Relatório
elaborado pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço
(IAE) do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) sobre
a retomada do projeto do VLS-1, especialmente para o Defesanet.
No
início de 2004, após a conclusão
dos trabalhos de investigação do acidente
com o protótipo VLS-1 V03, o Comando da Aeronáutica
iniciou negociações com o State Rocket Center
Makeyev, instituição russa de renomada competência
na área de desenvolvimento de veículos lançadores
de satélites, visando o estabelecimento de um contrato
para a revisão crítica do projeto VLS-1.
Este contrato, que oficialmente entrou em vigor a partir
de abril de 2004, tem como objeto a revisão crítica
do projeto, o estabelecimento de recomendações
visando o aumento da confiabilidade e segurança
do veículo, e o acompanhamento na implantação
dessas recomendações incluindo operações
de campo no lançamento do próximo protótipo.
O contrato foi dividido em sete fases conforme a seguir:
Fase 1: celebração do contrato;
Fase 2: fornecimento de uma lista de dados da configuração
atual do veículo, para análise dos especialistas
do SRC Makeyev. Esta etapa foi concluída em agosto
de 2004;
Fase
3:
análise dos dados fornecidos e apresentação
de recomendações de melhorias técnicas
e organizacionais para aumentar os níveis de segurança
e confiabilidade do VLS-1. Etapa concluída em abril
de 2005;
Fase 4: recomendações de melhorias
na Torre Móvel de Lançamento visando uma
versão do VLS-1 com estágio superior movido
por propulsão líquida; Etapa concluída
em junho de 2005.
Fase
5:
implementação dos estudos de engenharia
e dos desenvolvimentos necessários ao aumento de
confiabilidade e segurança do VLS-1. Esta etapa
se iniciou em julho de 2005, quando o CTA recebeu a versão
eletrônica de nove relatórios emitidos pela
empresa russa.
No momento, os documentos estão sendo analisados
pelas seis Divisões da área espacial do
IAE e pela Gerência de Veículos com os seguintes
objetivos:
- identificar todas as tarefas propostas;
- avaliar cada tarefa quanto à viabilidade de sua
execução no Brasil;
- elaboração de um documento de análise
a ser enviado ao SRC Makeyev.
Concluído este documento, o IAE deverá receber
a visita de especialistas russos, para discutir detalhadamente
como se fará a implementação das
propostas. Resultará dessas discussões um
plano conjunto de trabalho para a execução
da fase 5 propriamente dita. Salienta-se que essa é
uma etapa decisiva dos trabalhos de revisão do
VLS-1, quando serão decididas todas as ações
que modificam o veículo e trazem impacto na alocação
dos recursos humanos, financeiros e administrativos, além
de definir o planejamento de lançamento do próximo
veículo. A duração prevista em contrato
para esta fase é de dez meses. No entanto, face
ao volume de trabalho tratado na documentação
enviada ao CTA, é previsível uma duração
maior desta fase.
As próximas etapas previstas no contrato são:
Fase
6: acompanhamento da empresa russa nos trabalhos de
implementação de melhorias do complexo de
lançamento de Alcântara;
Fase
7:
acompanhamento da empresa russa na implementação
de melhorias na Torre Móvel de Integração
e acompanhamento da operação de lançamento
do VLS-1 V04.
A
realização da fase 7 depende das decisões
e andamento da fase 5.
Principais
recomendações dos especialistas russos:
As
recomendações até agora apresentadas
pelos especialistas russos apontam a necessidade das seguintes
ações:
a)
modificações de projeto nas redes elétricas
do veículo;
b) modificações nas redes pirotécnicas,
com a inserção de Dispositivos de Segurança
em todos os propulsores do veículo;.
c) construção e integração
de uma Maquete de Integração de Redes Elétricas
(MIR);
d) realização de um vôo tecnológico
preliminar para teste em vôo da separação
do 1o/2o estágios e de funcionamento do 2o estágio.
Cronograma de Lançamento
A
realização do vôo tecnológico
somente será possível após a conclusão
da construção da nova Torre de Integração
do veículo, cujo prazo para a construção
é de 18 meses, a partir da finalização
do processo licitatório, que ainda não está
concluído. Estima-se, ainda, a realização
de um vôo completo 6 meses após o vôo
tecnológico.
| A
retomada do programa VLS-1 é um exemplo claro
da participação russa no Programa Espacial
Brasileiro. O novo programa de lançadores nacionais
(programa Cruzeiro do Sul) apresentado pela AEB e
CTA em 24 de outubro deve seguir o mesmo caminho,
com participação de indústrias
e instituições da Rússia no desenvolvimento
e fornecimento de sistemas e serviços.
André
M. Mileski / Defesa@Net
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