COBERTURA ESPECIAL - Especial Espaço - Aviação

02 de Maio, 2017 - 11:10 ( Brasília )

A FAB na Era Espacial


Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato
Comandante da Aeronáutica


O Brasil e a Força Aérea Brasileira deram mais um passo histórico. O primeiro Satélite Geoestacionário Brasileiro de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) representa uma nova fase para o domínio de uma das mais A FAB na era espacial altas tecnologias já produzidas pelo homem.

E coube a nós, integrantes do Comando da Aeronáutica - por meio da Estratégia Nacional de Defesa - a nobre missão do desenvolvimento militar da área espacial no Brasil. Com o SGDC, a FAB entra definitivamente na era do espaço. A principal ferramenta militar a ser atendida pelo satélite é o Sistema de Comunicações Militares (SISCOMIS), usado para dar suporte à rede operacional de defesa.

Com o SGDC, será possível dobrar a capacidade de comunicações de comando e controle; integrar as operações espaciais com as operações aéreas; além de permitir compartilhamento das informações geradas pelo SGDC com outros órgãos governamentais como, por exemplo, a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Cabe à FAB a responsabilidade por operar e monitorar o SGDC. No controle do satélite, está o Comando de Operações Aeroespaciais, por intermédio do seu Centro de Operações Espaciais, unidade conjunta localizada em Brasília.

O trabalho é feito 24 horas por dia. O satélite terá uso dual, ou seja, civil e militar. A chamada banda X é que possibilita o trâmite de informações relacionadas exclusivamente à área de defesa e governamental.

O projeto é uma parceria entre os ministérios da Defesa (MD) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Com o COPE e o SGDC, o Brasil dá continuidade ao desenvolvimento do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE).

A iniciati va permiti rá promover o mercado de satélites, estimado em bilhões de dólares, com a geração de empregos de alta tecnologia e valor agregado.

Seja no campo civil ou militar, o SGDC traz um novo impulso para o desenvolvimento do País. E nós, da Força Aérea Brasileira, devemos nos orgulhar por, mais uma vez, fazermos parte desse momento histórico e promissor de nossa Nação.

Tecnologia nas mãos da FAB¹



A maquete nas mãos dos militares da FAB parece brinquedo, mas o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) é real e de tamanho bem maior.

A base da parte central mede 2,5mx2,5m e a altura é de 5m. Já a medida de ponta a ponta dos painéis solares é de 38m. Com o lançamento do SGDC, o Brasil passará a ser soberano na área de comunicações militares por satélite.

“É um momento histórico para o Ministério da Defesa e para as Forças Armadas. Vai trazer a possibilidade de comunicações seguras, suportando todas as operações militares”, explica o Chefe do Centro de Operações Espaciais Principal (COPE-P), Coronel Marcelo Vellozo Magalhães.

Subordinado ao Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), o COPE integra em seu efeti vo cerca de 70 militares das três Forças Armadas. Entre eles estão o Major Luis Felipe de Moura Nohra, o Tenente Marcus Vinicius Fernandes Mati as e o Subofi cial Arthur Eduardo Paiva Dias de Sá, cada um responsável por atividades fundamentais na operação do satélite.

A Força Aérea está a cargo do desenvolvimento da área espacial militar no Brasil e, portanto, vai operar e monitorar o SGDC. Para isso, o COPE terá militares trabalhando 24 horas por dia ininterruptamente.

Major Luis Felipe de Moura Nohra - Aviador, especialista em Controle de Órbita e Dinâmica de Voo e ofi cial de Segurança do COPE: “Nós compomos uma equipe de engenheiros responsáveis pela ‘saúde’ do satélite. Monitoramos diariamente parâmetros como temperatura dos equipamentos, tensão da bateria, precisão do sistema de apontamento, potência dos canais de comunicação, entre outros. Trabalhamos, também, com procedimentos de segurança “.

Tenente Marcus Vinicius Fernandes Mati as - Engenheiro Eletrônico, adjunto da seção de carga úti l do COPE: “Somos responsáveis por transformar as demandas de comunicações por satélite em parâmetros de radiofrequência, garantindo o máximo de disponibilidade ao longo do ano e otimizando a utilização de recursos do SGDC.

Esperamos colocar em prática os conhecimentos adquiridos em quase dois anos de preparação para a operação do satélite e poder contribuir positi vamente para a comunicação de nossos companheiros de armas que realizam operações nos mais diversos lugares.”

Subofi cial Arthur Eduardo Paiva Dias de Sá – Especialista em Comunicações, supervisor de controladores do COPE: “Na minha carreira, eu pude acompanhar várias evoluções tecnológicas da FAB. Estar nessa cadeira hoje, como supervisor dos controladores e podendo controlar o satélite, é para poucas pessoas. Como graduado, cheguei no mais alto patamar nesta área de tecnologia e considero uma oportunidade ímpar.”

O satélite

Desenvolvido pela empresa francesa Thales Alenia Space e pela Visiona (uma sociedade formada pela Embraer e pela estatal Telebras), o SGDC terá uso civil e militar: possibilitará acesso à conexão em banda larga a todos os locais do País e tramitar informações da área de defesa.

Além de garantir mais segurança para as comunicações militares, o SGDC vai gerar economia para o País, pois não será mais necessário alugar satélites de empresas privadas.

¹por Ten JOR Emília Maria


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