COBERTURA ESPECIAL - Especial Espaço - Tecnologia

11 de Agosto, 2012 - 12:00 ( Brasília )

INPE - Protesto e bate-boca marcam a festa de aniversário

Ministro e ex-diretor trocam acusações em plena cerimônia após divulgação de plano para remodelar instituto de S. José

Chico Pereira
São José dos Campos



A festa de 51 anos de criação do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de São José dos Campos, realizada ontem, foi marcada por protesto de servidores e bate-boca entre o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, e Gilberto Câmara, ex-diretor do instituto.

 O desentendimento verbal entre Raupp e Câmara foi presenciado por pelo menos 100 pessoas que participaram da solenidade, no auditório do LIT (Laboratório de Integração e Testes).

 Ao saudar Câmara, que estava na plateia, o ministro chamou a atenção para a camiseta preta que ele usava com a inscrição “Não ao desmonte do Inpe”.

 “Meu caro Gilberto de camisa preta, depois quero fazer uma observação a isso”, disse Raupp.

Câmara respondeu que era um protesto contra a tentativa que está sendo feita para “desmontar o Inpe”, numa referência ao projeto de remodelação da instituição elaborada por Raupp.

Visivelmente irritado, o ministro rebateu: “fico impressionado, partir de uma pessoa como você uma dúvida com relação ao meu encaminhamento e partir para uma atitude de contestação que não conheço. Gosto da contestação do sindicato, que é permanente. Contestações em épocas que você deveria colaborar para os encaminhamentos eu considero bem menos”.

Em outro trecho de seu pronunciamento em defesa do projeto de reestruturação do Programa Espacial Brasileiro e do papel do Inpe nesse contesto, Raupp voltou a criticar Câmara: “durante a administração do Gilberto Câmara, o Inpe se desalinhou completamente das ações do governo federal. O governo dava dinheiro para fazer o Amazônia e o Cbers (satélites) e ele botava em outras coisas”.

“É isso que vocês querem? Desorganização? Não pode ser assim. Tem que ter alinhamento, governança. É isso que está se buscando, integração, isso é legítimo e dever de um governo que dá valor aos impostos que o cidadão paga. Usar bem os recursos e não desperdiçar”, afirmou Raupp para a plateia.

Ele voltou a criticar Câmara no final do seu pronunciamento: “aprecio muito o sindicato porque é franco. Eu não aprecio pessoas que fizeram tudo errado e agora querem se pontificar como aliado de vocês (sindicato). Isso para mim é ruim”.

Câmara evitou comentar as declarações do ministro.
 
Protesto. Pelo menos 30 servidores participaram da cerimônia vestidos com camiseta preta com a mesma inscrição.

Foi a forma do SindcT (Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do setor Aeroespacial) mostrar o descontentamento e a apreensão da comunidade do Inpe com as propostas de Raupp.

O ministro rebateu as críticas de que planeja “fatiar” o instituto com a transferência de setores considerados estratégicos para outras esferas do governo federal, como do Cptec (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos) para o Instituto Nacional de Meteorologia, e do setor de engenharia e tecnologia espacial para a AEB (Agência Espacial Brasileira).

“Não existe e nem existira desmonte. Não sou homem de operar desmonte, sou de operar construções. Tudo isso são delírios”, disse Raupp.

NOTA OFICIAL DO MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA
 
Com relação à reportagem "Ministro retoma plano para 'desmonte' do Inpe em S. José", tenho a esclarecer:

 A política especial brasileira vem passando por uma profunda revisão, visando sua atualização e adequado atendimento das necessidades do País em campos como da ciência espacial e da atmosfera, da observação da terra, da previsão do tempo e estudos climáticos, da engenharia e da tecnologia espacial, dentre outros.

A nova situação inclui também acréscimo de investimentos, a partir de 2007.

Com a nova política espacial, o papel do Inpe, será ainda mais relevante e dinâmico em importantes contextos, como no organograma dos órgãos públicos federais, na sua contribuição para a sociedade brasileira e na sua participação na produção científica e tecnológica mundial.

Portanto, não tem fundamento na verdade qualquer afirmação ou inferência de que há um plano de desmonte para o INPE.

Ao contrário, almeja-se para o Inpe papel semelhante ao desempenhado por órgãos congêneres de países exitosos em termos de definição e execução de programas espaciais, como Estados Unidos e China.

Também para confirmar que se quer dotar o INPE das melhores condições para o cumprimento de suas imprescindíveis atividades, encontra-se em andamento um processo de concurso público para a contratação de 107 novos servidores, sendo 17 pesquisadores, 22 tecnologistas, 40 técnicos e 28 analistas de Ciência e Tecnologia.

As propostas para o redimensionamento do papel do INPE na política espacial brasileira não foram elaboradas nem estão sendo encaminhadas às escondidas. Ao contrário, estão sendo tratadas com toda a transparência cabível.

Elas foram apresentadas, publicamente, em reuniões com o Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial, com o Conselho Técnico Científico do Inpe e com a Câmara Municipal de São José dos Campos. Nessas ocasiões, solicitei contribuições à proposta. As propostas foram discutidas também no âmbito do Programa Nacional de Atividades Espaciais, com participação de representantes da comunidade científica e da comunidade empresarial da área aeroespacial.

Por fim, quero lembrar, em especial à comunidade de São José dos Campos, que sempre pautei e pautarei minha atuação, não por ações de desmonte, mas sim por ações de construção.
 
Marco Antonio Raupp
Ministro de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação