COBERTURA ESPECIAL - Especial Espaço - Tecnologia

09 de Janeiro, 2003 - 12:00 ( Brasília )

Satélite de Coleta de Dados - SCD-1: 10 anos


 

André Mileski
O autor e DefesaNet agradecem o apoio da jornalista Ana Chagas
e ao tecnologista Mário Eugênio Saturno, ambos do INPE.



O SCD-1 (Satélite de Coleta de Dados) foi desenvolvido de acordo com a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), programa iniciado em 1979, com o objetivo de dar autonomia ao Brasil no desenvolvimento e construção de satélites, assim como na execução de seus lançamentos (VLS-1).

A MECB, além do SCD-1, planejava também o desenvolvimento de outros três satélites, o SCD-2, e o SSR-1 e SSR-2, estes dois últimos com funções de sensoriamento remoto. Mais tarde, com o PNAE (Programa Nacional de Atividades Espaciais), foi incluído o projeto do SCD-3, em desenvolvimento.

O SCD-1, é um satélite componente da Missão de Coleta de Dados, composto por diversas PCDs (Plataforma de Coleta de Dados), espalhadas pelo território nacional. As PCDs são dotadas de diversos instrumentos como termômetros, pluviômetros (medidor de volume de chuvas), anemômetros (velocidade e direção dos ventos), entre outros. Esses instrumentos produzem dados que são transmitidos ao SCD-1, que por sua vez os envia para as estações de recepção em Cuiabá, MT, e Alcântara, no Maranhão. As estações terrenas, por meio de uma rede de comunicação provida por uma empresa privada, transmitem esses dados ao Centro de Missão, localizado em Cachoeira Paulista, São Paulo, onde os dados são processados e fornecidos aos usuários, entre eles a EMBRAPA, ANEEL, INMET, IBAMA e SIVAM.

Atualmente existem mais de 300 PCDs instaladas em solo, nas bacias hidrográficas, represas e na costa oceânica brasileira. Suas informações possibilitam o controle das bacias hidrográficas, previsões meteorológicas, controle de queimadas e do meio-ambiente, planejamento agrícola, além de estudos mais precisos na área de oceanografia, meteorologia e atmosfera.

Inicialmente, a previsão de vida-útil do SCD-1 era estimada em apenas um ano, mas até hoje, devido ao seu importante valor técnico, ainda se encontra em funcionamento, o que não significa necessariamente, que seu funcionamento continua com alta-confiabilidade. Por volta de 1996, o satélite apresentou sua primeira falha: a bateria não carregava até o seu ponto máximo. Como a demanda por seus dados era muito grande, além de não haver um substituto em órbita, optou-se por mantê-lo na ativa, deixando a bateria carregar por mais órbitas.

Com índice de nacionalização de 73%, o SCD-1 foi colocado em órbita baixa (Low Earth Orbit) a uma altitude de aproximadamente 760 km, com inclinação de 25º, pelo terceiro protótipo do foguete norte-americano Pegasus. O objetivo inicial, desde o início da MECB, era lançá-lo através do VLS-1, no entanto, o desenvolvimento do lançador nacional não acompanhou o ritmo do projeto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), frente aos embargos e as dificuldades orçamentárias.
 
O SCD-1, além do transponder PCD, também possui um computador de bordo e células solares experimentais, desenvolvidas com tecnologia nacional. Alguns itens dos subsistemas são duplicados com o intuito de assegurar seu funcionamento.

Dimensões 1 m de diâmetro e 1,45 m de altura com a antena
Massa 115 kg
Estrutura Alumínio (EMBRAER)
Potência (painéis solares) 70 W
Computador de Bordo 1,41 MHz de clock, 64 Kbytes de RAM, 8 Kbytes de PROM
Carga-útil Transponder PCD
Período 100 minutos


O lançamento ocorreu na manhã, do dia nove de fevereiro de 1993, a partir de Kennedy Space Center, Flórida, EUA. O foguete Pegasus, versão padrão (Standard) foi levado até uma altitude de 13 km sob as asas de um bombardeiro B-52, tendo logo em seguida se desprendido e iniciado a ignição do primeiro estágio. Ás 11h42, com o SCD-1 já em órbita, a estação terrena de Alcântara estabelece contato.

Após mais de dez anos do início do projeto, com o envolvimento de centenas de profissionais durante esse período, o Brasil coloca seu primeiro satélite no espaço

Em 1998, a Missão de Coleta de Dados foi complementada com o lançamento do SCD-2, também por meio de um foguete Pegasus. Este satélite, a exemplo de seu antecessor, continua em funcionamento, apesar de sua vida-útil estimada em dois anos. Seu índice de nacionalização é de 85%.

O autor e DefesaNet agradecem o apoio da jornalista Ana Chagas e ao tecnologista Mário Eugênio Saturno, ambos do INPE.