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23 de Outubro, 2018 - 08:50 ( Brasília )

Ariane 5 lançada com sucesso de Kourou: BepiColombo está agora em sua longa jornada de “freada” até Mercúrio


A missão nipo-europeia com rumo a Mercúrio, batizada de BepiColombo, foi lançada com sucesso na manhã de sábado, 20 de outubro, às 03h45 (CET) do centro espacial em Kourou, localizado na Guiana Francesa, a bordo de um lançador Ariane 5.

O satélite, que foi consutruído pela Airbus para a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Japonesa (JAXA) está agora no começo da sua longa jornada de cerca de 8,5 bilhões de quilômetros dentro do Sistema Solar.

A expectativa é de que a espaçonave atinja o planeta mais próximo do sol em sete anos. Após a chegada em 2025, pela primeira vez na história duas sondas espaciais, observarão Mercúrio e seu entorno simultaneamente.

Está planejado o uso de câmeras para mapear a superfície do planeta com uma precisão nunca vista antes. Os dados coletados por 16 instrumentos científicos fornecerão informações sobre a composição geológica e química do planeta, assim como sua estrutura, as características do seu campo magnético e como ele interage com os ventos solares. “Essa missão altamente complexa é o resultado de uma cooperação internacional verdadeiramente inspiradora entre 83 empresas de 16 países europeus e do Japão”, afirma Nicolas Chamussy, Diretor de Sistemas Espaciais.

“Esse esforço internacional, que conta com a participação de equipes da Airbus de cinco países diferentes, é uma consequência natural da vontade humana de descobrir mais sobre esse planeta - sobre o qual se sabe tão pouco - e as origens do nosso Sistema Solar. Todas as grandes missões trazem desafios: a Airbus teve de desenvolver soluções de controle térmico sofisticadas e até mesmo placas de energia solar ‘especiais’, capazes de inclinar-se até a 75 graus na direção oposta do Sol para diminuir a temperatura. Agora, seu principal desafio é completar a viagem com segurança e enviar os dados científicos que estamos todos aguardando”. O Ariane 5 lançou a espaçonave ‘Bepi’ ao espaço a “velocidade de escape”, a velocidade necessária para um objeto se libertar da força gravitacional da Terra.

Isso permitirá que a sonda espacial entre em uma órbita solar similar à da Terra a velocidades de aproximadamente 120 mil km/h. Durante sua viagem até Mercúrio, a BepiColombo realizará diversas manobras de freagem para ajustar sua órbita, de modo que possa se aproximar lentamente do planeta. Para alcançar essa meta, o centro de controle (Centro Europeu para Operações Espaciais – ESOC), localizado em Darmstadt, na Alemanha, projetou uma trajetória sofisticada através do sistema solar.

O centro acionará os freios a meros 60 dias após o lançamento para reduzir a velocidade da espaçonave. A partir desse momento, um sistema elétrico de propulsão e nove passagens planetárias (uma pela Terra, em abril de 2020, duas por Vênus e seis por Mercúrio) garantirão à sonda toda a energia necessária.

No máximo dois dos quatro propulsores iônicos impulsionados por xenônio serão utilizados a qualquer momento durante a longa viagem. Eles serão usados por não mais do que 700 dias, no total, e poderão operar ininterruptamente por até quatro meses.

Os propulsores serão movidos por duas placas solares de 1,8 x 1,4 metro. Os propulsores iônicos, um outro sistema de propulsão química e as placas de energia solar estão localizados no Módulo de Transferência para Mercúrio (MTM), o módulo de propulsão dessa viagem interplanetária rumo a Mercúrio.

Com uma viagem de aproximadamente 8,5 bilhões de quilômetros (o equivalente a uma viagem de ida e volta entre a Terra e Netuno), a sonda Bepi viajará, na realidade, 38 vezes a distância máxima entre a Terra e Mercúrio.

Após viajar por sete anos e completar 18 órbitas ao redor do Sol, o MTM será lançado em 2025. A partir desse momento, os orbitadores funcionarão sozinhos, usando energia solar e um sistema de propulsão próprio.

A sonda espacial irá então entrar em órbita ao redor de Mercúrio antes de cada um dos orbitadores entrar em sua própria órbita e começar a exploração científica do planeta propriamente dita.


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