconhecimento sobre o programa. Além do mais, foram apresentadas informações sabidamente inverídicas, que na ótica de alguns podem ser até positivas, por considerarem um nível tecnológico na área de lançadores e sistemas de imageamento que o Brasil definitivamente não tem.

Defesa@Net - Para detalhes da colaboração China-Brasil no Programa CBERS acesse a matéria: CBERS 2: uma nova conquista para o Brasil - 2003
http://www.defesanet.com.br/space/cbers2.htm

Uma análise apurada deste texto leva, no entanto, a uma preocupante conclusão em relação à posição dos EUA quanto às ambições espaciais chinesas, e conseqüentemente, quanto ao CBERS. Sob uma ótica norte-americana, a China possui ambições estratégicas suspeitas, evidenciadas no teste bem-sucedido de um sistema anti-satélite chinês em janeiro deste ano, e em sua dúbia posição em relação à colocação de armas no espaço. Sob esta visão, não são raros artigos, inclusive oriundos de instituições ligadas ao governo nos EUA que mencionam de maneira negativa o programa CBERS, em prejuízo ao Brasil. Os relatórios anuais de 2005 e 2006 elaborados pelo Departamento de Defesa dos EUA para o congresso daquele país sobre o poder militar chinês mencionam o programa CBERS (Military Power of the People’s Republic of China). O mais recente, de 2007 aponta o CBERS como tendo aplicações militares (ver trecho do relatório abaixo). Esta posição norte-americana já produz conseqüências práticas.

Numa reportagem publicada pelo jornal “Folha de S. Paulo”, em 22 de outubro, os repórteres Claudio Angelo e Rafael Garcia informam que os EUA têm imposto restrições na aquisição de componentes para os satélites CBERS 3 e 4, atualmente em construção e com previsão de lançamento em 2010, restrições estas que ameaçam, inclusive, o seu cronograma. O embasamento jurídico destas restrições está no “International Traffic in Arms Regulations (ITAR)”, regulamentação que relaciona componentes cuja exportação é restrita e classifica os países em vários graus de proibição.

A posição norte-americana em relação ao CBERS levanta algumas dúvidas quanto a uma possível extensão do programa após o lançamento e operação dos satélites CBERS 3 e 4, opinião corroborada até mesmo por pessoas envolvidas no programa. Alguns deles, consultados por Defesa@Net viram com preocupação a decisão de substituir uma das câmeras de responsabilidade chinesa do satélite CBERS 2B, recentemente lançado, por uma outra câmera, pancromática de alta-resolução (2,7 metros), cujas características podem ser interpretadas pelos EUA como indícios de seu uso para aplicações militares.

Arte do Satélite CBERS-2B
Fonte INPE

Até o momento, as restrições norte-americanas que envolvem o Brasil na área de satélites são diretamente voltadas ao CBERS, embora indiretamente estejam afetando outros projetos nacionais, inclusive de natureza não-espacial. Porém, não se pode desconsiderar a possibilidade de que no futuro outros projetos do Programa Espacial Brasileiro sofram conseqüências em decorrência da posição americana quanto ao CBERS. Praticamente todos os projetos de satélites e cargas úteis desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) contam com componentes espaciais de origem norte-americana. O sucesso da parceria entre o Brasil e a Ucrânia na utilização comercial do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) para o lançamento de satélites também é fortemente dependente dos EUA, já que a maioria dos satélites ocidentais possui ao menos alguns componentes oriundos daquele país, o que torna essencial a existência de um acordo binacional de salvaguardas tecnológicas.

No caso de haver disposição do Brasil e China em dar continuidade ao programa CBERS após o lançamento e operação dos cinco satélites já contratados, a posição e as ações dos EUA em relação ao programa, que, segundo o que foi apurado, não estão apenas restritas às limitações nas aquisições de componentes sensíveis, são fatores que o governo brasileiro terá que considerar com atenção em sua decisão.

“China's Expansion into and U.S. Withdrawal from Argentina's Telecommunications and Space Industries and the Implications for U.S. National Security”, página 21:

“China’s space cooperation in South America extends beyond Argentina. For example, China has signed a contract to manufacture and launch satellites for Venezuela, and has cooperated with Brazil on the development and launch of four satellites under the China-Brazil Earth Research Satellite (CBERS) program. The CBERS program involves, among other things, Brazilian digital imaging technology that may help the Chinese to augment their over-the-horizon military targeting capability. Brazilian space cooperation with China is more advanced than Argentina-China cooperation. According to Stephen Johnson, Deputy Assistant Secretary of Defense for Western Hemisphere Affairs who works for the Undersecretary of Defense for Policy, the Chinese began collaborating with Brazil on spy satellite technology in 1999, providing rocket launch expertise in exchange for digital optical technology that would permit high resolution, realtime imaging.”

Annual Report to Congress - Military Power of the People's Republic of China 2007”, página 20:

“Reconnaissance. China is deploying advanced imagery, reconnaissance, and Earth resource systems with military applications. Examples include the CBERS-1 and -2 satellites and the Huanjing disaster/environmental monitoring satellite constellation. China is planning eleven satellites in the Huanjing program capable of visible, infrared, multi-spectral, and synthetic aperture radar imaging. In the next decade, Beijing most likely will field radar, ocean surveillance, and high-resolution photoreconnaissance satellites. In the interim, China probably will rely on commercial satellite imagery (e.g., SPOT, LANDSAT, RADARSAT, and Ikonos) to supplement existing coverage.”


Defesa @ Net

EUA barram satélite do Brasil com a China-Programa CBERS - Folha de São Paulo - Outubro 2007
http://www.defesanet.com.br/china/cbers.htm

CBERS-2B é lançado com sucesso da base chinesa de Taiyuan - Setembro 2007 - INPE
http://www.defesanet.com.br/space1/cbers-2b_1.htm

Report Documents Chinese Military Power, Calls for Transparency http://www.defesanet.com.br/zz/china_dod_07_1.htm

Pentágono preocupado com crescente poder militar da China
http://www.defesanet.com.br/zz/china_dod_07.htm

   
   
 

 

 

 

 

 

 

Nota Defesa@Net

No dia 29 Dezembro 2006
a China também divulgou o
5º Livro Branco de Defesa.
Para a íntegra acesse
o link abaixo.

xx

China's National
Defense in 2006

   
 
  DoD Military Power of the People’s Republic of China 2006
   
   
 
  ANNUAL REPORT TO CONGRESS - Military
Power of the People’s
Republic of China - 2007

Download do documento diretamente do Servidor
do Pentágono
6,3 MB pdf
   
   
   
   
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