COBERTURA ESPECIAL - Especial Espaço - Aviação

06 de Fevereiro, 2012 - 10:45 ( Brasília )

Agências brasileiras já oferecem pacotes de turismo espacial

Virgin Galactic pretende lançar primeiros voos ainda em 2012. Duas operadoras de SP trabalham em parceria com a empresa americana.

Você já viajou o mundo todo, conhece os quatro cantos do planeta e está sem ideias para o passeio das próximas férias? Não tem problema: procure seu agente de turismo e ele te apontará o novo destino disponível. Quer uma dica? Basta olhar para cima.

Em breve, as viagens espaciais estarão bem mais acessíveis para os turistas. A Virgin Galactic, uma empresa particular, pretende começar a lançar suas naves ainda em 2012. Inicialmente, eles saem de uma base mais humilde nos Estados Unidos; depois, passam para um espaçoporto que está sendo construído no estado do Novo México.

O preço da viagem está em US$ 200 mil – cerca de R$ 340 mil. Pode parecer caro, mas é apenas um centésimo do que o primeiro turista espacial desembolsou há pouco mais de dez anos. Em 2001, o milionário americano Dennis Tito pagou US$ 20 milhões à Rússia para passar uma semana no espaço – com direito a visita à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).

O voo oferecido pela Virgin é bem mais curto, dura cerca de três horas e meia, mas também atrai os aficionados pelo espaço. A lista de espera já tem mais de 430 nomes – e inclui brasileiros. Inicialmente, os voos serão semanais, mas a tendência é que eles sejam cada vez mais frequentes.

Cientistas, sonhadores e estudiosos
Há no País duas agências parceiras da Virgin Galactic que oferecem o roteiro, ambas na cidade de São Paulo. A GSP Travel confirma que já vendeu um pacote, enquanto a Teresa Perez não passa essa informação por política da empresa.

Para Ilan Wallaph, diretor-sócio da GSP, o brasileiro é um cliente “muito desconfiado”, mas o filão vai crescer assim que as viagens se tornarem rotineiras.

“Eu acredito que, a partir do primeiro voo, o Brasil vai se tornar o mercado número um, mas antes disso as pessoas ficam receosas”, afirmou

Tomas Perez, presidente e cofundador da Teresa Perez, concorda com esse ponto de vista.

“Os brasileiros têm um perfil mais conservador do que os norte-americanos. A viagem especial pode ser um produto consolidado para o turismo brasileiro, sim. No entanto, é preciso amadurecer a ideia de visitar o espaço”, disse o empresário.

Segundo ele, o público-alvo desse filão são “pessoas ligadas ao ramo de aviação, que viram o homem pisar na lua pela TV em 1969, cientistas, sonhadores e estudiosos”.
 

O voo
Os turistas viajaram a bordo da SpaceShipTwo, um planador semelhante aos ônibus espaciais que a Nasa aposentou em 2011. A nave tem capacidade para dois pilotos e seis passageiros.

Quando for lançada, a nave atingirá uma velocidade supersônica, e os passageiros sentirão forças até quatro vezes maiores do que a gravidade. Em seguida, virá o momento mais aguardado: a gravidade "zero".

Na verdade, a gravidade não chega a zero, porque a nave ainda fica presa à Terra – é o chamado voo suborbital. Porém, para quem está a bordo, a sensação é uma ilusão de que não há gravidade. Por todas essas variações, o cliente deve passar por exames médicos antes do voo.

Essa permanência no espaço dura apenas quatro minutos – a viagem, desde a decolagem até o pouso, leva três horas e meia. O programa completo tem a duração de três dias.

“Você vê o planeta azul com o Universo preto ao fundo, mas vê só uma parte do planeta”, disse Wallaph. “Você passa quatro minutos vendo a Terra, mas o voo é eterno”, brincou.

“O valor da viagem vai além das três horas e meia no espaço. O valor está na experiência de vida, na rotina de preparação até que a viagem realmente se conclua, na experiência de ser uma das primeiras pessoas a viajar para o espaço e de poder contar história para seus familiares e amigos por toda a sua vida. Uma viagem como essa é um marco, é inesquecível por gerações”, completou Perez.