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22 de Julho, 2019 - 10:25 ( Brasília )

A surpreendente história de como a Ford ajudou a pôr o homem na lua


A chegada do homem à Lua está fazendo 50 anos e praticamente todos conhecem detalhes dessa conquista histórica. O que muitas pessoas não sabem é que a Ford teve uma participação importante no sucesso da missão da Apollo 11.

‘Houston, aqui é da Base Tranquilidade. A Águia pousou.” Assim Neil Armstrong anunciou para o centro de controle da NASA e para o mundo o pouso do módulo lunar no dia 20 de julho de 1969. Mas isso não seria possível – inclusive a transmissão da voz do astronauta – sem a participação da Ford na construção e manutenção do centro de controle da missão.

Essa história começa com a Philco, fundada em 1892 para fabricar lâmpadas de arco de carbono antes de iniciar a produção de baterias, rádios e televisores. Em 1953, seus engenheiros inventaram o transistor de barreira de superfície – o primeiro transistor de alta frequência que permitiu o desenvolvimento de computadores de alta velocidade. Esse esforço para miniaturizar e aperfeiçoar o transistor levou a Philco a trabalhar com as Forças Armadas dos EUA e a NASA, mas em 1960 dificuldades financeiras forçaram a empresa a procurar um comprador externo.

“A Ford queria expandir sua oferta de produtos para além da indústria automobilística e foi atraída pelas tecnologias inovadoras da Philco. Adquiriu a empresa em 1961 e transformou sua Divisão Aeronutronica numa nova organização, a Philco-Ford ”, conta Ted Ryan, gerente de Arquivos e Patrimônio da Ford.

Em 1963, a Philco-Ford enfrentou gigantes da tecnologia como IBM, RCA, Lockheed, Hughes Aircraft e AT&T na corrida para desenvolver o centro de controle do novo Centro Espacial Tripulado em Houston. Mesmo sendo considerada um azarão, a Philco-Ford foi escolhida como fornecedora principal do projeto.

“Sem a fusão com a Ford a empresa provavelmente não teria sido considerada para o trabalho, devido à magnitude dos recursos de engenharia necessários”, observou Walter LaBerge, gerente da Philco-Ford Houston Operations, recontando a história do projeto.



Construindo o que nunca foi feito

As responsabilidades do trabalho da Philco-Ford eram imensas, desde o projeto dos sistemas de hardware e software para a solução problemas que nunca haviam sido enfrentados antes, até a fabricação, instalação e testes do centro de controle, incluindo a ligação e controle de dados dos pontos de rastreamento remoto da NASA.

“Em suma, o que a NASA precisava para garantir um pouso na Lua nos anos 60 era uma grande capacidade de tomada de decisão assistida por computador, que ninguém tinha quando a Philco-Ford recebeu o contrato”, registra um documento da empresa da época.

O centro de controle da missão foi concluído em cerca de dois anos – a tempo de monitorar a missão Gemini 3, em março de 1965 – e tornou-se totalmente funcional alguns meses depois, quando todas as operações foram transferidas do Cabo Kennedy para o Centro Espacial Tripulado em Houston.

Além de projetar e construir o centro de controle, a Philco-Ford forneceu equipes de suporte técnico e engenharia durante a construção e operações. O projeto passou por atualizações para cada missão, que exigiram até 2 milhões de mudanças na fiação. Outros dados do projeto continuam tão surpreendentes quanto eram há mais de 50 anos:

  • Mais de 1.500 dados diferentes de telemetria – da saúde dos astronautas aos resultados dos testes de voo – eram enviados ao centro simultaneamente.
  • O centro de controle da missão abrigou o maior conjunto de equipamentos de transmissão de televisão do mundo.
  • Mais de 96.000 km de cabos foram instalados e supervisionados para as operações.
  • Cinco computadores principais IBM 360/75 enviaram dados para mais de 1.300 comutadores monitorados pelos controladores de voo.

A jornada para a Lua

A Philco-Ford participou de todas as missões Apollo, mas duas se destacam pela sua complexidade. A Apollo 8 foi a primeira espaçonave a orbitar a Lua e retornar à Terra, o que trouxe grandes desafios para o centro de controle, pois os sinais e os dados seriam perdidos quando a nave ficasse atrás da Lua durante a órbita. Havia a preocupação de como o sinal seria recuperado, mas o equipamento funcionou perfeitamente e até permitiu aos astronautas fazer várias transmissões do espaço – incluindo uma mensagem de paz na véspera do Natal de 1968.

Em julho de 1969, a Apollo 11 foi o foco do mundo. A natureza inédita da missão tornou ainda mais complexo o trabalho da Philco-Ford e da equipe de controle. Quando o mundo prendeu a respiração em 20 de julho, a descida de Neil Armstrong e Buzz Aldrin na superfície da Lua foi transmitida para todo o mundo.

Os astronautas realizaram experimentos e coletaram material da superfície lunar. Também lançaram o Early Apollo Scientific Experiments Package (EASEP), equipamento construído em parceria pela NASA, a Philco-Ford e a IBM para monitorar as condições ambientais. Após o retorno bem-sucedido dos astronautas em 24 de julho de 1969, ele permaneceu na Lua e continuou transmitindo dados durante um ano.



A vida depois do "passo gigante"

O trabalho da Philco-Ford no centro de controle da NASA continuou quando as missões Apollo deram lugar ao Skylab, à Apollo-Soyuz e ao Ônibus Espacial. Rebatizada como Ford Aerospace and Communications Corporation em 1976, a empresa passou a fornecer também serviços de comunicação por satélite. No início dos anos 80, a Ford Aerospace havia construído mais da metade dos satélites de comunicação em órbita.

Em 1990, a Ford saiu da indústria aeroespacial com a venda da Ford Aerospace para a Loral Corporation. Mas o espírito de curiosidade e inovação que impulsionou seus empreendimentos aeroespaciais permanece vivo. Com grandes investimentos e avanços na tecnologia de carros autônomos, conectados e elétricos, assim como o projeto Cidade do Futuro, que conecta todos os sistemas de transporte em uma rede mais eficiente, a Ford trabalha para ajudar as cidades a superar seus desafios de mobilidade com o poder da tecnologia.

“Já criamos tecnologias inovadoras antes, o que nos dá a confiança de saber que podemos fazer isso de novo para melhorar a vida de todos aqui mesmo na Terra”, completa Ted Ryan.


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